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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Exploração de petróleo ainda movimenta pouco a economia de Oiapoque

Voos fretados e uma unidade de reabilitação de fauna marcam a fase de pesquisa, mas a Petrobras ainda não definiu uma base logística em Oiapoque.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Helicóptero perto de um aeroporto regional em Oiapoque, com uma embarcação de exploração ao longe no mar. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Helicóptero perto de um aeroporto regional em Oiapoque, com uma embarcação de exploração ao longe no mar.
Resumo em 30 segundos

A exploração de petróleo na Margem Equatorial já aparece em Oiapoque, no Amapá, com voos fretados e uma unidade de reabilitação de fauna. Mas os trabalhadores ficam principalmente no navio-sonda, e o comércio local depende mais de turistas franceses e garimpeiros. A Petrobras ainda não definiu onde instalará uma base logística.

A presença da Petrobras e a expectativa de exploração de petróleo na Margem Equatorial já alteram a rotina de Oiapoque, no extremo norte do Amapá, mas a atividade ainda tem impacto limitado na economia local. O município, próximo à área de prospecção em alto-mar, continua movimentado principalmente por turistas franceses e pessoas ligadas ao garimpo, enquanto os trabalhadores do setor petrolífero ficam concentrados no navio-sonda e passam pouco tempo na cidade.

A Petrobras reformou o aeroporto de Oiapoque para receber funcionários em voos fretados. Há pelo menos duas viagens por dia, mas os aviões podem chegar com menos de 15 passageiros e, em algumas ocasiões, retornar com apenas uma pessoa. Do aeroporto, os trabalhadores seguem de helicóptero por pouco mais de uma hora até a área de exploração. O trajeto fica a cerca de 50 quilômetros pelo rio Oiapoque e mais 175 quilômetros sobre o mar.

A cidade ainda não tem um escritório da estatal. Sua principal estrutura local é uma unidade de reabilitação de fauna, instalada para atender a uma eventual emergência ambiental durante as atividades de prospecção. A Petrobras ainda não definiu onde ficará sua base logística: a instalação de estruturas permanentes depende de haver viabilidade comercial para o petróleo encontrado em águas ultraprofundas, e o Pará também é considerado uma possibilidade.

A operação ocorre na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, faixa marítima que se estende da Venezuela às Guianas. O poço Morpho, explorado pela Petrobras, teve a descoberta de petróleo confirmada em agosto, após mais de uma década de expectativa na região. A fase atual é exploratória: a confirmação de petróleo, por si só, não significa que a produção comercial esteja garantida.

Enquanto a atividade não se converte em uma indústria instalada na cidade, o movimento comercial vem sobretudo da fronteira com a Guiana Francesa. Turistas franceses atravessam a Ponte Binacional, frequentam restaurantes e aproveitam a diferença cambial: o euro vale cerca de seis vezes o real, segundo a reportagem. Para os comerciantes, esse fluxo é mais relevante do que o de funcionários do petróleo. Garimpeiros também passam por Oiapoque, e a rede hoteleira informal atende principalmente esses dois públicos.

O custo de vida é pressionado ainda pelo transporte de mercadorias por uma única rodovia sem pavimentação, a BR-156. A expectativa em torno do petróleo também repercutiu nos aluguéis. Telma dos Santos, de 61 anos, contou que o aluguel de sua casa no centro subiu de R$ 1,1 mil para R$ 1,6 mil depois da confirmação da descoberta. Sem conseguir manter o pagamento, ela e a família foram para uma área de ocupação chamada comunidade Independência, sem abastecimento de água ou energia.

O avanço das ocupações ocorre perto do aeroporto, em meio à disputa por terrenos e à expectativa de valorização. A corretora Ivete Sarmento afirmou que a falta de documentação dos imóveis, inclusive em áreas consideradas regularizadas, dificulta negócios e afasta investidores. Também há especulação com terrenos ocupados irregularmente, comprados por pessoas que apostam em uma futura regularização. Um francês que vive em São Jorge do Oiapoque, Bernardin Boussoussa, disse ter pago 5 mil euros, cerca de R$ 30 mil, por um lote na ocupação Nova Conquista.

A Prefeitura de Oiapoque projeta ganhos com a atividade. Um estudo da Procuradoria municipal estimou que as operações de empresas de sondagem e transporte aéreo poderiam gerar R$ 60 milhões extras nos últimos seis meses da fase de pesquisas, caso os impostos fossem cobrados no município. A estimativa não inclui eventuais repasses de royalties, pagos quando há produção de petróleo. O orçamento anual da cidade é de R$ 143 milhões, dos quais cerca de R$ 52 milhões vêm de arrecadação própria.

O prefeito Inácio Maciel (PDT), empossado em maio após uma eleição suplementar, disse que a gestão planeja criar uma área de distrito industrial e organizar a expansão urbana para receber empresas. O município, porém, tem limitações territoriais: 96,3% de sua área está sujeita a restrições, como terras indígenas e unidades de preservação. A mancha urbana concentra a maior parte dos moradores, estimados entre 30 mil e 40 mil, e o plano diretor municipal é considerado desatualizado.

A expectativa de empregos também precisa ser vista à luz das exigências do setor. A mão de obra embarcada em navios-sonda e plataformas costuma demandar qualificação, e os funcionários da Petrobras e das empresas contratadas podem trabalhar longe da cidade. Por enquanto, a presença dos voos, a unidade de fauna e a movimentação imobiliária são sinais concretos da fase de pesquisa, não de uma base operacional consolidada ou de uma produção comercial em Oiapoque.

Fontes: Estadão

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