Google testa chips de IA no espaço em projeto de computação orbital
Google e SpaceX lançam nesta quinta-feira um teste com chips de inteligência artificial na órbita baixa da Terra para avaliar a computação espacial.
Resumo em 30 segundos
Google e SpaceX farão nesta quinta-feira um teste de chips de inteligência artificial na órbita baixa da Terra. O Google avaliará a resistência dos processadores à radiação e ao lançamento, além de estudar o resfriamento no espaço. A empresa planeja lançar dois satélites em 2027, enquanto a SpaceX também projeta satélites de computação para IA.
O Google e a SpaceX farão nesta quinta-feira (1º) um teste com chips de inteligência artificial na órbita baixa da Terra. O experimento avaliará se os processadores podem operar no espaço e ajudará a medir a viabilidade de instalar centros de dados orbitais, uma alternativa em estudo para atender à demanda por computação de IA.
A carga inclui unidades de processamento tensorial (TPUs, na sigla em inglês), desenvolvidas pelo Google. A empresa vai verificar se os chips resistem às condições do lançamento, que deve durar cerca de dez minutos, e à radiação encontrada além da atmosfera terrestre. Também pretende estudar como resfriar os processadores em um ambiente sem circulação de ar.
O teste integra o Project Suncatcher, iniciativa de pesquisa apresentada pelo Google no ano passado para investigar o uso de computadores de inteligência artificial no espaço. A companhia planeja lançar dois satélites em órbita em 2027, depois do protótipo inicial. No longo prazo, a ideia é conectar grupos de satélites para processar grandes cargas de trabalho em conjunto.
A SpaceX é responsável pelo lançamento do experimento, embora também tenha planos próprios para a computação orbital. A empresa pretende enviar satélites com capacidade de processamento de IA a partir de 2027, usando o foguete Starship, descrito como totalmente reutilizável.
A possibilidade de operar centros de dados alimentados por energia solar no espaço se tornou um objetivo da SpaceX e de seu fundador, Elon Musk. A órbita pode oferecer acesso à energia solar sem as limitações de terreno e de disponibilidade de energia enfrentadas por instalações terrestres, além de evitar conflitos com comunidades próximas a centros de dados.
A tecnologia, porém, ainda enfrenta obstáculos. Entre os desafios estão a remoção do calor gerado pelos computadores no vácuo, a manutenção dos satélites e os efeitos da radiação sobre os equipamentos. Investidores também questionam se processar dados no espaço será mais barato do que usar centros de dados na Terra.
O teste desta quinta-feira não representa a implantação de um centro de dados orbital em escala comercial. Ele vai permitir que o Google avalie o desempenho de componentes específicos em condições espaciais, antes de avançar para as etapas previstas no projeto. A empresa não informou, no material disponível, quando pretende concluir essa avaliação.
O interesse pelo tema acompanha a expansão do uso de inteligência artificial e a procura por mais capacidade computacional. A ideia de deslocar parte dessa infraestrutura para o espaço depende de demonstrar que os benefícios potenciais compensam os custos e as dificuldades técnicas. Tanto o projeto do Google quanto os planos da SpaceX ainda estão em fase de desenvolvimento.
A parceria no lançamento reúne, assim, duas empresas que pesquisam a computação orbital, mas com iniciativas próprias. O experimento levará ao espaço chips do Google; a SpaceX, por sua vez, planeja desenvolver sua própria rede de satélites de processamento. Os resultados poderão contribuir para as decisões sobre os próximos passos de cada projeto.
Quem é quem
- Empresa de tecnologia que desenvolve serviços digitais, software e hardware. No caso, pesquisa o uso de unidades de processamento tensorial em satélites e conduz o Project Suncatcher, voltado a investigar a computação de inteligência artificial em órbita.
- SpaceX
- Empresa aeroespacial fundada por Elon Musk, dedicada ao desenvolvimento de foguetes e sistemas espaciais. Está envolvida no lançamento do teste do Google e planeja, por iniciativa própria, colocar satélites de computação para inteligência artificial em órbita a partir de 2027.