Democratas usam acusações de enriquecimento de Trump na campanha
As eleições de meio de mandato nos EUA serão em 3 de novembro; pesquisas indicam que 59% dos adultos veem enriquecimento antiético de Trump.
Resumo em 30 segundos
Candidatos democratas associam o custo de vida às acusações de enriquecimento e corrupção envolvendo Donald Trump e seu governo. Pesquisas citadas na campanha apontam preocupação significativa com a ética presidencial, inclusive entre eleitores latinos. A votação de meio de mandato está marcada para 3 de novembro e renovará cargos no Congresso, além de postos estaduais e locais.
A 14 dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, candidatos democratas têm destacado acusações de enriquecimento e corrupção envolvendo o presidente Donald Trump e seu governo. Pesquisas citadas na campanha mostram que parte expressiva dos eleitores vê problemas éticos na atuação do presidente, tema que os democratas associam ao custo de vida.
Uma pesquisa da AP-Norc aponta que 59% dos adultos americanos acreditam que Trump está enriquecendo de forma antiética enquanto ocupa a Presidência. Outros 18% dizem que ele não está fazendo nada errado. Em outro levantamento, da Universidade de Massachusetts Amherst, 75% dos entrevistados afirmaram haver muita corrupção no governo.
O Partido Democrata vinha concentrando sua oposição no aumento do custo de vida e na guerra com o Irã, mas passou a relacionar os preços altos aos negócios da família presidencial. Em 8 de outubro, o líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que integrantes do que chamou de “cartel de Trump” estariam mais preocupados em enriquecer a si mesmos, parentes, amigos e doadores do que em tornar a vida mais acessível.
A mensagem também aparece entre eleitores latinos, que somam aproximadamente 39 milhões e podem ter peso importante na eleição. Pesquisa da NBC-Telemundo indica que a corrupção no governo é a segunda principal preocupação dos hispânicos, atrás do custo de vida. A pesquisadora democrata Ayleen Cardona Arroyo, que coordenou o levantamento com um colega republicano, disse que muitos associam os negócios da família Trump às próprias dificuldades econômicas.
“Se a situação econômica estivesse boa e o custo de vida não fosse tão alto, talvez não houvesse tanta preocupação com a corrupção”, afirmou Cardona Arroyo. “Mas a corrupção é um problema porque as pessoas estão passando por uma situação econômica muito difícil.”
Dados fiscais citados na campanha indicam que Trump teve renda de US$ 2,2 bilhões em 2025, primeiro ano de seu segundo mandato, ante US$ 622 milhões em 2024. A revista Forbes estimou que seu patrimônio líquido passou de US$ 3,9 bilhões em 2024 para US$ 7 bilhões em 2026. Trump negou irregularidades e disse que lucrou com a valorização do mercado de ações.
Entre as atividades e benefícios associados ao presidente e à família estão negócios com criptomoedas, incluindo a venda de uma parte da empresa World Liberty Financial a um fundo dos Emirados Árabes Unidos. Também está em questão um avião presidencial avaliado em US$ 400 milhões, oferecido pelo Catar. Ainda não está definido se a aeronave será propriedade do governo ou ficará ligada à biblioteca presidencial de Trump.
As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial e renovam cargos no Congresso, além de disputas estaduais e locais. A votação deste ano está marcada para 3 de novembro. Os levantamentos mencionados mostram vantagem democrata, apesar de os republicanos terem mais recursos para as campanhas; o tema do enriquecimento presidencial pode influenciar a disputa.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- Nos Estados Unidos, são eleições realizadas no meio do mandato presidencial. Os eleitores escolhem representantes para o Congresso e também votam em disputas estaduais e locais. O resultado pode alterar o equilíbrio de poder entre o presidente e os partidos no Legislativo.