Protestos em Tirana levam manifestantes a incendiar Ministério da Educação
Confrontos chegaram ao segundo dia, com reivindicações estudantis por melhores universidades e pela renúncia do premiê Edi Rama; 16 pessoas foram presas.
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Manifestantes incendiaram o Ministério da Educação da Albânia durante protestos em Tirana, nesta quarta-feira, 14 de outubro. Os atos, no segundo dia de confrontos, cobram melhores condições nas universidades e a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Na terça-feira, 16 pessoas foram presas e 19 receberam atendimento médico, segundo o Ministério da Saúde.
O Ministério da Educação da Albânia foi incendiado na madrugada desta quarta-feira, 14 de outubro, durante protestos estudantis em Tirana, capital do país. Manifestantes invadiram o prédio e atearam fogo no interior; os bombeiros apagaram as chamas, segundo relatos sobre o episódio. Os confrontos com a polícia de choque ocorreram pelo segundo dia consecutivo.
Os atos reúnem reivindicações por melhores condições nas universidades e pela renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Estudantes também protestam contra o custo das mensalidades e a falta de apoio aos jovens. As manifestações fazem parte de uma onda de protestos antigovernamentais iniciada há mais de quatro meses.
Durante várias horas, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão. Manifestantes lançaram pedras e coquetéis molotov, incendiaram lixeiras e montaram barricadas com grades de rua. Também houve ataques a prédios públicos e estabelecimentos comerciais. Na noite anterior, pessoas invadiram a prefeitura e atearam fogo no interior, segundo a polícia.
Na terça-feira, 13, seis policiais, oito manifestantes, três jornalistas e duas pessoas que passavam pelos locais receberam atendimento médico, de acordo com o Ministério da Saúde. Dezesseis pessoas foram presas. A União Europeia manifestou preocupação com a escalada da violência e pediu que os envolvidos reduzam a tensão. A delegação do bloco em Tirana também mencionou denúncias de uso excessivo da força contra manifestantes e jornalistas e defendeu uma investigação.
Além das pautas estudantis, os protestos se relacionam a um projeto de hotel de luxo em uma reserva natural costeira no sul da Albânia. Desde o fim de maio, manifestantes contestam a proposta, ligada a Ivanka Trump, filha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a Jared Kushner, marido dela. O empreendimento provocou críticas sobre suposta corrupção e falta de transparência do governo.
A Albânia busca ingressar na União Europeia e espera concluir as negociações de adesão em 2027. A manifestação ocorre em meio à pressão sobre o governo de Rama, mas as reivindicações dos estudantes incluem questões próprias das universidades, além dos protestos contra o projeto turístico e a gestão do país.