Flávio Bolsonaro não entrega passaportes e equipe perde contato
A Polícia Federal diz que o senador descumpriu ordem do STF para entregar os documentos e não sair do país; aliados afirmam que ele foi aos EUA.
Resumo em 30 segundos
A equipe de segurança legislativa disse que não conseguiu falar com Flávio Bolsonaro nesta terça-feira e que o deixou em casa, em Brasília, na noite anterior. A Polícia Federal afirma que o senador não entregou os passaportes nem cumpriu a proibição de deixar o país. Aliados dizem que ele seguiu para os Estados Unidos.
A equipe de segurança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou a superiores que não conseguiu falar com ele nesta terça-feira (27) e que o deixou em casa, em Brasília, na noite de segunda-feira (26). A Polícia Federal afirmou que ele descumpriu uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar os passaportes e não deixar o Brasil; aliados dizem que ele seguiu para os Estados Unidos.
Os policiais legislativos, vinculados ao Senado, relataram que Flávio não enviou a agenda do dia, informação normalmente usada para organizar a escolta. Eles tentaram contato pela manhã, sem sucesso. Todos os integrantes da equipe se apresentaram ao trabalho nesta terça e permanecem na capital federal; a escolta não passa a noite na casa do senador.
A determinação para entrega dos documentos foi dada na segunda-feira pelo ministro Alexandre de Moraes. A decisão também proibia Flávio de sair do país. Segundo a Polícia Federal, o senador não cumpriu a ordem, que estabelecia a apresentação dos passaportes à corporação nesta terça-feira.
Aliados do senador afirmaram que ele deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, mas integrantes de sua campanha disseram não saber onde ele estava e que não conseguiam falar com ele. O presidente do PL no Rio Grande do Sul, deputado federal Giovani Cherini, também declarou não conhecer a localização de Flávio. Cherini criticou a ordem judicial e questionou os motivos para a retenção dos documentos.
Em publicação nas redes sociais, Flávio disse que foi intimado a entregar os passaportes e impedido de deixar o país quando saía da casa do pai, na segunda-feira. Ele afirmou que a decisão de Moraes se baseou em uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição.
A ordem integra um processo no STF em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados. A apuração da Polícia Federal aponta suspeitas de que o senador teria recebido recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Não há condenação criminal contra Flávio nesse caso.
A escolta legislativa acompanha o senador desde 2019. Durante a campanha presidencial, ele dispensou a proteção da Polícia Federal à qual teria direito como candidato e continuou usando a equipe do Congresso. O passaporte é um documento de viagem; a entrega determinada pela Justiça, porém, integra uma medida de restrição de saída do país. O descumprimento pode levar a novas decisões judiciais, conforme a avaliação do STF.