Ada Colau leva gesto do L de Lula a comício da esquerda em Madri
A ex-prefeita de Barcelona pediu que o público repetisse o sinal durante a campanha espanhola, que também busca inspiração na mobilização digital de Lula.
Resumo em 30 segundos
Ada Colau fez o gesto do “L” de Lula em um comício da coalizão Frente Ampla, em Madri, e citou a campanha espanhola. Lideranças e ativistas de outros países também apontam a mobilização digital em favor de Lula como inspiração para suas próprias disputas eleitorais.
A ex-prefeita de Barcelona Ada Colau fez o gesto do “L” de Lula durante um comício da coalizão Frente Ampla, em Madri, na véspera do segundo turno das eleições brasileiras. A cena integrou uma mobilização de lideranças e ativistas de esquerda no exterior, que passaram a citar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como inspiração para disputas eleitorais em seus países.
Colau pediu que os participantes levantassem o braço com o sinal formado pelo indicador e pelo polegar. Ao apresentar o gesto, mencionou a esperança, a defesa de uma Palestina livre, Lula e a campanha da Frente Ampla espanhola, cuja votação está marcada para 29 de novembro. A política catalã lidera a coalizão de esquerda na Espanha.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também relacionou a vitória de Lula às eleições gerais espanholas do próximo mês. Em um comício em Gijón, no norte do país, ele disse: “Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue”. Sánchez convidou o deputado brasileiro André Janones, da Rede por Minas Gerais, a colaborar na estratégia eleitoral de sua campanha de reeleição. A equipe do parlamentar ainda não confirmou se ele aceitou.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum convidou Janones para uma visita de trabalho voltada a ações coordenadas para fortalecer a esquerda. Ao cumprimentar Lula pela vitória, ela também fez o gesto com os dedos e afirmou que o resultado era “uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe”.
A estratégia associada a Janones inclui o uso de grupos de WhatsApp para mobilizar apoiadores. O “Exército do Lula” superou 10 milhões de participantes às vésperas do segundo turno. Iniciativas inspiradas nesse formato surgiram em outros países, junto com a circulação do gesto do “L” em vídeos e publicações nas redes sociais.
Na França, o canal “L’équipe de Mélenchon officielle”, criado em apoio à candidatura de Jean-Luc Mélenchon à Presidência em 2027, reunia mais de 46 mil pessoas. O deputado francês Antoine Leaument mencionou a experiência brasileira em um vídeo: “Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”. Apoiadores de Mélenchon também publicaram vídeos em que fazem o “L” e depois invertem as mãos para formar um “M”.
Mélenchon declarou apoio à reeleição de Lula em uma publicação no Instagram, no sábado, dia 24. Ele escreveu que a vitória do presidente brasileiro seria “a vitória do povo contra o império americano” e chamou o Brasil de país e nação irmã. Na França, a eleição presidencial está prevista para abril do ano que vem. A ultranacionalista Marine Le Pen aparece com cerca de 35% das intenções de voto, enquanto Mélenchon tem 16%, segundo dados citados pela Reuters. O presidente Emmanuel Macron não pode concorrer novamente.
Na Argentina, apoiadores criaram o grupo de WhatsApp “Exército do Peronismo”, descrito como inspirado no “Exército do Lula” e contrário à reeleição do presidente Javier Milei em 2027. O canal tinha mais de 40 mil inscritos. Nos Estados Unidos, ativistas também recorreram ao exemplo brasileiro antes das eleições de meio de mandato do próximo mês, que podem alterar a composição do Congresso e servir de contrapeso à agenda do presidente Donald Trump.
A influenciadora política Jess Craven publicou um vídeo chamado “O que podemos aprender com o Brasil?”, posteriormente republicado por Janones. A gravação, com quase 500 mil visualizações no Instagram, apresenta a mobilização em favor de Lula como um conjunto de práticas que ativistas pró-democracia poderiam adotar.