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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Google e Range usam 100 Zeros para financiar filmes e microdramas

O Google e a produtora Range Media Partners usam a 100 Zeros para financiar filmes e testar formatos que aproximem Hollywood da tecnologia.

Por Felipe Rocha 4 min de leitura
Equipe grava uma cena em estúdio com equipamentos de filmagem, celular e óculos inteligentes ao lado de uma projeção holográfica. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Equipe grava uma cena em estúdio com equipamentos de filmagem, celular e óculos inteligentes ao lado de uma projeção holográfica.
Resumo em 30 segundos

Google e Range Media Partners usam a iniciativa 100 Zeros para financiar produções em Hollywood, testar microdramas e desenvolver experiências com inteligência artificial e óculos inteligentes. A parceria quer aproximar a indústria das ferramentas do Google e influenciar a representação da tecnologia, mas enfrenta desconfiança de artistas e espectadores sobre a atuação corporativa no cinema.

O Google e a produtora Range Media Partners ampliaram sua atuação em Hollywood por meio da 100 Zeros, parceria criada há um ano para financiar produções, experimentar formatos de entretenimento e aproximar profissionais da indústria das ferramentas da empresa. Entre os projetos estão curtas, microdramas para celulares e experiências interativas em óculos inteligentes.

A iniciativa busca também influenciar como a tecnologia, especialmente a inteligência artificial (IA), aparece nas histórias contadas no cinema e na televisão. O Google afirma que quer promover retratos mais precisos e autênticos das mudanças tecnológicas, num momento em que muitas produções apresentam a tecnologia como uma ameaça.

“Sweetwater”, curta estrelado por Kyra Sedgwick e dirigido por Michael Keaton, é um dos exemplos. Sedgwick interpreta o holograma de uma estrela de cinema morta que surge para o filho enlutado. O Google encomendou o filme em parceria com a Range, e pesquisadores de IA da empresa orientaram a equipe sobre como a personagem digital poderia funcionar de forma plausível.

Sedgwick disse que considera questionável a tentativa de empresas de tecnologia de representar a IA como bondosa e humana. Ao mesmo tempo, afirmou apoiar o investimento do Google em filmes feitos por cineastas, roteiristas e diretores, em vez de produções inteiramente geradas por IA. Para ela, os recursos da empresa podem ajudar a manter o trabalho artístico.

Jonathan Zepp, chefe de conteúdo e plataformas de entretenimento do Google, disse que a tecnologia costuma ser retratada de maneira que, em sua avaliação, transmite uma mensagem imprecisa. Ele afirmou que a empresa quer contribuir para uma representação mais autêntica do impacto da tecnologia. Peter Micelli, cofundador e CEO da Range, declarou que a resistência à IA entre clientes da empresa está diminuindo e que a parceria tem ajudado a apresentar possíveis benefícios.

A 100 Zeros funciona separadamente do YouTube e opera como um fundo rotativo: as receitas dos projetos podem financiar novas produções. Zepp e Micelli não informaram o valor investido, mas pessoas que fizeram negócios com a iniciativa disseram que são milhões de dólares. O projeto também dá à Range acesso às ferramentas do Google, como o sistema Android XR, para óculos inteligentes, e o Flow, software de produção que gera e edita vídeos com IA.

A principal aposta em formato curto é uma série de 30 episódios chamada “Dateable”, criada por Mike Fleiss, responsável por “The Bachelor”. O reality acompanha uma mulher que tenta encontrar um relacionamento antes de completar 30 anos e será gravado por ela com um celular Android. A série e outros microdramas devem estrear no aplicativo Google TV em dezembro; depois, a 100 Zeros planeja distribuí-los em outras plataformas.

Também estão previstos programas produzidos por Kenan Thompson, Simon Fuller e McG. Fleiss disse que o formato curto permite repensar os reality shows e reduzir, segundo ele, a manipulação e os elementos artificiais associados a produções excessivamente elaboradas. O Google TV tem estimativa de 50 milhões de usuários ativos mensais no mundo, alta de 9% em relação ao ano anterior, segundo a Sensor Tower.

A empresa também apoiou filmes como “Valor sentimental”, de Joachim Trier, “Cuckoo: o medo chama”, de Tilman Singer, e “The wrong girls”, com Kristen Stewart e Alia Shawkat. O próximo projeto é “Family movie”, com direção de Sedgwick e Kevin Bacon. “The wrong girls” e “Family movie” incluem personagens que usam dispositivos do Google, ampliando a estratégia de inserir produtos da empresa nas histórias desde as etapas iniciais de desenvolvimento.

Em projetos para realidade aumentada e virtual apresentados no Festival de Cinema de Veneza, “Nevatars”, de Andy Serkis, permite que espectadores conversem com personagens de IA. Já o documentário “Galápagos: the last eden”, narrado por Margot Robbie, oferece interação com uma versão digital de Charles Darwin.

A 100 Zeros também apoiou o Future Vision XPrize, competição de US$ 3,5 milhões para curtas e trailers sobre futuros positivos possibilitados pela tecnologia. O vencedor, “The gifted”, acompanha um garoto que usa IA para reconstruir a mãe morta a partir de mensagens, gravações de voz e um diário. O Google e a Range vão desenvolver e ajudar a financiar um longa-metragem baseado na obra.

A atuação da empresa na indústria inclui ainda uma parceria do laboratório DeepMind com o estúdio A24 para desenvolver ferramentas de IA para cineastas. O Google investiu cerca de US$ 75 milhões na A24, acordo que provocou críticas de cinéfilos preocupados com o avanço da inteligência artificial sobre a produção cinematográfica. O desafio da 100 Zeros é conquistar artistas e espectadores sem que a participação corporativa seja percebida como uma tentativa de controlar as histórias.

Quem é quem

Google
Empresa de tecnologia fundada por Larry Page e Sergey Brin, conhecida principalmente por seu mecanismo de busca e por serviços digitais. Também desenvolve sistemas operacionais, ferramentas de inteligência artificial e produtos de entretenimento, como o Google TV.
Range Media Partners
Empresa norte-americana de gestão de talentos e produção fundada em 2020. Representa profissionais do entretenimento e atua em áreas como cinema, televisão, música, esportes, publicação e mídia digital.
100 Zeros
Parceria entre Google e Range Media Partners voltada a financiar projetos de entretenimento, experimentar formatos e explorar o uso de tecnologias da empresa em produções audiovisuais. Opera separadamente do YouTube e inclui filmes, microdramas e experiências para dispositivos imersivos.

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