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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Governo Trump intensifica ações contra voto de não cidadãos nos EUA

Prisões, ameaças de processos e uma recompensa por denúncias levam democratas e grupos de direitos civis a alertar para intimidação de eleitores.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores aguardam em fila dentro de um local de votação nos Estados Unidos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores aguardam em fila dentro de um local de votação nos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos

O governo Trump intensificou ações e declarações contra suspeitas de voto de não cidadãos antes das eleições de meio de mandato de 2026. Embora a administração afirme haver eleitores ilegais, dados citados no texto apontam poucos casos. Democratas e grupos de direitos civis temem que as medidas afastem eleitores e reduzam a confiança na votação.

A poucos dias das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 2026, o governo do presidente Donald Trump intensificou ações e declarações contra suspeitas de voto por não cidadãos. Prisões, ameaças de processos e uma recompensa anunciada por denúncias levaram democratas e grupos de direitos civis a alertar para possível intimidação de eleitores e perda de confiança na votação. A data exata da eleição não foi informada nas declarações citadas.

Em estados como Pensilvânia, Califórnia e Flórida, agentes federais armados prenderam pessoas acusadas de votar em eleições anteriores sem serem cidadãs americanas. Na Califórnia, 28 pessoas foram detidas na semana passada em casos que remontam a 2002. O procurador federal adjunto Bill Essayli afirmou que as prisões confirmam as alegações do governo e disse que o estado envia cédulas a não cidadãos.

Trump sustenta há anos, sem apresentar provas, que um grande número de pessoas sem cidadania vota em estados governados por democratas e altera resultados. Na semana passada, o procurador federal do Texas Aaron Reitz ameaçou processar quem violar a legislação eleitoral federal. Em 2020, Reitz tentou sem sucesso anular os resultados da eleição presidencial em quatro estados.

O presidente também ofereceu US$ 1 milhão — cerca de R$ 5,49 milhões — a quem denunciasse fraude eleitoral em eleições passadas ou nas próximas eleições de meio de mandato. Ele não explicou como o valor seria financiado nem como as denúncias seriam avaliadas. As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do mandato presidencial e renovam todos os assentos da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais e locais. O resultado pode alterar o controle do Congresso e influenciar a agenda do presidente.

A administração Trump afirmou que a Califórnia tinha 190 mil eleitores “ilegais” em seus registros, mas depois reduziu a estimativa para 20 mil. O governo pediu à Justiça que determinasse a apreensão das cédulas dessas pessoas pouco antes da votação. Autoridades locais contestaram a lista e questionaram o momento em que o pedido judicial foi apresentado.

Dados citados por pesquisadores indicam que votar sem cidadania é raro. Uma análise de registros da conservadora Heritage Foundation identificou 100 casos de pessoas não cidadãs que votaram entre 1982 e 2025, em mais de 1,3 bilhão de votos presidenciais no período. O professor de direito Rick Hasen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), afirmou que a campanha federal é agressiva e que o número reduzido de casos reflete a dimensão limitada do problema.

A vereadora de Los Angeles Janice Hahn, democrata, classificou as detenções como tentativa de enfraquecer a confiança nas eleições. Para ela, as ações criam a impressão de fraude generalizada, embora, disse, os casos não sustentem essa conclusão. Associações de direitos civis também têm organizado iniciativas para orientar eleitores sobre seus direitos e registrar possíveis episódios de intimidação nos locais de votação.

Uma dessas ações, chamada Vote Safe, mobiliza religiosos, veteranos, professores e outros voluntários para acompanhar a votação, mediar conflitos e documentar ocorrências. Mary Corcoran, diretora do Save America Movement, afirmou que o medo pode afastar eleitores mesmo sem a presença de agentes nos locais de votação.

Para entender

Eleições de meio de mandato
São eleições realizadas no meio do mandato presidencial nos Estados Unidos. Nelas, são renovados todos os assentos da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais e locais. O resultado pode mudar o controle do Congresso.

Fontes: Zero Hora

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