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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Selva Club fecha neste sábado em meio a mudanças no Baixo Augusta

O Selva Club encerra as atividades neste sábado, em meio à redução de casas noturnas e ao avanço de empreendimentos residenciais na região.

Por Laura Mendes 3 min de leitura
Rua Augusta ao entardecer, com uma antiga entrada de casa noturna e prédios residenciais em construção. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Rua Augusta ao entardecer, com uma antiga entrada de casa noturna e prédios residenciais em construção.
Resumo em 30 segundos

O Selva Club fará sua festa de encerramento neste sábado (3), após funcionar desde 2017 na rua Augusta, em São Paulo. O fechamento ocorre em meio à saída de outras casas noturnas e à expansão de empreendimentos residenciais no Baixo Augusta. Empresários e especialista citam especulação imobiliária, mudanças de hábitos e custos de aluguel entre os fatores da transformação.

O Selva Club realiza neste sábado (3) a festa de encerramento no imóvel da rua Augusta, no Baixo Augusta, em São Paulo, onde funcionava desde 2017. O fechamento ocorre enquanto casas noturnas deixam a região e novos empreendimentos residenciais avançam na área, conhecida pela vida noturna da capital paulista.

O clube ocupa um galpão no número 501 e pertence ao Grupo Tokyo, que também administra a casa Tokyo, o bar Trópico e a Peixaria Mitsugui. O grupo venceu, em 2023, a licitação para gerir por 15 anos o edifício Martinelli, no centro da cidade, onde instalou café, restaurante e espaço para festas no terraço.

Em comunicado publicado nas redes sociais, o Selva afirmou que o espaço foi cenário de encontros, amizades, descobertas musicais e relacionamentos. O imóvel fica entre um prédio de estúdios e uma hamburgueria. Ainda não há definição sobre seu futuro; o proprietário procura interessados em abrir outra balada e não gostaria de vender o terreno a uma construtora.

Antes do Selva, o endereço abrigou por dez anos o clube Inferno SP, que recebia shows de bandas de rock alternativo. Nas proximidades, fecharam nos últimos anos casas como LAB, Mono Club, Anexo B e 1007 São Paulo. O galpão da 1007 foi demolido em junho para a construção de um edifício residencial.

Outros espaços conhecidos da região, como Studio SP e Desmanche, também encerraram as atividades, embora tenham sido substituídos por outras boates. A transformação ocorre em um trecho entre as ruas Peixoto Gomide e Caio Prado, onde há imóveis anunciados para aluguel, dois prédios residenciais em construção e um estande de vendas de outro empreendimento. Perto do parque Augusta, há ainda um terreno em preparação para um condomínio.

O empresário Facundo Guerra, sócio do Blue Note e do Cine Joia, atribui a retração das baladas à especulação imobiliária, às mudanças de hábitos após a pandemia e à redução do poder aquisitivo do público jovem e LGBT. Segundo ele, o formato tradicional de festas que atravessam a madrugada perdeu espaço para programas mais cedo, em locais onde as pessoas possam conversar sentadas.

Guerra foi sócio do Club Vegas entre 2005 e 2012, junto do produtor José Tibiraçá, conhecido como Tibira. A casa, apontada como uma das responsáveis por mudar o perfil da rua Augusta nos anos 2000, foi demolida para a construção de um prédio. Na década de 1990, o trecho era ocupado principalmente por casas de prostituição.

Celso Sampaio, professor de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, relaciona o interesse imobiliário à recuperação de espaços públicos como a praça Roosevelt e o parque Augusta, inaugurado em 2021. Para ele, as casas noturnas funcionam como “motores culturais” e seu fechamento reduz a circulação de pessoas nas calçadas e no comércio, podendo aumentar a sensação de insegurança e abandono.

O Clube Outs permanece em atividade e completa 23 anos na região. O proprietário, Edu Ramos, afirma que os hábitos do público mudaram: parte dos frequentadores prefere beber sentado e conversar, enquanto outros seguem interessados em dançar. A casa mantém um pub ao lado da pista e, segundo Ramos, pretende retomar em breve a programação de shows de rock.

Ramos também aponta o custo dos imóveis como uma pressão para os estabelecimentos. Segundo ele, o aluguel de um ponto comercial no Baixo Augusta pode chegar a R$ 12 mil por mês. O empresário diz que as casas noturnas ajudaram a movimentar a rua e lamenta que a cultura associada à vida noturna esteja perdendo espaço para a construção de prédios.

Quem é quem

Grupo Tokyo
Grupo empresarial responsável por empreendimentos de entretenimento e gastronomia em São Paulo. Entre os espaços associados ao grupo estão a casa Tokyo, o bar Trópico, a Peixaria Mitsugui e o Selva Club. Em 2023, venceu a licitação para uma concessão de 15 anos do edifício Martinelli.
Selva Club
Casa noturna que funcionou desde 2017 em um galpão na rua Augusta, na região do Baixo Augusta, em São Paulo. O espaço pertence ao Grupo Tokyo e realiza uma festa de encerramento neste sábado (3). Antes de abrigar o Selva, o endereço recebeu o clube Inferno SP.
Clube Outs
Casa noturna localizada no Baixo Augusta, em São Paulo, que completa 23 anos de atividade. O espaço mantém uma pista de dança e um pub e já recebeu apresentações de bandas brasileiras de rock alternativo. Seu proprietário é Edu Ramos.

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