Dólar fecha em alta a R$ 5,22 com petróleo e juros globais
O dólar subiu 0,89% e fechou a R$ 5,2202, pressionado pelo avanço do petróleo e dos juros globais, enquanto investidores aguardam a eleição.
Resumo em 30 segundos
O dólar subiu 0,89% e encerrou a R$ 5,2202 nesta quinta-feira, pressionado pela alta do petróleo e dos juros globais. O Brent avançou 4,37%, para US$ 102,31, e o Ibovespa teve leve alta, impulsionado por ações de petrolíferas. Investidores também aguardam o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
O dólar fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,2202, nesta quinta-feira, em meio à elevação dos preços do petróleo e dos juros no exterior. A Bolsa brasileira teve leve avanço, com ações de petrolíferas entre os destaques, enquanto investidores aguardam o resultado do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Durante o pregão, a moeda americana oscilou entre R$ 5,1697 e R$ 5,2367. O euro comercial subiu 0,17%, a R$ 5,8692. No exterior, o dólar também avançou diante de moedas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, e o índice DXY, que mede a moeda contra uma cesta de seis divisas de economias desenvolvidas, subiu 0,58%.
A alta do petróleo aumentou as preocupações com a inflação e pressionou ativos considerados mais arriscados. O Brent, referência internacional, avançou 4,37%, para US$ 102,31 por barril. Informações sobre o envio de um terceiro porta-aviões dos Estados Unidos ao Oriente Médio contribuíram para a disparada da commodity. Operadores também apontaram como fatores de risco a ameaça americana de reduzir exportações de diesel para França e Alemanha e novas declarações do presidente Donald Trump contra o Irã.
Os rendimentos dos títulos de dívida pública também subiram. Nos Estados Unidos, os papéis de dez anos chegaram a 5,68%, nível visto pela última vez em julho de 2002, e os de 30 anos atingiram 5,61%, a maior taxa em 24 anos. No Reino Unido, os títulos de 30 anos superaram 6% pela primeira vez desde 1998.
O avanço dos juros globais e a valorização do petróleo fortaleceram o dólar, mas o real não esteve entre as moedas mais pressionadas. A proximidade do primeiro turno pode estar limitando apostas contra a moeda brasileira, diante da possibilidade de uma reação dos ativos locais após a divulgação do resultado.
A volatilidade implícita de um mês do câmbio brasileiro subiu a níveis observados pela última vez em 2022, ano da eleição anterior, segundo o analista de mercados Diego Barnuevo, da Ebury. Ele afirmou que uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno com vantagem superior a quatro ou cinco pontos sobre Jair Bolsonaro poderia pressionar moderadamente o real na semana seguinte, por reduzir as expectativas de uma consolidação fiscal mais agressiva.
Barnuevo disse que uma diferença menor do que a esperada poderia fortalecer a moeda. Nesse cenário, acrescentou, as perspectivas para o real dependeriam também de anúncios fiscais de Flávio Bolsonaro nos meses seguintes. Segundo o analista, o adiamento de decisões fiscais difíceis por qualquer candidato poderia, mais adiante, levar o mercado a cobrar essas medidas.
No mercado acionário, o Ibovespa encerrou com leve alta, impulsionado por empresas de petróleo. O índice vinha oscilando perto dos 185 mil pontos desde 2 de setembro, em um ambiente de espera pelo resultado eleitoral e por sinais sobre a política fiscal. Investidores acompanham as propostas para as contas públicas, que podem influenciar as expectativas para o câmbio e os juros no Brasil.