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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Embaixada dos EUA suspende serviços no Brasil antes das eleições

Embaixada e consulados dos EUA suspenderam os serviços nesta sexta-feira, dois dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras.

Por Felipe Rocha 2 min de leitura
Entrada fechada de uma representação diplomática dos Estados Unidos em uma rua brasileira. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Entrada fechada de uma representação diplomática dos Estados Unidos em uma rua brasileira.
Resumo em 30 segundos

A embaixada e os consulados dos Estados Unidos suspenderam os serviços no Brasil nesta sexta-feira, alegando questões de segurança, a dois dias das eleições. A Polícia Federal fez buscas por suspeita de planejamento de atos contra instalações diplomáticas, mas não encontrou até agora elementos que confirmem os riscos. O governo brasileiro evita apontar interferência americana.

A embaixada e os consulados dos Estados Unidos no Brasil suspenderam as atividades nesta sexta-feira (2), citando “questões de segurança”, sem informar quando os serviços serão retomados. A decisão ocorreu a dois dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (4). A embaixada da Austrália também anunciou a interrupção dos trabalhos, acompanhando a medida americana.

O governo brasileiro já monitorava sinais de que os postos diplomáticos americanos poderiam fechar. Apesar do contexto eleitoral e de tensões entre os dois países, autoridades brasileiras evitam classificar a decisão como interferência dos Estados Unidos no Brasil. Até o momento, dizem não haver elementos concretos para essa conclusão.

Na sexta-feira, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e nas proximidades do Distrito Federal. A investigação sigilosa apura um suposto planejamento de atos que poderiam ameaçar instalações diplomáticas dos dois países.

A Polícia Federal afirmou que a ação foi preventiva e decorreu de cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras. Segundo a corporação, até o momento não foram encontrados elementos que confirmassem os riscos apontados inicialmente, nem suspeitos ligados a organizações criminosas.

O governo australiano publicou um alerta a seus cidadãos sobre possíveis ameaças terroristas e crimes violentos no Brasil. O comunicado também recomendou que evitem áreas próximas às repartições diplomáticas americanas. Segundo informações acompanhadas pelo governo brasileiro, a Austrália não havia apontado problemas de segurança no país antes de decidir acompanhar a suspensão anunciada pelos Estados Unidos.

A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva monitora os fatores que levaram à medida americana, mas pretende evitar declarações que possam causar alarme antes da votação. No governo, há a percepção de que autoridades dos Estados Unidos já questionaram a atuação brasileira em temas de segurança e Justiça.

As divergências se intensificaram durante o tarifaço americano de 2025, quando o presidente Donald Trump criticou a condução do Judiciário no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Mais recentemente, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao Brasil para tratar de temas ligados ao processo democrático.

O episódio ocorre após outros atritos diplomáticos envolvendo o Brasil neste ano. Entre eles, houve o rebaixamento das relações com a Argentina, depois de declarações do presidente Javier Milei sobre Lula e o país. Na ocasião, o embaixador argentino retornou à Argentina.

Quem é quem

Polícia Federal
Órgão de segurança pública federal do Brasil, responsável, entre outras atribuições, por investigações criminais de competência da União. Na notícia, informou ter cumprido mandados de busca em apuração sobre possível ameaça a instalações diplomáticas.
Itamaraty
Nome pelo qual é conhecido o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, responsável pela política externa e pela representação diplomática brasileira. Na notícia, aparece em conexão com a negativa de vistos a funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

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