Gilberto Kassab defende desempenho do PSD após perdas eleitorais
A sigla terá cinco senadores e 44 deputados federais a partir de 2027; Kassab compara os números aos eleitos em 2022 e aponta perdas de outros partidos de centro.
Resumo em 30 segundos
O PSD perdeu cadeiras no Senado e na Câmara em relação à bancada atual e deixou de governar estados importantes. Gilberto Kassab rejeitou classificar o resultado como derrota e comparou a bancada eleita com a de 2022. Ronaldo Caiado, candidato a presidente com Kassab como vice, terminou em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos.
O PSD reduziu sua bancada no Senado, perdeu cadeiras na Câmara em relação ao total atual e deixou de governar estados importantes após as eleições deste ano. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, rejeitou classificar o resultado como derrota e afirmou que o partido se manteve em tamanho semelhante ao de 2022, enquanto outras legendas de centro encolheram diante do avanço do PL.
O PSD terá cinco senadores a partir de 2027, ante os 14 que tem atualmente. Na Câmara, passará de 48 para 44 deputados federais. A comparação do partido com 2022 é diferente: naquele ano, elegeu três senadores e 46 deputados federais. Kassab argumenta que parte dos parlamentares que hoje compõem a sigla se filiou depois de já ter sido eleita.
“Todos os partidos de centro foram atingidos pelo PL”, disse Kassab. Ele citou as perdas de União Brasil, PP e MDB na Câmara: o União caiu de 59 para 46 deputados, o PP, de 47 para 41, e o MDB, de 42 para 36. O Republicanos manteve 41 cadeiras. O Podemos, por sua vez, cresceu de 12 para 27 deputados.
Na disputa presidencial, Caiado ficou em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos, atrás de Augusto Cury, do Avante, e Renan Santos, do Missão. Kassab integrou a chapa como vice. Em nota publicada no domingo, o PSD afirmou que “não eleger Caiado presidente em 2026 significa que o Brasil perdeu uma oportunidade” e liberou seus filiados para apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Kassab disse que preferia lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, à Presidência. “Eu fiquei quatro anos tentando lançar o [governador de São Paulo] Tarcísio [de Freitas, do Republicanos] como candidato”, afirmou. “O meu candidato era o Tarcísio, todo mundo sabe.” Segundo ele, a candidatura de Caiado foi definida depois que Tarcísio decidiu não concorrer, para mostrar que o PSD não era bolsonarista.
O plano presidencial havia sido apresentado em janeiro, com Caiado, Tarcísio, o governador do Paraná, Ratinho Jr., e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como nomes possíveis. Ratinho Jr. abandonou a pré-candidatura em março, após o PL anunciar apoio a Sergio Moro no Paraná. Kassab escolheu Caiado em vez de Leite, que criticou a decisão e pediu desculpas em abril por não ter parabenizado o correligionário.
A tentativa de construir uma candidatura de centro não atraiu outras siglas. PP, União Brasil, Republicanos, MDB e Podemos optaram por manter independência no primeiro turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao podcast Flow, que aconselhou Kassab a só lançar um candidato com possibilidade de obter votos. As pesquisas já indicavam desempenho fraco de Caiado.
Nos governos estaduais, o PSD disputou o comando de 12 unidades da Federação e, até o momento, venceu em quatro: Sergipe, com Fábio Mitidieri; Amapá, com Dr. Furlan, cuja eleição está sub judice; Maranhão, com Eduardo Braide; e Pernambuco, onde Raquel Lyra foi reeleita. O partido também está no segundo turno no Amazonas, com Omar Aziz, e no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, que ficou atrás de Douglas Ruas, do PL, na primeira votação. A sigla perdeu o governo de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e do Paraná.
Kassab destacou ainda os resultados para as assembleias legislativas. Segundo cálculos do PSD, foram eleitos 103 deputados estaduais e distritais do partido, com 10,3 milhões de votos válidos. A sigla ficou atrás do PL, com 212 eleitos e 22,7 milhões de votos, e do PT, com 141 e 15,5 milhões. “Não dá para dizer que o PSD é um dos grandes derrotados na eleição, sendo que ele cresceu na maior parte dos aspectos, e os outros perderam”, afirmou.
A legenda também tenta preservar espaço nos governos, apesar de ter atuado simultaneamente nas administrações de Lula e de Tarcísio. Kassab é secretário de Governo em São Paulo, mas deve ficar fora da próxima gestão estadual, segundo aliados do governador. Um secretário do PSD, Marcelo Branco, da Habitação, poderá permanecer no cargo. O partido publicou nesta segunda-feira uma nota que citou o resultado das eleições municipais de 2024, quando elegeu 891 prefeitos e governava cidades com mais de 37 milhões de habitantes.