Investidores veem Flávio Bolsonaro como favorito após projeções
Com a indicação de vantagem sobre Lula no primeiro turno, agentes do mercado projetam queda de até 5% do dólar e recuo de até um ponto nos juros.
Resumo em 30 segundos
Projeções do primeiro turno indicaram Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, levando investidores a vê-lo como favorito. Participantes do mercado esperam valorização de ativos brasileiros na segunda-feira, com possibilidade de queda de até 5% do dólar e recuo de até um ponto percentual nos juros. As estimativas são expectativas, não resultados garantidos.
Investidores da Faria Lima passaram a tratar Flávio Bolsonaro (PL) como favorito para vencer a eleição presidencial depois que as primeiras projeções do primeiro turno, neste domingo, indicaram que ele ficaria à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa entre participantes do mercado é de valorização de ativos brasileiros no pregão desta segunda-feira, com queda do dólar e dos juros.
Antes da votação, os preços dos ativos apontavam Lula de dois a três pontos à frente. Mesmo assim, investidores já consideravam provável uma disputa apertada e se preparavam para uma reação positiva do mercado após o resultado. Com a vantagem de Flávio indicada pelas projeções, alguns participantes passaram a estimar um movimento mais intenso.
Em conversas com investidores, foram mencionadas a possibilidade de o dólar cair até 5% em relação ao real e de os juros recuarem em até um ponto percentual, com redução dos prêmios. Prêmios de risco são custos adicionais exigidos por investidores para aplicar em ativos sujeitos a incertezas; quando diminuem, podem baratear o financiamento de empresas e do governo.
A maior queda diária do dólar ante o real nos últimos seis anos ocorreu após o primeiro turno de 2022, quando a moeda americana recuou 4,07%. As projeções atuais apontam para uma possível reação ainda mais acentuada, embora as estimativas expressem expectativas de agentes do mercado, e não resultados garantidos.
Parte dos investidores já considera provável a vitória de Flávio e deve concentrar a atenção nas propostas para as contas públicas e nos nomes que ele poderá indicar para a equipe econômica. Um tesoureiro ouvido na Faria Lima avaliou que apenas um acontecimento extraordinário, como um escândalo de grandes proporções, poderia alterar o quadro atual.
Gestores e operadores esperam que ativos brasileiros mantenham prêmios de risco menores nos próximos meses, mas reconhecem que o cenário externo também influenciará o desempenho. Na avaliação predominante entre investidores, um eventual governo Flávio adotaria uma política fiscal mais responsável e poderia reduzir incertezas que pesaram sobre os preços nos últimos anos. Há, porém, quem considere improvável uma melhora expressiva das contas públicas.
Essa ressalva não deve, segundo participantes do mercado, impedir uma fase inicial de maior confiança. Investidores também veem como fatores favoráveis uma possível redução de impostos e menos regulação em algumas áreas. Um gestor resumiu a expectativa como um “choque de confiança”, que daria tempo ao candidato para apresentar seus planos; a duração desse apoio dependerá das medidas e da condução fiscal de um eventual governo.
Para entender
- Prêmios de risco
- São retornos adicionais que investidores exigem para aplicar em ativos considerados mais incertos. Quando esses prêmios caem, pode diminuir o custo de financiamento para empresas e para o governo. Eles variam conforme a percepção de risco e as condições econômicas.