Elmano defende ação mais dura contra facções criminosas
Reeleito governador do Ceará no primeiro turno, ele propõe ampliar presídios, endurecer penas e integrar forças de segurança em um acordo nacional.
Resumo em 30 segundos
Após vencer a eleição para governador do Ceará, Elmano de Freitas defendeu políticas mais duras contra facções criminosas, com ampliação de presídios e penas mais severas. Ele também criticou a contestação do resultado por Ciro Gomes, comentou a disputa presidencial e apoiou a PEC da Segurança Pública e a criação de um ministério para a área.
Elmano de Freitas (PT) foi reeleito governador do Ceará no primeiro turno, derrotando Ciro Gomes (PSDB), seu principal adversário, e defendeu uma política mais dura de enfrentamento às facções criminosas. Em entrevista após a votação, ele também criticou a contestação do resultado feita por Ciro e afirmou que o estado deve ampliar a ação contra grupos que ameaçam moradores.
Elmano disse que lamenta o fato de Ciro não o ter cumprimentado pela vitória e de o adversário ter divulgado um manifesto no qual, segundo o governador, afirmou que houve roubo na eleição. Para Elmano, questionar o resultado sem apresentar uma justificativa razoável compromete a confiança no processo democrático.
O governador avaliou que a campanha teve episódios de forte atrito, mas também debates sobre propostas. Disse que reagiu quando Ciro apontou o dedo para ele e usou termos que considerou desrespeitosos. No balanço geral, classificou a disputa como realizada em um patamar aceitável.
Elmano relacionou a diferença entre os resultados de Luiz Inácio Lula da Silva no Ceará em 2022 e na eleição atual à atenção concentrada na disputa estadual, à abstenção e às filas nos locais de votação. Também considerou que os ataques de Ciro ao PT e a Camilo Santana, ex-ministro da Educação, podem ter influenciado o desempenho de Lula. O petista afirmou que espera ampliar a votação do presidente no estado em uma eventual disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro.
Ao explicar a força eleitoral do PT no Nordeste, Elmano citou a combinação entre políticas públicas, gestão e articulação política para comunicar as ações feitas em parceria com o governo federal. Como exemplo, afirmou que, pela primeira vez no Ceará, há mais trabalhadores com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família. Segundo ele, a experiência regional também mostra que a administração, por si só, não garante apoio político: é preciso apresentar as entregas à população.
A segurança pública foi um dos temas centrais da entrevista. Elmano reconheceu que a esquerda tem uma lacuna na elaboração de políticas de enfrentamento às organizações criminosas e defendeu um acordo nacional, inclusive com participação da direita. Na avaliação dele, o combate às facções deve ser tratado como um dos principais desafios do Estado brasileiro.
O governador disse que o poder público precisa ampliar a estrutura prisional e endurecer as penas para integrantes de organizações criminosas. Também afirmou que ameaças de faccionados em comunidades não devem ser tratadas como conflitos comuns e que os responsáveis precisam ser presos e permanecer na cadeia. Elmano reconheceu que governos de esquerda não resolveram o problema e disse que a direita também não conseguiu solucioná-lo.
Questionado sobre a violência no Ceará, o petista contrapôs números do Anuário de Segurança Pública de 2025 a dados do Ministério da Justiça de 2026. O anuário colocou o estado como o terceiro com mais mortes violentas e apontou três cidades cearenses entre as mais violentas. Já os números ministeriais citados por Elmano situam o Ceará em 13º lugar no índice de homicídios. Ele afirmou ainda que Fortaleza, antes a quarta capital mais violenta, passou a ocupar a 20ª ou a 23ª posição, e que nenhuma cidade cearense com mais de 100 mil habitantes aparece entre as dez mais violentas do país.
Elmano declarou que o Ceará teve a maior redução do país em roubos e homicídios, mas disse que o governo pretende concentrar esforços nas ameaças feitas por facções nos territórios. Segundo ele, chefes de grupos criminosos cearenses estão escondidos no Rio de Janeiro, onde, em sua avaliação, as forças de segurança não conseguem prendê-los.
O governador elogiou o apoio de Lula ao projeto da Lei Antifacção, aprovado por ampla maioria no Congresso, e defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Para ele, a PEC pode ajudar a integrar as forças de segurança. Elmano também apoia a criação de um Ministério da Segurança Pública, que considera importante para uma nova etapa de combate ao crime organizado.
Sobre o desempenho de Lula no primeiro turno da eleição presidencial, Elmano apontou os resultados em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro como decisivos para a vantagem de Flávio Bolsonaro. Disse que as disputas na Bahia, no Ceará e em Pernambuco foram acirradas e que, no segundo turno, o presidente poderia reduzir a diferença no Sudeste e ampliar sua vantagem no Nordeste. O governador afirmou que eventuais erros de campanha devem ser discutidos internamente e que a comparação entre os governos de Lula e Jair Bolsonaro deve orientar a disputa.
Elmano chamou de “tolice” a sugestão da ex-senadora Kátia Abreu de que a campanha deveria ter “menos Janja e mais Alckmin”. Para ele, a primeira-dama e o vice-presidente têm papéis importantes, embora a figura central da campanha deva ser Lula. Sobre a sucessão no PT, citou Camilo Santana, Alexandre Padilha, Fernando Haddad e Rui Costa como nomes com qualidades para liderar o partido e afirmou que uma liderança nacional depende de conhecer de perto as diferentes regiões do país.
Para entender
- PEC da Segurança Pública
- Proposta de emenda à Constituição que trata da organização e da integração das políticas e forças de segurança pública no país. Por alterar a Constituição, precisa ser aprovada em dois turnos por pelo menos três quintos dos votos em cada Casa do Congresso Nacional.
- Lei Antifacção
- Nome pelo qual é conhecido um projeto de lei voltado ao combate a organizações criminosas e facções. A proposta mencionada na notícia foi aprovada pelo Congresso, segundo a entrevista, e recebeu apoio do governador.