Houthis renovam alerta sobre aeroportos da Arábia Saudita após ataque
A ameaça veio um dia depois de um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixar 12 mortos e mais de 300 feridos; voos seguem suspensos.
Resumo em 30 segundos
Os houthis renovaram o alerta para que companhias aéreas, passageiros e funcionários evitem aeroportos e o espaço aéreo saudita, com exceção dos de Meca e Medina. O grupo não reivindicou o ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, atribuído a ele pela coalizão liderada pela Arábia Saudita. As operações no terminal foram suspensas para avaliação dos danos.
Os houthis do Iêmen renovaram neste domingo o alerta para que companhias aéreas, passageiros e funcionários evitem os aeroportos e o espaço aéreo da Arábia Saudita, um dia depois de um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, matar 12 pessoas e ferir mais de 300. O terminal, também conhecido pela sigla RUH, teve as operações suspensas temporariamente para avaliação dos danos e das condições de segurança.
Em mensagem publicada na rede social X, o grupo afirmou que os aeroportos sauditas estão vulneráveis a ataques e excetuou os de Meca e Medina, cidades sagradas do islã. Os houthis também disseram que a Arábia Saudita será responsável por eventuais falhas nas interceptações. O grupo não reivindicou o ataque de sábado; a coalizão militar liderada por Riad atribuiu a ofensiva aos houthis.
As autoridades sauditas informaram que as vítimas fatais incluem quatro sauditas e dois cidadãos de Bangladesh, além de pessoas dos Estados Unidos, da Jordânia, da Palestina, da Síria, do Sudão e do Egito. A autoridade de aviação civil suspendeu os voos enquanto avalia os danos, sem divulgar previsão para a retomada. O ataque foi o terceiro contra o aeroporto de Riad em uma semana; os dois episódios anteriores deixaram quatro mortos e danificaram uma aeronave comercial saudita estacionada no local.
A escalada ocorre enquanto a Arábia Saudita amplia sua atuação militar no Iêmen. Nas últimas semanas, o reino lançou ataques contra os houthis e apoiou uma contraofensiva das forças governamentais, depois que o grupo tomou áreas estratégicas na costa do Mar Vermelho, em setembro. Os houthis são apoiados pelo Irã, enquanto o governo iemenita recebe apoio saudita.
O Ministério das Relações Exteriores do Iêmen, controlado pelos houthis, afirmou que novas ações militares sauditas terão uma resposta mais forte e que o grupo seguirá o princípio da reciprocidade. “A menos que o inimigo saudita cesse sua agressão e interferência no Iêmen, o pior ainda está por vir, se Deus quiser”, declarou a pasta em comunicados transmitidos pela Al Masirah, emissora ligada ao movimento.
A coalizão saudita informou que um projétil caiu perto do Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, no sábado, e relatou a interceptação de um drone na região neste domingo. A queda de um projétil nas proximidades não significa que o aeroporto tenha sido atingido diretamente.
O ataque a Riad também levou à suspensão de aulas presenciais na Arábia Saudita, substituídas por ensino remoto de domingo a quinta-feira. Apesar da interrupção no aeroporto, o Ministério de Energia saudita afirmou que uma conferência internacional de energia prevista para este domingo ocorreria na capital. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no sábado que Washington avalia participar dos ataques sauditas contra os houthis.
Para entender
- Houthis
- Movimento político e armado do Iêmen, também conhecido como Ansar Allah. O grupo controla partes do país e é apoiado pelo Irã; enfrenta forças do governo iemenita, que recebem apoio da Arábia Saudita.
- Aeroporto Internacional Rei Khalid
- Principal aeroporto internacional de Riad, capital da Arábia Saudita. É identificado pela sigla RUH e recebeu o nome do rei Khalid bin Abdulaziz, que governou o país entre 1975 e 1982.