FlyDubai explica presença de quatro pilotos em voo de emergência
Quatro pilotos estavam no voo da FlyDubai que sofreu uma emergência a caminho de Tel Aviv; dois assumiram os controles e pousaram na Arábia Saudita.
Resumo em 30 segundos
Quatro pilotos estavam no voo 1073 da FlyDubai, que fazia a rota entre Dubai e Tel Aviv quando o copiloto atacou o comandante. Dois pilotos a bordo assumiram os controles e pousaram em Tabuk, na Arábia Saudita. A presença dos profissionais extras pode estar ligada ao reposicionamento de tripulantes ou à necessidade de uma nova equipe para o retorno; as autoridades ainda apuram o caso.
O voo 1073 da FlyDubai levava quatro pilotos quando uma emergência interrompeu a viagem de Dubai a Tel Aviv. Depois que o copiloto atacou o comandante, dois pilotos que estavam a bordo assumiram o controle do Boeing 737 Max 8 e fizeram um pouso de emergência na Arábia Saudita. A aeronave transportava 174 passageiros, entre eles 166 israelenses.
A presença de quatro pilotos levantou dúvidas sobre por que havia profissionais além da tripulação operacional. Uma explicação considerada provável por especialistas é que os dois pilotos adicionais viajavam para se apresentar a serviço em outro local, prática usada pelas companhias para deslocar funcionários até o próximo voo previsto.
Nesses casos, os pilotos viajam como passageiros, mas continuam vinculados ao trabalho. Eles recebem remuneração e não podem consumir álcool durante o deslocamento; usar uniforme é opcional. O transporte de uma equipe extra não costuma ser planejado como precaução em voos curtos, porque manter mais pilotos a bordo aumenta os custos.
John Cox, capitão de linha aérea aposentado e consultor de segurança da aviação, afirmou que os pilotos adicionais provavelmente estavam sendo reposicionados para outro serviço. Segundo ele, as empresas buscam manter a quantidade necessária de profissionais no lugar e no horário certos, sem pagar por equipes excedentes.
Outra possibilidade é que a FlyDubai precisasse de uma segunda tripulação para o voo de volta a Dubai. A equipe que operou o trecho de ida poderia ter atingido o limite legal de jornada e precisaria cumprir o período obrigatório de descanso antes de voar novamente.
A duração prevista da viagem, de cerca de três horas e meia, normalmente não exigiria uma tripulação extra. Mas as alterações de rotas provocadas pelas tensões e pelos conflitos regionais têm dificultado a programação das companhias aéreas do Golfo. Desvios, esperas e atrasos também contam para o período de serviço dos pilotos, que começa quando eles se apresentam no aeroporto, e podem levar a tripulação a ultrapassar o limite diário.
A FlyDubai confirmou que a equipe de serviço pousou o avião em segurança, mas não respondeu às perguntas sobre o motivo de haver outros dois pilotos a bordo. A companhia declarou que atuava em coordenação com as autoridades responsáveis e pediu que se evitassem especulações antes da conclusão da apuração.
O voo deveria chegar ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel, às 9h10, no horário local indicado na programação, ou às 3h10 de Brasília. Cerca de duas horas após a decolagem, a aeronave começou a perder altitude rapidamente e alterou a rota. O pouso ocorreu às 9h58, ou 3h58 em Brasília, no Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz, em Tabuk, no noroeste saudita.
Dados do serviço de rastreamento Flightradar24 indicaram que o avião estava a cerca de 10 mil metros de altitude quando iniciou a descida. Informações divulgadas pela BBC apontaram uma perda de aproximadamente 5,2 mil metros em dois minutos. A aeronave também mudou de direção de forma abrupta e chegou a entrar no espaço aéreo da Jordânia antes de voltar ao território saudita.
Durante o episódio, o avião transmitiu o código 7700, que indica uma emergência geral, e depois o 7500, usado para sinalizar interferência ilegal, como uma ameaça ou tentativa de sequestro. Israel chegou a mobilizar caças, mas eles receberam ordem de recuar antes de entrar no espaço aéreo saudita. Duas fontes israelenses disseram que, no início, houve preocupação de que se tratasse de um sequestro; essa hipótese foi posteriormente descartada.
Relatos sobre a sequência dos acontecimentos ainda eram imprecisos. O caso teria começado durante um confronto entre o comandante Smit Machchhar e o copiloto. O passageiro Assaf Rajwan afirmou que algumas pessoas entraram na cabine, ajudaram a dominar o agressor e o prenderam com abraçadeiras de plástico. Segundo ele, havia dois pilotos britânicos a bordo, e um deles, chamado James, ajudou a estabilizar o avião.
Richard Levy, também capitão aposentado, elogiou a atuação da tripulação e dos passageiros. Ele destacou que o comandante ferido conseguiu destrancar a porta da cabine e emitir um sinal de emergência, e considerou notável que o avião tenha permanecido em condições de voo. Os pilotos feridos foram levados a um hospital, enquanto os passageiros receberam atendimento no terminal de Tabuk.
A causa e a motivação do episódio não estavam esclarecidas. Anwar Gargash, conselheiro diplomático da Presidência dos Emirados Árabes Unidos, classificou o caso como um “ato terrorista”. Autoridades de defesa israelenses também consideraram, entre as hipóteses, a possibilidade de uma tentativa de derrubar o avião, mas não havia confirmação pública sobre o que motivou o ataque.
Quem é quem
- FlyDubai
- Companhia aérea de baixo custo sediada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Opera voos regionais e internacionais e foi a operadora do voo 1073, que fazia a rota entre Dubai e Tel Aviv quando ocorreu a emergência.
- Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz
- Aeroporto localizado em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita. Foi o local do pouso de emergência do voo 1073 da FlyDubai e onde os passageiros receberam atendimento após a chegada.