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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Grécia compra três cargueiros militares KC-390 da Embraer

O acordo prevê a opção de receber mais três aviões por meio de Portugal; Atenas espera que o primeiro cargueiro militar KC-390 chegue em 2027.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Aeronave militar de transporte a jato estacionada em uma base aérea grega. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Aeronave militar de transporte a jato estacionada em uma base aérea grega.
Resumo em 30 segundos

A Grécia anunciou a compra de três KC-390 Millennium, da Embraer, com opção de adquirir outras três unidades por meio de Portugal. O primeiro avião deve ser entregue em 2027. Com a decisão, o país se torna o oitavo integrante da Otan a escolher o cargueiro brasileiro, que pode transportar até 26 toneladas.

A Grécia anunciou nesta segunda-feira (2) a compra de três aeronaves de transporte militar KC-390 Millennium, da Embraer, com a possibilidade de adquirir outras três. O país será o oitavo integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a escolher o cargueiro brasileiro e espera receber o primeiro avião em 2027.

As três unidades adicionais poderão ser compradas por Portugal, que já encomendou seis KC-390 e recebeu quatro, e depois transferidas à Grécia. O acordo permite que Atenas antecipe a entrega, porque as aeronaves entram em uma fila de produção já negociada. O valor do contrato direto entre a Grécia e a Embraer não foi divulgado.

A operação envolvendo as três unidades está estimada em R$ 3,6 bilhões. Portugal deverá obter um ganho equivalente a cerca de R$ 180 milhões com o repasse, segundo os valores apresentados para o negócio.

O KC-390 permitirá à força aérea grega renovar parte da frota de transporte. O país opera 15 C-130 Hércules, cargueiros americanos quadrimotores turboélice que transportam até 19 toneladas, além de 13 aeronaves italianas C-27J, com capacidade de até 11,5 toneladas.

O avião da Embraer pode levar até 26 toneladas e usa dois motores a jato. A Grécia escolheu a versão KC, equipada para reabastecer outras aeronaves em voo — capacidade que os C-130 atualmente operados pelo país não têm. Esse recurso amplia as possibilidades de emprego do cargueiro em missões militares e de transporte.

Com a decisão grega, oito integrantes da Otan terão escolhido o modelo: Portugal, Holanda, Suécia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Lituânia e Grécia. A Embraer também vendeu quatro aeronaves à Áustria, que não pertence à aliança, mas atua em coordenação com ela. Há contratos ainda não finalizados relacionados aos países bálticos.

Fora da Europa, o cargueiro foi adquirido pela Coreia do Sul, pelo Uzbequistão, pelos Emirados Árabes Unidos e pela Colômbia. A Embraer também busca ampliar sua presença nos Estados Unidos e na Índia. No mercado americano, versões modernizadas do C-130 são uma concorrência; na Índia, as negociações estão mais avançadas e há expectativa de uma encomenda de dezenas de aviões.

A compra grega ocorre em meio à ampliação dos gastos militares europeus, impulsionada pela percepção de ameaça russa após a invasão da Ucrânia em 2022 e por tensões no Oriente Médio. A pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os aliados europeus assumam uma parcela maior dos custos de defesa também contribuiu para a revisão de planos militares no continente.

Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, os países europeus programaram para este ano despesas militares nominais 90% superiores às de 2021. Atenas também considera as tensões no leste do Mediterrâneo e sua rivalidade histórica com a Turquia, que integra a Otan. No ano passado, o governo grego aprovou um plano de investimentos militares equivalente a R$ 135 bilhões ao longo de 12 anos; a aquisição dos KC-390 está entre as primeiras iniciativas do programa.

Desenvolvido a partir de uma demanda da Força Aérea Brasileira (FAB), formalizada em 2008, o KC-390 teve sua primeira entrega 11 anos depois. A encomenda original da FAB caiu de 28 para 19 aeronaves, das quais oito foram entregues. As vendas para outros países fizeram do cargueiro um dos principais produtos da divisão de defesa da Embraer.

Fontes: Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo

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