USP e Cebrap não estimam público de ato de Lula na Paulista
A campanha do presidente não autorizou drones independentes; a estimativa de um milhão de pessoas foi divulgada pelos organizadores do ato.
Resumo em 30 segundos
O Monitor do Debate Político no Meio Digital, ligado à USP e ao Cebrap, e a More in Common Brasil não divulgaram estimativa independente do público do ato pró-Lula na avenida Paulista. As entidades disseram não ter autorização para usar drones. A campanha estimou um milhão de participantes, mas não havia contagem de órgãos oficiais.
O Monitor do Debate Político no Meio Digital, ligado à Universidade de São Paulo (USP) e ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e a organização More in Common Brasil não divulgaram neste domingo (11) uma estimativa independente de público do ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na avenida Paulista, em São Paulo. As entidades disseram que a campanha de Lula não autorizou o uso de drones para registrar a manifestação do alto.
Sem imagens aéreas próprias, os grupos afirmaram que não poderiam aplicar seu método de contagem, que depende de fotografias feitas durante o evento. A estimativa divulgada pela campanha petista foi de um milhão de participantes. Os apoiadores ocuparam entre sete e oito quarteirões da avenida, mas não havia números de órgãos oficiais.
Em nota, as entidades disseram respeitar os protocolos de segurança do presidente, mas observaram que imagens aéreas do ato foram produzidas e divulgadas por perfis alinhados à campanha e por veículos de imprensa. Para os grupos, a recusa à equipe independente deixou de ser uma questão técnica e passou a ser uma escolha.
As organizações afirmaram que também não receberam autorização para acompanhar o lançamento da candidatura, em 16 de agosto, nem o ato de 3 de outubro, ambos em São Paulo. Em 2022, segundo elas, tiveram permissão para sobrevoar um comício no Vale do Anhangabaú e publicaram a estimativa de público. Os grupos dizem aplicar o mesmo procedimento a manifestações de diferentes posições políticas e disponibilizar as imagens para recontagens independentes.
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) mantém regras para impedir a operação de drones sem autorização, segundo a nota. As entidades afirmaram que mais de 135 mil equipamentos foram neutralizados entre 2023 e 2026, a maioria por sistemas instalados no Palácio do Planalto e nas residências oficiais. Esses sistemas podem assumir o controle de um drone por interferência de radiofrequência; equipes que voam sem liberação correm risco de ter o equipamento recolhido e o credenciamento cancelado.
O ato foi organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e por centros acadêmicos, com adesão de movimentos de esquerda. Lula participou ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, de Fernando Haddad e de outras lideranças. A presença do presidente foi confirmada na véspera, e mudanças na segurança levaram ao encerramento oficial do evento às 13h45, antes do horário inicialmente previsto, segundo a assessoria da UNE.
A manifestação começou nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp). O plano era seguir pela Paulista até a Praça Roosevelt, mas o trio elétrico com Lula não deixou a área em frente ao museu. Mesmo após o fim oficial, manifestantes continuaram pela avenida em direção ao centro.
Para entender
- Monitor do Debate Político no Meio Digital
- Grupo de pesquisa ligado à Universidade de São Paulo e ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Produz estimativas de público em manifestações com base em imagens aéreas e divulga registros para permitir recontagens independentes.