Documentário sobre Elizabeth Holmes estreia nos cinemas dos EUA
Filmado ao longo de três anos, “You Can See Everything” acompanha a vida da ex-fundadora da Theranos antes da prisão e ainda não tem estreia anunciada no Brasil.
Resumo em 30 segundos
“You Can See Everything”, dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 16 de outubro. O documentário acompanha Elizabeth Holmes antes e depois de sua entrada na prisão e inclui cenas da vida familiar. O filme teve avaliações iniciais altas no Rotten Tomatoes e no Letterboxd.
O documentário “You Can See Everything”, sobre a fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes, estreou nos cinemas dos Estados Unidos na sexta-feira (16). Dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, o filme acompanha a empresária antes e depois de sua entrada na prisão e ainda não tem data anunciada para chegar ao Brasil.
A produção foi filmada ao longo de três anos e mostra Holmes nas semanas anteriores ao início da pena, em maio de 2023, além de cenas de sua vida doméstica com o companheiro, Billy Evans, e os dois filhos do casal. Em vez de se limitar a recontar o escândalo da Theranos, o documentário observa como ela interpreta a própria trajetória após a condenação.
Holmes afirma no filme que nunca mentiu na vida, uma declaração que contrasta com a condenação por fraude contra investidores. O longa também conta com a participação da atriz Amanda Seyfried, que interpretou a empresária na minissérie “The Dropout”, de 2022.
A recepção inicial nos Estados Unidos foi expressiva. O documentário chegou a 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, índice que caiu para 99% após a inclusão de novas avaliações. No Letterboxd, recebeu nota 4,8 de 5 e foi apontado por publicações americanas como o longa-metragem mais bem avaliado da história da plataforma. Esses indicadores refletem avaliações registradas nos sites e podem mudar com novas resenhas e votos.
A história retratada começa em 2003, quando Holmes, então com 19 anos, deixou a Universidade de Stanford para criar a Theranos, empresa de biotecnologia. A proposta era realizar diversos exames com poucas gotas de sangue obtidas por uma picada no dedo, em lugar das coletas tradicionais com agulhas e tubos. A tecnologia, se funcionasse como anunciado, poderia tornar os testes mais acessíveis, rápidos e baratos.
A empresa atraiu investidores de destaque e reuniu em seu conselho nomes influentes da política, dos negócios e das Forças Armadas dos Estados Unidos. Entre os apoiadores estavam o magnata da mídia Rupert Murdoch e o ex-secretário de Estado Henry Kissinger. Em 2014, a Theranos foi avaliada em US$ 9 bilhões, e Holmes passou a ser celebrada como uma das mulheres mais jovens a construir uma fortuna bilionária por conta própria.
A imagem de inovação começou a ruir em 2015, quando reportagens do The Wall Street Journal revelaram problemas nos equipamentos e na confiabilidade dos exames. A empresa recorria a máquinas convencionais de laboratório para testes que, segundo sua propaganda, seriam feitos com tecnologia própria. Após processos e uma crise de credibilidade, a Theranos encerrou as atividades em 2018.
Em janeiro de 2022, um júri considerou Holmes culpada de quatro acusações de fraude contra investidores. Ela foi absolvida das acusações relacionadas a pacientes. Em novembro daquele ano, recebeu pena de 11 anos e três meses de prisão; começou a cumpri-la em maio de 2023, em uma penitenciária federal de segurança mínima no Texas.
A trajetória da empresária foi marcada pela promessa de revolucionar exames de sangue e pela diferença entre essa promessa e o funcionamento dos testes. A condenação judicial se refere à fraude contra investidores, enquanto Holmes mantém, segundo o documentário, que não agiu com intenção de cometer fraude. O filme acrescenta a esse histórico a rotina familiar e a perspectiva da própria protagonista, sem apagar o desfecho judicial do caso.