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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

UBS enfrenta exigência de até US$ 16 bilhões em capital CET1

O Parlamento suíço avançou com regras que podem exigir até US$ 16 bilhões extras em capital do UBS e reacenderam o debate sobre uma saída do país.

Por Ricardo Vasconcelos 4 min de leitura
Sede de um banco em Zurique, com pedestres e uma bandeira suíça em um dia nublado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sede de um banco em Zurique, com pedestres e uma bandeira suíça em um dia nublado.
Resumo em 30 segundos

O UBS enfrenta a possibilidade de ter de manter até US$ 16 bilhões adicionais em capital após uma votação na Câmara Alta suíça. O banco contesta as exigências e avalia alternativas, enquanto alguns acionistas defendem uma mudança de sede. A Câmara Baixa discutirá a reforma nos próximos meses; o debate pode incluir uma proposta intermediária ou um plebiscito.

O UBS avalia se deve continuar sediado na Suíça diante de uma proposta parlamentar que pode obrigá-lo a manter até US$ 16 bilhões adicionais em capital. A decisão depende da tramitação da reforma e pode levar o maior banco suíço a aceitar exigências mais rígidas ou considerar uma mudança de país, alternativa que poderia afetar seu modelo de negócios.

A Câmara Alta do Parlamento aprovou na semana passada uma exigência para que o banco mantenha capital equivalente a 90% dos recursos necessários para cobrir participações em subsidiárias estrangeiras. O UBS calcula que, nesse cenário, teria de acrescentar cerca de US$ 16 bilhões em capital principal de nível 1, conhecido pela sigla CET1. Se prevalecer a proposta inicial do governo, de 100%, o valor subiria para aproximadamente US$ 20 bilhões.

O governo suíço estima uma necessidade menor: US$ 5 bilhões no cenário de 90% e US$ 9 bilhões no de 100%. A ministra das Finanças, Karin Keller-Sutter, está entre as autoridades que defendem a permanência do banco no país. O governo afirma que regras mais rígidas são necessárias para reduzir o risco de os contribuintes suíços terem de arcar com perdas ligadas às operações internacionais do UBS.

O banco considera as duas exigências prejudiciais à sua competitividade e ao modelo de negócios. Seu presidente-executivo, Sergio Ermotti, afirmou que “encolher não é uma opção” para responder à reforma. Em comunicado, o UBS disse que pretende continuar operando como um banco global a partir da Suíça e que seguirá apresentando informações aos legisladores e defendendo regras “verdadeiramente direcionadas”.

Alguns acionistas defendem que o UBS deixe o país. A Artisan Partners afirmou na quarta-feira que os custos regulatórios suíços são “excessivos, punitivos e desnecessários” e que não deixariam “outra escolha real” ao banco. A Cevian Capital também havia pedido anteriormente que a instituição considerasse uma mudança.

O UBS consultou o Nordea, banco finlandês que transferiu sua sede de Estocolmo para Helsinque quase uma década atrás, sobre os prós e contras de mudar de país. O Nordea, porém, afirmou que não houve conversas desse tipo com executivos de alto escalão e rejeitou a interpretação de que se arrepende da transferência.

A hipótese de uma combinação com um banco estrangeiro também voltou ao debate. Pessoas familiarizadas com a discussão apontaram uma eventual operação com o Morgan Stanley ou outra grande instituição dos Estados Unidos como uma possibilidade para transferir a sede. Não há indicação de que qualquer uma das partes esteja buscando uma transação. O UBS monitora possíveis alvos nos EUA, mas não tem planos imediatos de fusão ou aquisição e aguarda maior clareza sobre as regras.

Uma alternativa em discussão na Suíça poderia reduzir de 90% para 75% a exigência de capital para as subsidiárias estrangeiras. A possibilidade de um meio-termo ganhou força entre legisladores preocupados com os custos de uma saída do UBS, especialmente porque o governo incentivou o banco a comprar o Credit Suisse há mais de três anos. Ainda assim, autoridades que defendem a permanência avaliam que a identidade suíça é importante demais para ser abandonada e que transferir a sede seria caro.

A Câmara Baixa será a próxima a examinar a reforma. Comissões devem discutir uma recomendação nos dias 26 e 27 de outubro e 23 e 24 de novembro; a votação em plenário pode ocorrer em dezembro. Se a Casa aprovar a mesma proposta da Câmara Alta, o texto se tornará lei. Caso adote outra versão, as duas câmaras terão de negociar, prolongando a decisão.

Os social-democratas disseram que poderão buscar 50 mil assinaturas para convocar um plebiscito se o Parlamento aprovar uma lei considerada favorável ao UBS. A iniciativa acrescentaria tempo à tramitação. Alguns integrantes do banco veem um desfecho rápido para o debate como a opção menos desfavorável, já que a incerteza tem pressionado as ações e pode prolongar os efeitos negativos sobre a instituição.

Se permanecer na Suíça, o UBS também poderia reduzir operações internacionais, reter mais lucros, transferir recursos de subsidiárias para a unidade doméstica ou captar capital junto aos acionistas. A redução das atividades no exterior poderia diminuir a exigência, mas elevaria os custos para manter e expandir os negócios. A transferência de recursos já foi usada, embora o banco não espere que seja suficiente; cortar dividendos e recompras ou emitir ações também poderia desagradar investidores.

O UBS registrou lucro líquido de US$ 7,8 bilhões no ano passado e deve divulgar os resultados do terceiro trimestre em 28 de outubro. A ocasião pode ser usada por seus dirigentes para voltar a se manifestar sobre a reforma. O cronograma parlamentar, contudo, deve determinar quando o banco terá clareza sobre o custo final das novas exigências e sobre as opções disponíveis.

Quem é quem

UBS
Grupo bancário suíço com atuação internacional. A instituição é o maior banco da Suíça e está no centro do debate sobre exigências de capital para suas subsidiárias no exterior e a possibilidade de manter ou transferir sua sede.
Parlamento suíço
Poder legislativo federal da Suíça, composto por duas câmaras. A reforma em discussão sobre o capital do UBS passou pela Câmara Alta e ainda será examinada pela Câmara Baixa, com possibilidade de novas negociações entre as Casas.

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