Aeroporto Rei Khalid segue fechado após ataques de drones e mísseis
A nova onda de ataques reivindicada pelos houthis interrompe voos em Riad e mantém partes do espaço aéreo saudita fechadas.
Resumo em 30 segundos
O Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, continua fechado após ataques de mísseis e drones atribuídos pelos houthis do Iêmen. A escalada deixou mortos e feridos, afetou voos e ocorreu durante um congresso de energia na capital. O Irã ofereceu-se para mediar conversas entre os houthis e o governo saudita.
A Arábia Saudita informou nesta segunda-feira (12) que uma nova onda de mísseis e drones atingiu o país e que o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, continua fechado. As ofensivas, reivindicadas pelos houthis do Iêmen, interromperam voos e levaram ao fechamento de partes do espaço aéreo saudita.
O aeroporto, identificado pelo código RUH, é o principal terminal aéreo da capital. Os ataques começaram na semana passada e se intensificaram no sábado (10), quando um bombardeio matou ao menos 13 pessoas e feriu mais de 300, segundo os relatos. No domingo (11), outro ataque com mísseis provocou um incêndio no aeroporto, matou um residente paquistanês e deixou 11 feridos.
Os houthis também afirmaram ter atacado o Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam. A coalizão liderada pela Arábia Saudita relatou a aproximação de mísseis e drones nesta segunda-feira, mas não informou de imediato se eles foram interceptados. O grupo armado ameaça aeroportos e instalações de petróleo sauditas.
A escalada ocorre durante o Congresso Mundial de Energia, realizado em Riad, e afeta a imagem de segurança que o reino busca projetar a investidores. Executivos-chefes da ExxonMobil e da BP cancelaram compromissos no evento. O ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, afirmou que o país seguirá empenhado em atrair investimentos e manter seus planos de desenvolvimento econômico.
A crise também se conecta à guerra civil no Iêmen e à disputa pelo estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica para o transporte marítimo de petróleo e gás. O governo saudita apoia forças iemenitas que tentam afastar os houthis da região. Forças locais apoiadas por Riad avançaram em alguns pontos, mas fontes militares iemenitas dizem que permanecem em desvantagem em outras frentes e que uma pressão capaz de enfraquecer o grupo pode levar tempo.
A Arábia Saudita intensificou ataques aéreos contra posições houthis, incluindo alvos na província de al-Jawf. O grupo diz que suas ações respondem à campanha saudita no Iêmen. A disputa ampliou o risco para infraestrutura civil e instalações energéticas, centrais para a economia saudita.
O Irã se ofereceu para mediar conversas entre Riad e os houthis. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse nesta segunda-feira que Teerã está disposto a facilitar o diálogo. Na noite de domingo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi telefonou ao ministro saudita Faisal bin Farhan para propor a intermediação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que Washington considera participar de operações sauditas contra os houthis. Os Emirados Árabes Unidos também pediram uma ação conjunta de segurança e defesa entre países do Golfo. Enquanto o aeroporto permanece fechado, os ataques mantêm sob pressão a circulação aérea e os esforços sauditas para atrair capital externo.
Para entender
- Houthis
- Movimento político e armado originário do Iêmen, também conhecido como Ansar Allah. O grupo participa da guerra civil iemenita e controla áreas do país; a Arábia Saudita apoiou forças que combatem os houthis.
- Bab el-Mandeb
- Estreito entre o Iêmen e o Chifre da África que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden. É uma passagem importante para a navegação internacional entre a Europa e a Ásia e para o transporte de petróleo e gás.