Augusto Cury cai nas pesquisas eleitorais após alta de setembro
Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, caiu de 10% para 4% nas pesquisas após um breve avanço no início de setembro.
Resumo em 30 segundos
Augusto Cury caiu de 10% para 4% nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência após ganhar visibilidade com debates, entrevistas e redes sociais. A campanha atribui a perda de espaço à crise no STF, que deslocou o foco da disputa. O candidato também enfrentou questionamentos sobre sua trajetória na USP e a declaração de bens.
O escritor e candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, perdeu espaço nas pesquisas depois de alcançar até 10% das intenções de voto no início de setembro. Nos levantamentos mais recentes da Quaest e do Datafolha, divulgados na quarta-feira (28) e no dia seguinte, ele aparece com 4%, em empate técnico com outros nomes da chamada terceira via, segundo o cenário descrito nas pesquisas citadas nas matérias de origem.
Cury, de 67 anos, é médico psiquiatra, escritor e empresário. A disputa presidencial deste ano é sua primeira experiência eleitoral: ele nunca ocupou cargo público nem exerceu mandato. A campanha chegou a setembro com expectativa modesta, segundo o marqueteiro Sérgio Lima, que afirmou que a meta inicial era fazer o candidato “pontuar”.
A candidatura ganhou exposição com debates, entrevistas e maior presença nas redes sociais. No debate da Band, em 23 de agosto, sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Cury se colocou como defensor do diálogo e criticou o que chamou de agressividade do candidato Renan Santos, do Missão. Também apresentou propostas sobre educação e saúde mental.
Seis dias depois, Cury participou de uma sabatina da TV Globo exibida após o Jornal Nacional. Ideias como o uso de influenciadores na diplomacia e de drones em ações de segurança pública, inclusive no combate ao feminicídio, tiveram repercussão. A sequência de exposição coincidiu com o crescimento da candidatura nas sondagens.
A pesquisa Quaest divulgada em 2 de setembro registrou Cury com 10% no primeiro turno, ante 2% em levantamentos anteriores. No dia seguinte, o Datafolha marcou 8%, também acima dos 2% registrados antes. Em algumas rodadas, ele apareceu à frente de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos.
A alta ocorreu em meio à divulgação de propostas e a um posicionamento voltado a eleitores insatisfeitos com Lula e com o campo bolsonarista, além de pessoas afastadas da política. Cury se definiu como candidato de centro e resumiu sua posição na frase “mente de direita e coração social”. Na economia, defendeu um Estado menor, empreendedorismo e redução de impostos; na área social, destacou saúde mental e políticas públicas. A campanha também adotou a ideia de “pacificação” para marcar distância dos dois polos.
O avanço, porém, foi seguido por uma queda. A campanha relaciona a perda de visibilidade à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que ganhou força no mesmo período. O ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que mencionava supostas conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
Lima afirmou que o assunto dominou a cobertura política por duas semanas e tirou a campanha de Cury do centro da discussão. Segundo ele, a estratégia de alcançar eleitores desinteressados estava funcionando, mas Lula e Flávio concentraram a atenção ao se posicionarem sobre a crise. A campanha tentou manter sua linha de comunicação e evitar uma queda maior na reta final.
Cury também criticou os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas. Sobre Lula, questionou o modelo econômico do governo e o chamou de “pai da pobreza”. A respeito de Flávio, criticou seus contatos com Vorcaro e sua postura ética, afirmando: “A ética de Flávio Bolsonaro é completamente insana e insuportável”. Ao mesmo tempo, o candidato do Avante elogiou pessoas dos dois campos políticos.
A candidatura ainda enfrentou controvérsias sobre a trajetória acadêmica e a declaração de bens de Cury. A Universidade de São Paulo (USP) informou que ele foi professor convidado, e não integrante permanente do corpo docente, como ele afirmava. Cury manteve sua versão. A campanha também retificou a declaração patrimonial após empresas no Brasil e nos Estados Unidos não terem sido inicialmente incluídas. Chamou as omissões de “inconsistências pontuais”; com a correção, o patrimônio passou de R$ 242,2 milhões para R$ 242,5 milhões, diferença de cerca de R$ 300 mil.
Na reta final, a equipe pretende retomar o apelo aos eleitores que não se identificam com os dois principais polos. Lima disse que a expectativa é concluir o primeiro turno sem uma queda acentuada e que o resultado dependerá da exposição no último debate. Em eventual segundo turno entre Lula e Flávio, Cury deve permanecer neutro. O candidato indicou que pode não voltar a disputar eleições caso não avance à etapa final, embora Lima tenha dito que “o futuro é incerto”.
Quem é quem
- Augusto Cury
- Médico psiquiatra, escritor e empresário brasileiro. Em 2026, concorre à Presidência da República pelo Avante, em sua primeira experiência eleitoral. Sua atuação pública inclui livros e palestras sobre comportamento e saúde emocional.
- Avante
- Partido político brasileiro que lançou Augusto Cury como candidato à Presidência da República em 2026. A legenda integra o sistema partidário nacional e apresenta candidaturas em disputas eleitorais no país.
- Supremo Tribunal Federal
- O Supremo Tribunal Federal (STF) é a mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro. Entre suas atribuições está a análise de questões constitucionais e de processos de competência originária previstos na Constituição.