Binance retoma saques após ataque hacker que roubou US$ 6,3 bilhões
Na retomada, usuários retiraram cerca de US$ 4,65 bilhões e depositaram US$ 1,01 bilhão; a maior parte das operações ocorreu em nove horas e meia.
Resumo em 30 segundos
A Binance voltou a liberar saques três dias após suspendê-los por causa de um ataque que levou ao roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora informou que usuários retiraram US$ 4,65 bilhões e depositaram US$ 1,01 bilhão após a reabertura. A empresa diz que cobrirá as perdas e ainda testa a segurança de alguns serviços.
A Binance voltou a liberar saques nesta segunda-feira, 2 de novembro, três dias depois de suspender as retiradas após um ataque hacker que levou ao roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora informou que, na retomada, usuários retiraram cerca de US$ 4,65 bilhões e depositaram US$ 1,01 bilhão em ativos. A maior parte dessas operações ocorreu nas primeiras nove horas e meia após a reabertura.
No domingo, 1º de novembro, a plataforma registrou saídas de US$ 5 bilhões, com saldo líquido de US$ 4,9 bilhões, segundo a empresa. O volume equivaleu a quase 3% dos ativos administrados pela Binance. A diferença entre o valor bruto retirado e o saldo líquido considera também as entradas de recursos na plataforma.
A corretora afirmou que vai cobrir todas as perdas causadas pelo ataque e que já reservou recursos para repor 95% dos fundos roubados. A empresa disse que trabalha para obter os 5% restantes no mercado. Em comunicado nas redes sociais, também informou que continua testando a segurança das redes e dos ativos cujas operações ainda não foram restabelecidas.
A Binance declarou que as condições do mercado permaneciam estáveis e que divulgará as próximas etapas da retomada. A suspensão temporária de saques é uma medida que pode ser adotada por uma plataforma para conter movimentações enquanto verifica a segurança dos sistemas e dos ativos. A empresa não detalhou, na informação divulgada, um cronograma completo para a normalização de todos os serviços.
Analistas de segurança cibernética e o Federal Bureau of Investigation (FBI), a polícia federal dos Estados Unidos, atribuíram o ataque à Coreia do Norte. A empresa de análise de criptoativos Chainalysis também apontou que os invasores podem ter usado ferramentas de inteligência artificial para acelerar a operação. Segundo a companhia, milhares de transações foram processadas em um intervalo curto.
A Coreia do Norte é apontada há anos como responsável por ataques a empresas do setor. No ano passado, o grupo TraderTraitor foi associado ao roubo de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, em uma ação que explorou vulnerabilidades nos sistemas para retirar ativos digitais.
Changpeng Zhao, cofundador da Binance, agradeceu aos usuários pela confiança em publicação na rede social X. Ele afirmou que a credibilidade de uma empresa é demonstrada sobretudo em momentos de crise.