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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Banabuiú vende água mineral com escolta após ameaças a comerciantes

A Cagece recolhe os garrafões nos fornecedores e os transporta até o município, onde moradores formaram filas para comprar água após a suspensão do comércio.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Garrafões de água são descarregados de um caminhão enquanto moradores aguardam e uma viatura acompanha a distribuição. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Garrafões de água são descarregados de um caminhão enquanto moradores aguardam e uma viatura acompanha a distribuição.
Resumo em 30 segundos

Comerciantes de Banabuiú suspenderam a venda de água mineral após ameaças e cobranças atribuídas ao Comando Vermelho. A comercialização passou a ocorrer com escolta policial, em uma operação da Secretaria da Segurança Pública do Ceará e da Cagece. Três homens foram presos e tiveram a prisão preventiva decretada; as defesas contestam as acusações.

A venda de água mineral em Banabuiú, no sertão do Ceará, passou a ser feita com escolta policial depois que comerciantes suspenderam as atividades por medo de ameaças atribuídas ao Comando Vermelho (CV). A operação de transporte e comercialização começou na sexta-feira (31), com participação da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará e da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

De acordo com a Secretaria da Segurança, a Cagece recolhe os garrafões nos fornecedores e leva a carga até o município, onde o produto é vendido. Nos últimos dias, moradores formaram filas com recipientes para comprar água. A interrupção do comércio ocorreu após mensagens intimidatórias e cobranças dirigidas a comerciantes.

Em 19 de outubro, foi divulgado um comunicado chamado “Edital Banabuiú”, assinado pela “Diretoria Banabuiú”. O texto dizia que a venda e a distribuição de água dependeriam de autorização da facção e ameaçava com consequências quem não obedecesse. Também proibia a comercialização de uma marca específica, sob risco de perda dos garrafões e fechamento dos estabelecimentos.

Registros policiais apontam que, nos dias 20 e 21 de outubro, comerciantes receberam ameaças e exigências de dinheiro por aplicativo de mensagens. Uma das cobranças pedia R$ 200 para permitir que um estabelecimento funcionasse, com ameaça de fechamento caso o valor não fosse pago. Na audiência de custódia dos suspeitos presos, o juiz também mencionou relatos de cobranças semanais de cerca de R$ 750 no setor de distribuição de água.

Três homens foram presos em flagrante em 22 de outubro, suspeitos de ameaça e extorsão contra comerciantes. A Secretaria da Segurança informou que as prisões ocorreram em uma operação integrada, após investigação da Polícia Civil e análise de informações de inteligência. Os presos são Carlos Fernando da Silva Andrade, Francisco das Chagas de Lima da Silva e Cícero Kevin Gomes Farias.

A investigação atribui funções diferentes aos três na estrutura criminosa. Cícero Kevin é apontado como responsável por empréstimos informais e cobranças coercitivas de dívidas; Francisco das Chagas, conhecido como Chico Motos, também é investigado por atuação em empréstimos e cobrança. Carlos Fernando é apontado como responsável por receber valores arrecadados para a organização.

A polícia afirma que o suspeito de comandar a ação foi identificado e está no Rio de Janeiro. A Polícia Civil do Ceará trabalha em conjunto com a Polícia Civil fluminense. Segundo o juiz, outros seis investigados, entre eles a suposta liderança local, não foram encontrados durante a operação.

Na audiência de custódia, as defesas contestaram as prisões, alegando que não havia flagrante, que a entrada dos policiais nas casas foi ilegal e que faltavam indícios individualizados contra os suspeitos. O juiz rejeitou os argumentos e decretou a prisão preventiva dos três, medida que mantém os investigados presos enquanto o processo segue, sem fixar uma data automática para soltura.

O magistrado afirmou que os autos indicam, em tese, uma estrutura com divisão de tarefas para impor controle econômico e social no município. Ele também citou relatos de que policiais militares temiam ser identificados na investigação por receio de represálias contra eles e familiares. A suspensão do abastecimento também afetou uma escola pública municipal: as aulas foram interrompidas em 21 de outubro por falta de água.

Wallace Holanda, advogado de Cícero Kevin e Francisco das Chagas, declarou que as acusações não correspondem à verdade e que não há indícios mínimos de autoria. Disse ainda que a defesa vai examinar as circunstâncias das prisões e a legalidade dos procedimentos, e poderá tomar medidas nas instâncias competentes. A defesa de Carlos Fernando informou que responderia depois, mas não enviou posicionamento até a publicação da notícia.

A Secretaria da Segurança afirma que equipes de Policiamento Ostensivo Geral, Força Tática e Motopatrulhamento atuam diariamente em Banabuiú e que o policiamento foi reforçado. O caso ocorre em meio a relatos de tentativas de controle de atividades comerciais atribuídas ao CV no município, incluindo cobranças e restrições à atuação de empresas.

Para entender

Cagece
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará é uma empresa estadual que atua na prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. No caso de Banabuiú, a companhia participa do transporte de garrafões de água mineral até o município.

Fontes: Folha de S.Paulo

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