Google planeja megacentro de dados de IA de US$ 15 bilhões na Índia
Previsto para 2028 em Visakhapatnam, o projeto promete milhares de empregos, mas moradores e ambientalistas questionam impactos sobre água e energia.
Resumo em 30 segundos
O Google planeja investir cerca de US$ 15 bilhões em um centro de dados de inteligência artificial em Visakhapatnam, na Índia, com operação prevista para 2028. Moradores e organizações ambientais contestam impactos sobre água, energia e comunidades próximas. A empresa afirma que usará refrigeração a ar e projeta milhares de empregos durante a construção.
O Google planeja investir cerca de US$ 15 bilhões em um megacentro de dados de inteligência artificial (IA) em Visakhapatnam, cidade no sudeste da Índia também conhecida como Vizag. Prevista para entrar em operação em 2028, a instalação deve ter capacidade energética de um gigawatt e será a maior do tipo da empresa fora dos Estados Unidos, mas já enfrenta questionamentos de moradores e ambientalistas sobre o consumo de água e energia e os efeitos sobre comunidades próximas.
A localização foi escolhida, em parte, porque Visakhapatnam é uma porta de entrada dos cabos submarinos de internet que ligam a Índia a Cingapura. A área prevista para o projeto supera o equivalente a 340 campos de futebol. Uma das três áreas selecionadas fica ao lado de uma reserva natural, e outra está próxima de um aquífero, segundo moradores que contestam o empreendimento na Justiça.
Organizações ambientais e habitantes da região pedem que a construção de centros de dados seja suspensa até a realização de avaliações independentes dos impactos sociais e ambientais. Também há dúvidas sobre a quantidade de empregos que será gerada. Na aldeia de Tarluvada, a agricultora Chandala Sadamma afirma que vendeu por pouco mais de US$ 82 mil um terreno de 0,8 hectare onde cultivava mangas e castanhas de caju, sem saber que ele seria destinado ao projeto.
A preocupação com a água é reforçada por relatos de escassez local. Gubbala Ramanamma, comerciante de 57 anos, apontou a existência de um poço seco e disse não saber como a situação ficará quando o centro começar a funcionar. O ex-funcionário público E.A.S. Sarma defende que uma agência independente faça uma auditoria completa dos impactos ambientais.
O Google afirma que não usará água para resfriar os sistemas e que adotará refrigeração a ar. A empresa também se comprometeu a compensar, até 2030, 120% da água utilizada em operações que não estejam ligadas ao resfriamento. Alexander Smith, chefe de Infraestrutura e Energia do Google para a região Ásia-Pacífico, disse que o projeto representa um compromisso de várias décadas e que a empresa pretende investir em novos projetos de energia limpa.
Segundo o Google, o centro poderá movimentar US$ 688 milhões por ano na economia local e criar 4.200 empregos durante a construção. O governo do estado de Andhra Pradesh estima que o conjunto de investimentos na região gere 188 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Os números se referem a projeções, e não a empregos já criados.
O projeto se insere numa expansão mais ampla de infraestrutura para IA em Visakhapatnam. A Digital Realty, dos Estados Unidos, a Reliance Industries, da Índia, e a Brookfield investem US$ 11 bilhões em outro centro de dados, voltado ao treinamento de modelos de inteligência artificial. O governo estadual também planeja construir seis usinas nucleares, com capacidade de 1,2 gigawatt, para atender à demanda de energia prevista para a região.
A escolha de Visakhapatnam pelo Google foi celebrada pelo primeiro-ministro Narendra Modi, que busca ampliar a participação da Índia na corrida internacional por inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a escala dos investimentos aumenta a atenção sobre a disponibilidade de água e eletricidade e sobre a distribuição dos benefícios econômicos entre a população local.