Arábia Saudita mantém fechado aeroporto Rei Khalid após ataque
O ataque matou 12 pessoas e feriu 309; os houthis ameaçam novos ataques a aeroportos e ao espaço aéreo saudita, enquanto as aulas presenciais em Riad estão suspensas.
Resumo em 30 segundos
A Arábia Saudita manteve fechado o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, após um ataque que matou 12 pessoas e feriu 309. O governo suspendeu as aulas presenciais na capital até o fim da semana. Os houthis do Iêmen ameaçaram novas ofensivas, e Donald Trump disse que avalia uma participação dos Estados Unidos no combate.
A Arábia Saudita manteve fechado neste domingo o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, após um ataque que matou 12 pessoas e feriu 309 no sábado. O governo também suspendeu as aulas presenciais na capital até o fim da semana, enquanto os houthis do Iêmen ameaçaram realizar novas ofensivas contra aeroportos e o espaço aéreo saudita.
O fechamento do principal terminal aéreo do país foi prorrogado até pelo menos as 21h deste domingo. Centenas de voos foram cancelados ou sofreram atrasos, em meio à preocupação de empresas aéreas, passageiros e seguradoras com a segurança das operações. O complexo atingido abriga os terminais 3 e 4, usados para voos domésticos, e sofreu danos generalizados.
Em comunicado, o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, alertou que aeroportos e o espaço aéreo da Arábia Saudita são “alvos potenciais e locais de operações de nossas forças”. Ele excluiu Meca e Medina das ameaças e pediu que os alertas fossem levados a sério. O grupo não assumiu imediatamente a autoria do ataque de sábado, mas reconheceu ter realizado ofensivas contra aeroportos e instalações petrolíferas sauditas nos últimos dias.
Quatro sauditas e cidadãos de Bangladesh, Estados Unidos, Palestina, Egito, Jordânia, Síria e Sudão estão entre os mortos. Parte dos 309 feridos permanecia em estado crítico. A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita chamou o ataque de “crime de guerra” e prometeu responder aos rebeldes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que avalia a possibilidade de seu país participar de operações contra os houthis. “Talvez. Vamos analisar isso. Acabamos de saber do ataque recente, então tomaremos uma decisão. Agimos muito rapidamente”, disse, ao ser questionado sobre uma intervenção. Trump também afirmou que conversará com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e classificou o ataque como “inaceitável”.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, condenou as ofensivas contra a Arábia Saudita e confirmou a morte de um cidadão dos Estados Unidos. Uma eventual entrada americana no combate ampliaria o envolvimento de Washington no conflito regional, enquanto as negociações entre os governos americano e iraniano para encerrar a guerra iniciada em fevereiro estão paralisadas.
Os confrontos entre a Arábia Saudita e os houthis fazem parte da guerra civil no Iêmen. Riad interveio em 2015 em apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente. Uma trégua estabelecida em 2022 trouxe relativa calmaria, mas os ataques foram retomados em julho, depois que os houthis acusaram os sauditas de disparar contra o aeroporto de Sanaa durante a tentativa de pouso de um avião vindo do Irã.
A escalada recente ocorre após a coalizão saudita iniciar uma operação militar, com apoio aéreo às forças do governo iemenita, para reverter avanços dos houthis ao longo do Mar Vermelho. Os rebeldes relataram neste domingo dois ataques aéreos contra Sanaa, capital do Iêmen, que atribuíram à Arábia Saudita. O Ministério da Saúde administrado pelo grupo afirma que 91 pessoas morreram e 168 ficaram feridas em ataques da coalizão nas últimas cinco semanas; mulheres e crianças seriam a maioria das vítimas.
O avanço dos houthis em áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb também preocupa por seu possível efeito sobre a navegação e o transporte de petróleo. A passagem liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e é uma rota estratégica para o comércio marítimo. O estreito de Ormuz, outra passagem importante para o petróleo, tem sido alvo de ataques a embarcações durante a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O ataque a Riad recebeu condenações de governos e organismos internacionais. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, disse estar “profundamente chocado” e classificou a ofensiva como uma “violação do direito internacional”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou o episódio de “escalada perigosa” e alertou para impactos sobre redes de transporte e energia.
Para entender
- Houthis
- Movimento político e militar do Iêmen que controla áreas do país e está em conflito com o governo iemenita reconhecido internacionalmente. A guerra civil levou a uma intervenção militar saudita em 2015.
- Estreito de Bab el-Mandeb
- Passagem marítima entre o Mar Vermelho e o golfo de Áden, situada entre o Iêmen e o Chifre da África. É uma rota importante para o transporte marítimo entre a Europa e a Ásia.