Câncer de pulmão em não fumantes pode ocorrer e tem tratamento
O diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão XIV chama atenção para fatores de risco além do cigarro e para as opções de tratamento.
Resumo em 30 segundos
O câncer de pulmão também pode atingir pessoas que nunca fumaram, embora o tabaco continue sendo um dos principais fatores de risco. Poluição, fumo passivo, radônio, amianto e fatores genéticos podem contribuir. A chance de cura e as opções de tratamento dependem do tipo e do estágio da doença; tumores localizados podem ser operados.
O papa Leão XIV foi diagnosticado com câncer de pulmão em 13 de outubro e passou por uma cirurgia para retirar um lobo do pulmão em Roma. A descoberta da doença no pontífice, que não fuma, voltou a chamar atenção para os casos de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram e para os fatores de risco além do tabaco.
O tumor foi encontrado durante um exame médico de rotina, e a cirurgia foi realizada na terça-feira, 13 de outubro. Os médicos fazem exames para avaliar se o papa precisará de outros tratamentos e quais seriam indicados. A possibilidade de operar como tratamento principal costuma apontar para uma doença localizada e detectada cedo, mas só a avaliação clínica pode determinar o estágio e o prognóstico.
O câncer de pulmão não é exclusivo de fumantes. O tabagismo segue como um dos principais fatores de risco, mas a doença também pode estar relacionada ao fumo passivo, à poluição do ar, ao radônio, ao amianto e a substâncias cancerígenas presentes em alguns ambientes de trabalho. Histórico familiar e fatores genéticos também podem ter influência em certos pacientes.
A proporção de pessoas que nunca fumaram entre os diagnosticados é relevante: cerca de 20% das mulheres com câncer de pulmão nunca fumaram, percentual superior ao observado entre os homens com a doença. Isso não significa que o câncer de pulmão seja mais comum em não fumantes do que em fumantes; indica que há casos entre quem nunca teve o hábito e que a ausência de tabagismo não elimina o risco.
O perfil dos pacientes também vem mudando. Nos últimos 15 anos, aumentaram os diagnósticos entre mulheres, pessoas que nunca fumaram e jovens. Nos Estados Unidos, as taxas de câncer de pulmão entre mulheres cresceram 79% em 44 anos, enquanto caíram 43% entre homens, segundo a American Lung Association. Pela primeira vez, há mais mulheres jovens do que homens jovens diagnosticados com a doença.
Parte desse cenário pode estar ligada à evolução dos hábitos de tabagismo. Muitas mulheres começaram a fumar mais tarde que os homens, o que pode ter adiado o período de maior incidência de câncer relacionado ao cigarro. A disseminação dos cigarros com filtro também foi associada a mais casos de adenocarcinoma, um tipo de câncer que tende a se desenvolver nas regiões mais externas dos pulmões.
Alguns estudos apontam que mulheres podem ser mais suscetíveis aos efeitos cancerígenos do tabaco e da fumaça de cigarro, inclusive a exposição passiva. Pesquisas também investigam o papel de características genéticas. Ainda não foram identificadas mutações específicas que permitam prever de forma geral quais pessoas desenvolverão câncer de pulmão, embora estudos de famílias com muitos casos possam ajudar a localizar fatores de predisposição.
A pergunta sobre cura depende principalmente do estágio, do tipo de tumor e das características biológicas do câncer. Quando a doença é localizada e pode ser removida por cirurgia, há possibilidade de cura, tanto para fumantes quanto para não fumantes. Em outros casos, tratamentos podem combinar cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias direcionadas a alterações moleculares ou imunoterapia, conforme a avaliação médica.
O adenocarcinoma, identificado no caso do papa, é um dos tipos de câncer de pulmão. A análise do tumor pode incluir testes genéticos, que procuram alterações capazes de orientar o tratamento. Entre as mutações para as quais existem medicamentos direcionados estão as associadas aos genes EGFR, ALK, RET e ROS1. Nem todos os tumores apresentam alterações tratáveis com esses remédios, e os resultados dos exames ajudam a definir as opções.
A imunoterapia atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas. Terapias direcionadas, por sua vez, buscam interferir em alterações específicas que favorecem o crescimento do tumor. O desenvolvimento desses tratamentos ampliou as opções disponíveis, mas o benefício depende do tipo e do estágio da doença e das características do paciente.
O rastreamento é feito com tomografia computadorizada de baixa dose, exame que usa uma quantidade reduzida de radiação para procurar alterações nos pulmões antes do surgimento de sintomas. Nos Estados Unidos, as diretrizes recomendam o exame anual para pessoas de 50 a 80 anos com histórico de pelo menos 20 anos-maço de tabagismo, que fumam atualmente ou deixaram de fumar nos últimos 15 anos. Um ano-maço equivale, por exemplo, a fumar um maço por dia durante um ano.
As diretrizes atuais não incluem, de modo geral, pessoas que nunca fumaram, mesmo que tenham outros fatores de risco. Por isso, tumores nesse grupo podem ser encontrados por acaso, em exames feitos por outras razões. Tosse persistente, falta de ar, cansaço intenso e dor nas costas, no peito ou no ombro podem estar associados à doença, mas também aparecem em outras condições. A avaliação médica é importante quando os sintomas persistem ou preocupam.
Para entender
- Adenocarcinoma
- É um tipo de câncer de pulmão que se desenvolve em células glandulares. Pode surgir nas regiões mais externas do órgão e é um dos tipos encontrados em pessoas que nunca fumaram.
- Tomografia de baixa dose
- Exame de imagem que usa uma quantidade reduzida de radiação para procurar alterações nos pulmões. Nos Estados Unidos, é recomendado como rastreamento anual para certos adultos com histórico de tabagismo.