Governo Trump intensifica ações contra voto de não cidadãos nos EUA
Prisões, ameaças de processos e uma recompensa por denúncias levam democratas e grupos de direitos civis a alertar para intimidação de eleitores.
Resumo em 30 segundos
O governo Trump intensificou ações e declarações contra suspeitas de voto de não cidadãos antes das eleições de meio de mandato de 2026. Embora a administração afirme haver eleitores ilegais, dados citados no texto apontam poucos casos. Democratas e grupos de direitos civis temem que as medidas afastem eleitores e reduzam a confiança na votação.
A poucos dias das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 2026, o governo do presidente Donald Trump intensificou ações e declarações contra suspeitas de voto por não cidadãos. Prisões, ameaças de processos e uma recompensa anunciada por denúncias levaram democratas e grupos de direitos civis a alertar para possível intimidação de eleitores e perda de confiança na votação. A data exata da eleição não foi informada nas declarações citadas.
Em estados como Pensilvânia, Califórnia e Flórida, agentes federais armados prenderam pessoas acusadas de votar em eleições anteriores sem serem cidadãs americanas. Na Califórnia, 28 pessoas foram detidas na semana passada em casos que remontam a 2002. O procurador federal adjunto Bill Essayli afirmou que as prisões confirmam as alegações do governo e disse que o estado envia cédulas a não cidadãos.
Trump sustenta há anos, sem apresentar provas, que um grande número de pessoas sem cidadania vota em estados governados por democratas e altera resultados. Na semana passada, o procurador federal do Texas Aaron Reitz ameaçou processar quem violar a legislação eleitoral federal. Em 2020, Reitz tentou sem sucesso anular os resultados da eleição presidencial em quatro estados.
O presidente também ofereceu US$ 1 milhão — cerca de R$ 5,49 milhões — a quem denunciasse fraude eleitoral em eleições passadas ou nas próximas eleições de meio de mandato. Ele não explicou como o valor seria financiado nem como as denúncias seriam avaliadas. As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do mandato presidencial e renovam todos os assentos da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais e locais. O resultado pode alterar o controle do Congresso e influenciar a agenda do presidente.
A administração Trump afirmou que a Califórnia tinha 190 mil eleitores “ilegais” em seus registros, mas depois reduziu a estimativa para 20 mil. O governo pediu à Justiça que determinasse a apreensão das cédulas dessas pessoas pouco antes da votação. Autoridades locais contestaram a lista e questionaram o momento em que o pedido judicial foi apresentado.
Dados citados por pesquisadores indicam que votar sem cidadania é raro. Uma análise de registros da conservadora Heritage Foundation identificou 100 casos de pessoas não cidadãs que votaram entre 1982 e 2025, em mais de 1,3 bilhão de votos presidenciais no período. O professor de direito Rick Hasen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), afirmou que a campanha federal é agressiva e que o número reduzido de casos reflete a dimensão limitada do problema.
A vereadora de Los Angeles Janice Hahn, democrata, classificou as detenções como tentativa de enfraquecer a confiança nas eleições. Para ela, as ações criam a impressão de fraude generalizada, embora, disse, os casos não sustentem essa conclusão. Associações de direitos civis também têm organizado iniciativas para orientar eleitores sobre seus direitos e registrar possíveis episódios de intimidação nos locais de votação.
Uma dessas ações, chamada Vote Safe, mobiliza religiosos, veteranos, professores e outros voluntários para acompanhar a votação, mediar conflitos e documentar ocorrências. Mary Corcoran, diretora do Save America Movement, afirmou que o medo pode afastar eleitores mesmo sem a presença de agentes nos locais de votação.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- São eleições realizadas no meio do mandato presidencial nos Estados Unidos. Nelas, são renovados todos os assentos da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais e locais. O resultado pode mudar o controle do Congresso.