Estudantes bloqueiam escolas na França em jornada de protestos
A mobilização reúne sindicatos, coletes amarelos e agricultores, com reivindicações por salários melhores, justiça fiscal e mais recursos para serviços públicos.
Resumo em 30 segundos
Estudantes bloquearam escolas na França nesta quinta-feira, em uma jornada de greve e manifestações convocada por sindicatos. Coletes amarelos e agricultores também devem participar dos atos, que cobram melhores salários, justiça fiscal e proteção dos serviços públicos. O governo mobilizou 70 mil policiais e gendarmes diante da expectativa de grandes protestos.
Estudantes do ensino médio bloquearam escolas na França nesta quinta-feira, 5 de novembro, no início de uma jornada de greve e manifestações convocada por sindicatos para reivindicar salários melhores, mais recursos e justiça fiscal. A mobilização também deve reunir integrantes do movimento dos coletes amarelos e agricultores da Confederação Camponesa, em meio à alta do custo de vida e à disputa sobre o orçamento de 2027.
Os estudantes começaram os protestos em meados de setembro e mantiveram a mobilização apesar de mudanças anunciadas pelo governo no sistema de admissão às universidades. Eles consideram as medidas insuficientes. Em Estrasburgo, uma estudante de 15 anos disse que o movimento continua porque os jovens não são ouvidos e querem tentar mudar a situação.
Em Paris, agentes de segurança impediram bloqueios em diferentes escolas e usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou o envio de 70 mil policiais e gendarmes e prometeu uma resposta “extremamente firme” diante de possíveis distúrbios.
As autoridades esperavam entre 500 mil e 700 mil participantes fora da capital e de 40 mil a 80 mil em Paris. Os sindicatos pedem reajuste do salário mínimo, aumento dos salários em geral, maior justiça fiscal e proteção dos serviços públicos. Os coletes amarelos retomaram os protestos em outubro, com reivindicações relacionadas ao custo de vida.
A mobilização ocorre após manifestações anteriores marcadas, em alguns casos, por distúrbios e saques. Em 17 de outubro, cenas de violência e desordem ganharam repercussão internacional. Para evitar a repetição daquele cenário, o governo reforçou o policiamento e proibiu atos em centros de cidades.
A resposta às manifestações também provocou críticas. Associações de juízes e advogados, sindicatos e entidades de defesa dos direitos humanos classificaram as medidas como uma “guinada autoritária” e disseram que elas podem restringir o Estado de direito e silenciar vozes discordantes.
A onda de protestos pressiona o governo de Emmanuel Macron nos últimos meses de seu mandato, que termina em maio. A líder ecologista Marine Tondelier afirmou que a convergência entre diferentes movimentos pode dificultar a resposta do governo. Já a dirigente sindical Marylise Léon, da CFDT, comparou a mobilização às manifestações de 2023 contra a reforma que elevou de 62 para 64 anos a idade de aposentadoria.
Naquele ciclo, os atos chegaram a reunir quase 1,3 milhão de pessoas, segundo as autoridades. A tensão atual está ligada ao impacto dos preços dos combustíveis sobre o poder de compra e ao ajuste fiscal previsto pelo governo para os orçamentos de 2027.
Para entender
- Coletes amarelos
- Movimento de protesto francês que ganhou força em 2018, inicialmente em reação ao aumento dos impostos sobre combustíveis e ao custo de vida. Os participantes ficaram conhecidos pelo uso de coletes amarelos de segurança e passaram a defender diferentes reivindicações sociais e econômicas.