BTG mantém Petrobras como ação preferida entre petroleiras
Relatório estima rendimento de fluxo de caixa livre de até 16% para a estatal em 2027 e vê potencial de dividendos também para a Prio.
Resumo em 30 segundos
O BTG Pactual manteve a Petrobras como sua ação preferida entre as empresas brasileiras de petróleo e gás. Para 2027, estima rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista de 13% a 16% para a estatal e de 23% a 27% para a Prio. O banco também avaliou perspectivas para Brava, PetroReconcavo, Ultrapar e Vibra.
O BTG Pactual revisou as perspectivas para empresas brasileiras de petróleo e gás após a queda da Bolsa no pós-eleição e manteve a Petrobras como sua ação preferida no setor. Em relatório, o banco avaliou que a desvalorização do real pode favorecer o lucro operacional e o fluxo de caixa de diferentes companhias, embora os efeitos dependam do perfil de cada negócio e do preço de suas ações.
Para a Petrobras, o BTG calcula que o rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista pode chegar a 13% a 16% em 2027, com média de 10% a 11%. A estimativa considera o petróleo Brent entre US$ 70 e US$ 80 por barril e uma diferença de US$ 30 a US$ 35 por barril entre o preço do petróleo e o dos combustíveis refinados.
O banco cita como pontos de atenção no curto prazo o papel da estatal na reestruturação da Braskem, uma possível compra da refinaria Mataripe e a política de preços dos combustíveis. Também considera que o plano estratégico para 2027 a 2031, previsto para 23 de novembro, será um evento relevante para avaliar investimentos e alocação de capital. Parte do mercado espera que a Petrobras revise para cima sua projeção de produção para os próximos cinco anos.
A produção de petróleo da empresa ficou em cerca de 2,9 milhões de barris por dia em setembro, acima da faixa de 2,5 milhões a 2,6 milhões projetada para 2026 e 2027. O BTG avalia que o desempenho do refino pode continuar forte, especialmente se o governo mantiver o apoio por meio de subsídio ao diesel. Na visão do banco, a estratégia de médio e longo prazo da estatal não deve sofrer uma mudança abrupta.
Entre as empresas menores do setor, a Prio aparece com potencial para ampliar a distribuição de dividendos. O BTG estima rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista de 23% a 27% em 2027, com média de 16% a 20%, usando as mesmas premissas para o Brent. A menor visibilidade sobre novas aquisições pode, segundo o banco, dar mais espaço à devolução de capital aos acionistas.
Para a Brava, o relatório aponta perspectivas de crescimento e melhora operacional. Uma campanha offshore — realizada no mar, longe da costa — poderia elevar a produção de cerca de 80 mil a 85 mil barris de óleo equivalente por dia para 90 mil a 100 mil. O BTG estima rendimento de fluxo de caixa livre de 20% a 34% em 2027, mas afirma que a incerteza sobre a estratégia após a Ecopetrol assumir o controle ainda reduz o interesse dos investidores.
A PetroReconcavo também pode se beneficiar do câmbio, pois recebe receitas em dólar e tem de 60% a 80% das despesas operacionais em reais. Ainda assim, o BTG considera fraco o desempenho operacional deste ano: a produção de setembro foi de aproximadamente 23,5 mil barris de óleo equivalente por dia, ante média de 26,5 mil em 2025. Com produção estável, o banco projeta rendimento do fluxo de caixa livre de 5% a 12% em 2027 e dividend yield de 4% a 10%.
No segmento de distribuição, Ultrapar e Vibra podem manter resultados robustos e se beneficiaram da queda das ações, segundo o BTG. O banco prevê margens de lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização entre R$ 350 e R$ 380 por metro cúbico no terceiro trimestre de 2026. Para a Vibra, porém, o debate sobre a marca BR pode gerar notícias negativas: a empresa precisa apresentar à Petrobras um plano para deixar de usar a bandeira.
Para entender
- Fluxo de caixa livre ao acionista
- É o dinheiro que uma empresa gera após pagar despesas operacionais e investimentos necessários, disponível para remunerar acionistas ou reduzir dívidas. O rendimento compara esse valor com o preço da ação; as estimativas dependem das premissas adotadas e não garantem retornos futuros.