Deputados da Albânia trocam empurrões no Parlamento durante protestos
Os protestos na Albânia cobram mais recursos para a educação e a renúncia de Edi Rama; uma mobilização nacional está prevista para sábado.
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Deputados do governo e da oposição trocaram empurrões no Parlamento albanês, em Tirana, durante uma sessão marcada por protestos estudantis. A oposição pediu a suspensão dos trabalhos e acusou o governo de reprimir manifestantes. Os estudantes reivindicam mais recursos para a educação e a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.
Deputados da oposição e do governo da Albânia trocaram empurrões nesta quinta-feira no Parlamento, em Tirana, durante uma sessão marcada por protestos estudantis contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama. Do lado de fora, várias centenas de manifestantes se reuniram diante do prédio, sem registro de incidentes durante a concentração.
A oposição pediu a suspensão da sessão e acusou o governo de reprimir os manifestantes. Parlamentares oposicionistas exibiram imagens de um manifestante que, segundo eles, foi ferido pela polícia, e jogaram água e documentos na direção da presidência do Parlamento. A ação desencadeou empurrões e confrontos com deputados governistas.
O líder do Partido Democrático, Sali Berisha, afirmou em comunicado que os deputados oposicionistas decidiram representar as reivindicações dos estudantes e declarou que o Parlamento não tem legitimidade para continuar funcionando. O deputado socialista Pirro Vengu, do partido de Rama, acusou a oposição de tentar aproveitar os distúrbios para voltar ao poder.
Os protestos se intensificaram na capital ao longo de mais de uma semana, mas as mobilizações contra o governo começaram em maio. Os estudantes pedem mais recursos para a educação e também retomam uma reivindicação que vem sendo feita há meses: a renúncia de Rama. O movimento mantém distância dos partidos políticos e, em cartazes, acusa tanto o primeiro-ministro quanto Berisha de corrupção.
Os confrontos entre manifestantes e policiais e os ataques a prédios governamentais deixaram mais de 300 feridos, incluindo muitos agentes, e dezenas de pessoas detidas. Na noite de quarta-feira, houve episódios isolados e de menor gravidade nas ruas de Tirana. A mobilização nacional convocada pelos estudantes está prevista para sábado.
A onda de protestos começou em meio à contestação de um projeto turístico ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Rama, que governa a Albânia desde 2013, classificou na terça-feira os protestos violentos como resultado de uma “guerra híbrida”. Antes disso, acusou Rússia e Irã de espalhar informações falsas na internet sobre as manifestações.
Os confrontos no Parlamento ocorrem em um contexto de tensão política recorrente: episódios semelhantes já foram registrados em outras ocasiões, incluindo pelo menos dois em que sinalizadores foram acesos no plenário. A crise combina a pauta estudantil por investimentos na educação com disputas entre governo e oposição sobre a resposta policial e a legitimidade das instituições.