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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Inflação e desemprego no Chile encarecem até o cachorro-quente completo

A retração econômica e a alta dos preços no Chile encareceram até o tradicional cachorro-quente completo e reduziram gastos das famílias.

Por Ricardo Vasconcelos 3 min de leitura
Completo chileno servido em uma lanchonete simples no centro de Santiago. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Completo chileno servido em uma lanchonete simples no centro de Santiago.
Resumo em 30 segundos

A retração econômica e a alta dos preços no Chile reduziram o poder de compra das famílias e encareceram o completo, tradicional cachorro-quente. A inflação anual chegou a 4,1%, e o desemprego, a 9,5%. O governo de José Antonio Kast prepara um plano trabalhista de emergência e aguarda análise judicial de uma reforma econômica e tributária.

A piora da economia e o aumento do custo de vida no Chile pressionam o orçamento das famílias e encarecem até o completo, o tradicional cachorro-quente vendido em Santiago. O país registrou dois trimestres consecutivos de retração econômica, enquanto o desemprego e a inflação avançaram, segundo dados oficiais divulgados neste mês.

O lanche, que por décadas foi uma opção acessível para pessoas de diferentes faixas de renda, ficou mais caro. Antonia Bravo, estudante de 21 anos, disse que costumava pagar 2.500 pesos chilenos, equivalentes a R$ 13,50, e agora encontra o completo por valores entre 3.500 e 4.000 pesos, ou de R$ 19 a R$ 21.

A inflação anual chegou a 4,1% nos 12 meses mais recentes, impulsionada pela alta dos preços de alimentos e transporte. O desemprego subiu para 9,5%, o maior nível em cinco anos. Diante do quadro, o Banco Central do Chile reduziu a projeção de crescimento econômico para 2026: a estimativa, antes entre 1% e 1,75%, passou para uma faixa de 0,25% a 0,75%.

A presidente do Banco Central, Rosanna Costa, afirmou que a fragilidade da economia pode durar mais do que o previsto. Ela também disse que as pressões sobre os preços reduzem o poder de compra das famílias e afetam a confiança.

A cesta básica de alimentos custava cerca de R$ 500 em agosto, alta de 5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme o Ministério de Desenvolvimento Social. O salário mínimo chileno equivale a aproximadamente R$ 2.800. O país também enfrenta aumento dos combustíveis, relacionado à guerra entre Estados Unidos e Irã.

A alta dos gastos tem levado moradores a cortar despesas, inclusive com alimentação fora de casa. Mauricio Aravena, professor de 30 anos, afirmou que os preços dos itens básicos continuam subindo e que comer fora se tornou ainda mais caro. Segundo ele, os salários não acompanham o aumento das contas.

Tabata Martinich, professora de 31 anos, contou que ela e os amigos passaram a cozinhar mais em casa e a controlar os gastos com maior atenção. No restaurante associado à criação do completo, o gerente Guillermo Cid afirmou que o lanche segue atraindo pessoas com orçamento apertado, como ocorria quando o prato surgiu.

O completo foi criado em uma lanchonete no centro de Santiago, no início da década de 1930. A receita tradicional leva salsicha, chucrute, tomate e maionese artesanal de batata; depois, ganhou ingredientes como abacate. O prato é servido em lojas próximas à Plaza de Armas, na capital chilena.

Desde que assumiu a Presidência, em março, José Antonio Kast tem defendido medidas para estimular investimentos e empregos. O presidente reconheceu que o país enfrenta inflação superior à esperada e crescimento abaixo do previsto. Em reunião com ministros e dirigentes de partidos da coalizão governista, pediu a elaboração de um plano trabalhista de emergência, que deve ser apresentado nas próximas semanas, sem divulgar detalhes.

Outra iniciativa do governo é uma reforma econômica e tributária aprovada pelo Congresso, mas ainda sujeita à análise do Tribunal Constitucional, após ações apresentadas por partidos de oposição. A proposta prevê, entre outras medidas, benefícios tributários para grandes empresas, mudanças na tributação de investimentos e compensações a empresas que tenham projetos rejeitados por razões ambientais.

O analista Guillermo Holzmann afirmou que os investimentos não avançaram no ritmo necessário e que o governo precisa converter projetos de médio e longo prazo em ações com efeitos concretos para a população. A reforma também inclui mecanismos sobre dívidas antigas e a proibição de cobrar juros sobre juros.

Quem é quem

Banco Central do Chile
Instituição responsável pela política monetária e pela estabilidade financeira do Chile. Na notícia, reduziu a projeção de crescimento econômico para 2026 diante da retração, da inflação e do aumento do desemprego.
José Antonio Kast
Presidente do Chile desde março, conforme a matéria de origem. Seu governo busca estimular investimentos e empregos, prepara um plano trabalhista de emergência e promove uma reforma econômica e tributária ainda sujeita à análise do Tribunal Constitucional.

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