Google firma acordo para obter até 1.070 MW com usina virtual
A Voltus vai reunir consumidores na rede PJM e oferecer incentivos para reduzir o consumo nos horários de pico, liberando capacidade para os data centers.
Resumo em 30 segundos
O acordo entre Google e Voltus prevê até 1.070 megawatts de capacidade elétrica na rede PJM, nos Estados Unidos. Para isso, a Voltus reunirá residências e empresas que poderão reduzir o consumo ou fornecer energia de baterias nos horários de maior demanda. A iniciativa busca atender data centers sem construir novas usinas.
O Google fechou nesta quinta-feira um acordo com a empresa de energia Voltus para disponibilizar até 1.070 megawatts de capacidade elétrica na rede PJM, que atende áreas do Atlântico Médio dos Estados Unidos. A energia será obtida com a redução temporária do consumo de residências e empresas, para ajudar a suprir a demanda dos data centers da companhia quando a rede estiver sob pressão.
A iniciativa, chamada de usina virtual, não depende da construção de novas usinas. A Voltus reunirá milhares de consumidores e oferecerá incentivos financeiros para que diminuam o uso de eletricidade nos horários de pico. Segundo a empresa, a soma de pequenas reduções pode liberar uma quantidade expressiva de energia quando ela for mais necessária.
Parte das medidas poderá funcionar automaticamente. Termostatos inteligentes, por exemplo, podem reduzir o uso do ar-condicionado durante períodos de alta demanda no verão. Baterias instaladas em residências e empresas também podem fornecer energia temporariamente no próprio local, reduzindo a carga sobre a rede.
A capacidade anunciada, de até 1.070 megawatts, é aproximadamente equivalente à produção de um grande reator nuclear. O Google não informou os valores financeiros do acordo, mas afirmou que ele está entre os maiores exemplos, até agora, de uma empresa de tecnologia pagando por capacidade elétrica por meio desse modelo.
Ellen Zuckerman, responsável pelo desenvolvimento dos mercados de energia para as Américas do Norte e do Sul no Google, disse que a empresa considera as usinas virtuais uma solução importante no curto prazo. Segundo ela, o modelo permite investir nas comunidades onde a companhia atua, apoiar seu compromisso com energia limpa e responder rapidamente à necessidade de capacidade elétrica.
A medida ocorre em meio à dificuldade das empresas de tecnologia para garantir eletricidade suficiente para novos data centers voltados à inteligência artificial. Outras alternativas em discussão no setor incluem reativar usinas nucleares antigas e instalar geradores a gás independentes da rede elétrica.
As usinas virtuais agregam recursos distribuídos — como a energia economizada por consumidores e a eletricidade fornecida por baterias — e os coordenam para atender às necessidades do sistema. O mecanismo pode ser implementado mais rapidamente do que a construção de novas usinas convencionais e, no curto prazo, pode reduzir a necessidade de recorrer a fontes mais poluentes. Ainda assim, a expansão dos data centers pode exigir investimentos adicionais em geração de energia convencional.
Para entender
- Usina virtual
- É a coordenação de recursos distribuídos, como baterias e reduções temporárias no consumo de eletricidade, para ajudar a atender à demanda da rede. Em vez de depender de uma única usina, o modelo reúne contribuições de vários locais.