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Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro preocupa Europa por riscos ambientais e comerciais

O senador enfrenta Lula no segundo turno em 25 de outubro; entidades e analistas europeus temem efeitos sobre a Amazônia e o acordo UE-Mercosul.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Vista aérea da floresta amazônica com um rio e uma bandeira da União Europeia em primeiro plano. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Vista aérea da floresta amazônica com um rio e uma bandeira da União Europeia em primeiro plano.
Resumo em 30 segundos

Entidades e analistas europeus avaliam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro pode afetar a cooperação ambiental, as relações comerciais e os laços políticos entre Brasil e União Europeia. As preocupações incluem a proteção da Amazônia, a continuidade do Fundo de Florestas para Sempre e a aprovação do acordo UE-Mercosul, prevista para 2027.

Entidades e analistas europeus avaliam que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira pode ampliar riscos ambientais, comerciais e geopolíticos para as relações entre o Brasil e a União Europeia. O senador disputa o segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para o dia 25, depois de terminar a primeira votação, no domingo (4), à frente do petista.

A possibilidade de um governo alinhado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é vista na Europa como um fator que poderia afastar o Brasil do bloco europeu. A avaliação também considera o histórico do governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, durante o qual as relações com países como a Alemanha foram rebaixadas, segundo diplomatas.

A política ambiental é uma das principais preocupações. A organização Plant-for-the-Planet, sediada em Berlim, afirmou que um novo governo Bolsonaro poderia enfraquecer órgãos de proteção florestal e reduzir a cooperação internacional. Entre os riscos apontados estão a rejeição a novas áreas protegidas e territórios indígenas e a criação de incentivos ao desmatamento ilegal por meio de anistias.

O desempenho brasileiro na proteção da Amazônia também pesa nas avaliações. Uma análise do site Carbon Brief estimou que, em comparação com a continuidade do governo Bolsonaro em 2022, a gestão Lula manteve 20 mil km² de floresta em pé. Especialistas alertam que a degradação da Amazônia pode aproximar o bioma de um ponto de não retorno, quando a floresta perde a capacidade de se recuperar e pode sofrer uma transformação ampla.

A manutenção do Fundo de Florestas para Sempre (TFFF), lançado pelo governo Lula antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, também é uma preocupação. O fundo ainda não alcançou apoio suficiente, e entidades temem que uma mudança de governo reduza as chances de continuidade da iniciativa.

O cenário ambiental está ligado às negociações do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Para avançar no bloco europeu, apesar da oposição de países como França, Irlanda e Polônia, a Comissão Europeia incluiu no pacto condições sobre proteção florestal, uso de pesticidas e hormônios na produção animal e salvaguardas sociais. O acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu em 2027.

Uma disputa sanitária já provocou atrito entre Brasília e Bruxelas: o bloco suspendeu a importação de carne brasileira por descumprimento de um protocolo sobre uso excessivo de antibióticos. Na avaliação europeia, um governo de Flávio poderia dificultar a solução desse impasse e tornar mais complicada a aprovação do acordo, caso adote posições negacionistas sobre mudanças climáticas. A Comissão Europeia busca ampliar alternativas comerciais diante do protecionismo dos Estados Unidos.

O debate sobre o acordo também envolve os interesses de produtores agrícolas europeus, que se opõem ao pacto e exercem influência política em seus países. As exigências ambientais e sanitárias foram incluídas para aproximar as regras de produção dos dois lados e responder a essas preocupações.

Além dos efeitos ambientais e comerciais, há apreensão sobre o Estado de direito. Um editorial do jornal britânico The Guardian, publicado antes da eleição, afirmou que uma vitória de Flávio poderia ter consequências para a democracia e o clima. A avaliação se relaciona também ao fato de Jair Bolsonaro ter sido condenado por tentativa de golpe, questão que, segundo a análise europeia, pode permanecer no centro das relações com um eventual governo do filho.

O primeiro turno surpreendeu parte da imprensa europeia, embora a disputa já fosse considerada apertada. O resultado abriu espaço para projeções sobre a relação de um possível governo Flávio com a Europa, mas o senador ainda precisa vencer Lula no segundo turno para assumir a Presidência.

Para entender

Acordo UE-Mercosul
Pacto comercial negociado entre a União Europeia e o Mercosul, bloco formado por países sul-americanos. O acordo prevê compromissos e condições relacionados, entre outros temas, à proteção ambiental, à produção agropecuária e a salvaguardas sociais.
Fundo de Florestas para Sempre
Iniciativa lançada pelo governo brasileiro antes da COP30 para financiar a conservação de florestas tropicais. O modelo prevê pagamentos ligados à manutenção das florestas em pé.

Fontes: Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, Valor Econômico

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