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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Hipoteca de 30 anos nos EUA sobe a 7,28% com alta dos títulos

A hipoteca fixa de 30 anos nos Estados Unidos subiu a 7,28%, enquanto títulos do Tesouro chegaram a rendimentos não vistos em décadas.

Por Ricardo Vasconcelos 3 min de leitura
Casa suburbana nos EUA e comprador analisando documentos de financiamento imobiliário. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Casa suburbana nos EUA e comprador analisando documentos de financiamento imobiliário.
Resumo em 30 segundos

A taxa média da hipoteca fixa de 30 anos nos Estados Unidos subiu a 7,28%, maior nível desde novembro de 2023, acompanhando a alta dos títulos do Tesouro. O avanço dos juros é associado a temores de inflação, ao conflito no Irã e a fatores fiscais e de investimento. As taxas mais altas pressionam o mercado imobiliário e repercutem globalmente.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançaram a níveis não registrados há décadas, elevando o custo do financiamento imobiliário no país. Nesta semana, a taxa média da hipoteca fixa de 30 anos, a modalidade mais popular, alcançou 7,28%, ante 7,03% na semana anterior, segundo a Freddie Mac. O movimento ocorre em meio à alta dos juros globais e afeta o acesso à casa própria nos EUA.

O rendimento do título americano de dez anos chegou a 5,68%, patamar visto pela última vez em julho de 2002. O papel de 30 anos subiu a 5,61%, maior taxa em 24 anos. A hipoteca de 30 anos está quase um ponto percentual acima dos 6,34% registrados um ano antes e no nível mais alto desde novembro de 2023.

O custo do financiamento aumentou após o conflito no Irã, acompanhando a alta dos rendimentos dos títulos. No fim de fevereiro, a taxa da hipoteca de 30 anos estava abaixo de 6%. A guerra no Pérsico elevou os custos de energia e alimentou preocupações com a inflação, levando investidores a exigir retornos maiores nos títulos do Tesouro. O rendimento de dez anos também influencia as taxas hipotecárias.

O encarecimento do crédito ocorre em um mercado imobiliário já pressionado. As vendas de imóveis usados caíram 2% em agosto, na comparação com julho, e chegaram ao menor nível desde junho do ano passado. Os preços das casas, porém, subiram 1,5% em junho em relação ao mesmo mês do ano anterior, depois de uma alta anual de 1,2% no mês precedente, segundo a Cotality.

A alta não se restringe aos Estados Unidos. Nesta quinta-feira, os rendimentos dos títulos britânicos de 30 anos, conhecidos como gilts, chegaram a 6% pela primeira vez desde 1998. A última vez que um país do grupo das sete maiores economias registrou rendimento acima desse patamar foi em 2012, durante a crise da dívida soberana e bancária da Itália.

Isabela Fukase, gestora de renda fixa da Tivio Capital, relacionou a alta dos juros de prazo mais curto à guerra, ao choque na oferta de petróleo e às tarifas, que dificultaram a redução da inflação. Nos vencimentos mais longos, ela apontou a inflação persistente nos EUA, a força da demanda, os investimentos em inteligência artificial e o aumento dos gastos militares como fatores de pressão.

Fukase também afirmou que déficits elevados e juros maiores ampliam o custo de carregamento da dívida americana, o que pode levar investidores a pedir rendimentos ainda mais altos. Segundo ela, movimentos semelhantes ocorrem no Japão e na zona do euro, e os títulos alemães e franceses também registram altas taxas.

Helen Anthony, gerente de portfólio da Janus Henderson, disse que os investimentos em inteligência artificial nos EUA tornam o cenário mais desafiador para os títulos do Tesouro, pois atraem capital global e concorrem com aplicações em dívida pública.

A elevação dos rendimentos americanos pode redirecionar recursos para os EUA, considerados um destino seguro por investidores, e pressionar moedas e investimentos em outros países. Nesta quinta-feira, o dólar subia 1%, a R$ 5,23, e os juros futuros brasileiros avançavam ao longo de toda a curva.

Quem é quem

Freddie Mac
Agência de financiamento imobiliário dos Estados Unidos que atua no mercado de crédito habitacional. A instituição divulga dados sobre taxas de hipotecas, incluindo a média dos empréstimos fixos de 30 anos.
Tivio Capital
Gestora de recursos brasileira que atua no mercado financeiro. Isabela Fukase, citada na notícia, é gestora de renda fixa da empresa e comentou fatores associados à alta dos juros.

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