Augusto Cury é cortejado por direita e esquerda para o segundo turno
O candidato do Avante diz que ainda não escolheu quem apoiaria; após chegar a 8% no Datafolha, recuou para cerca de 4% nas pesquisas.
Resumo em 30 segundos
Augusto Cury afirma que representantes da direita e da esquerda o procuram como possível aliado em um segundo turno, mas não declarou apoio a nenhum dos lados. O candidato do Avante, que chegou a 8% no Datafolha de setembro, recuou para cerca de 4% e aparece próximo de Ronaldo Caiado e Renan Santos nas pesquisas.
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) chega à reta final da campanha como um nome cortejado por adversários para um eventual segundo turno. O escritor afirmou nesta semana que tem sido procurado por representantes tanto da direita quanto da esquerda, enquanto a disputa se concentra entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A eleição presidencial está marcada para este ano; o segundo turno, se necessário, ocorre entre os dois candidatos mais votados.
Cury ocupa a terceira posição nas pesquisas, mas perdeu força. Depois de alcançar 8% em levantamento Datafolha de 3 de setembro, recuou para cerca de 4%, faixa próxima à de Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 3%. Os três aparecem empatados dentro da margem de erro; Romeu Zema (Novo) tem 1%. A pesquisa mais recente mencionada coloca Lula e Flávio na liderança, sem informar neste levantamento os percentuais de cada um.
O desempenho nas pesquisas e a posição do Avante ajudam a explicar o interesse dos dois campos. A legenda tem cinco deputados federais e um senador e não se define como antipetista; entre seus parlamentares há integrantes da base do governo e bolsonaristas. Isso permite que Cury seja visto como um possível aliado por grupos distintos, embora ele não tenha anunciado apoio a nenhum deles para um eventual segundo turno.
O candidato disse que o cancelamento do debate da TV Globo, previsto para quinta-feira, 1º de outubro, tirou sua última oportunidade de apresentar propostas a uma parcela ampla do eleitorado. Na campanha, ele busca se colocar entre os dois polos da disputa e costuma resumir essa posição com a frase: “Minha mente é capitalista, meu coração é social”. O grupo de WhatsApp da campanha foi batizado de “Liga dos Pacificadores”.
Aos 68 anos, Cury disputa uma eleição pela primeira vez. Ele se apresenta como empresário, produtor rural e psiquiatra e declarou patrimônio superior a R$ 242 milhões, o maior entre os presidenciáveis. Também é conhecido como autor de livros de autoajuda e desenvolvimento pessoal; afirma que suas mais de 70 obras foram publicadas em 90 países e venderam mais de 45 milhões de exemplares.
Entre as propostas apresentadas estão o uso de telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS), a redução do número de ministérios e a suspensão de novas contratações de servidores. Cury defende que inteligência artificial e digitalização reduzam a necessidade de mão de obra no Estado, além de ampliar políticas de empreendedorismo. Para a segurança das mulheres, sugeriu aplicativos com geolocalização e botão de pânico e o emprego de drones. Também propôs parcerias com instituições religiosas no atendimento a pessoas em situação de rua e ações de divulgação do Brasil por influenciadores ligados a embaixadas.