Selva Club fecha neste sábado em meio a mudanças no Baixo Augusta
O Selva Club encerra as atividades neste sábado, em meio à redução de casas noturnas e ao avanço de empreendimentos residenciais na região.
Resumo em 30 segundos
O Selva Club fará sua festa de encerramento neste sábado (3), após funcionar desde 2017 na rua Augusta, em São Paulo. O fechamento ocorre em meio à saída de outras casas noturnas e à expansão de empreendimentos residenciais no Baixo Augusta. Empresários e especialista citam especulação imobiliária, mudanças de hábitos e custos de aluguel entre os fatores da transformação.
O Selva Club realiza neste sábado (3) a festa de encerramento no imóvel da rua Augusta, no Baixo Augusta, em São Paulo, onde funcionava desde 2017. O fechamento ocorre enquanto casas noturnas deixam a região e novos empreendimentos residenciais avançam na área, conhecida pela vida noturna da capital paulista.
O clube ocupa um galpão no número 501 e pertence ao Grupo Tokyo, que também administra a casa Tokyo, o bar Trópico e a Peixaria Mitsugui. O grupo venceu, em 2023, a licitação para gerir por 15 anos o edifício Martinelli, no centro da cidade, onde instalou café, restaurante e espaço para festas no terraço.
Em comunicado publicado nas redes sociais, o Selva afirmou que o espaço foi cenário de encontros, amizades, descobertas musicais e relacionamentos. O imóvel fica entre um prédio de estúdios e uma hamburgueria. Ainda não há definição sobre seu futuro; o proprietário procura interessados em abrir outra balada e não gostaria de vender o terreno a uma construtora.
Antes do Selva, o endereço abrigou por dez anos o clube Inferno SP, que recebia shows de bandas de rock alternativo. Nas proximidades, fecharam nos últimos anos casas como LAB, Mono Club, Anexo B e 1007 São Paulo. O galpão da 1007 foi demolido em junho para a construção de um edifício residencial.
Outros espaços conhecidos da região, como Studio SP e Desmanche, também encerraram as atividades, embora tenham sido substituídos por outras boates. A transformação ocorre em um trecho entre as ruas Peixoto Gomide e Caio Prado, onde há imóveis anunciados para aluguel, dois prédios residenciais em construção e um estande de vendas de outro empreendimento. Perto do parque Augusta, há ainda um terreno em preparação para um condomínio.
O empresário Facundo Guerra, sócio do Blue Note e do Cine Joia, atribui a retração das baladas à especulação imobiliária, às mudanças de hábitos após a pandemia e à redução do poder aquisitivo do público jovem e LGBT. Segundo ele, o formato tradicional de festas que atravessam a madrugada perdeu espaço para programas mais cedo, em locais onde as pessoas possam conversar sentadas.
Guerra foi sócio do Club Vegas entre 2005 e 2012, junto do produtor José Tibiraçá, conhecido como Tibira. A casa, apontada como uma das responsáveis por mudar o perfil da rua Augusta nos anos 2000, foi demolida para a construção de um prédio. Na década de 1990, o trecho era ocupado principalmente por casas de prostituição.
Celso Sampaio, professor de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, relaciona o interesse imobiliário à recuperação de espaços públicos como a praça Roosevelt e o parque Augusta, inaugurado em 2021. Para ele, as casas noturnas funcionam como “motores culturais” e seu fechamento reduz a circulação de pessoas nas calçadas e no comércio, podendo aumentar a sensação de insegurança e abandono.
O Clube Outs permanece em atividade e completa 23 anos na região. O proprietário, Edu Ramos, afirma que os hábitos do público mudaram: parte dos frequentadores prefere beber sentado e conversar, enquanto outros seguem interessados em dançar. A casa mantém um pub ao lado da pista e, segundo Ramos, pretende retomar em breve a programação de shows de rock.
Ramos também aponta o custo dos imóveis como uma pressão para os estabelecimentos. Segundo ele, o aluguel de um ponto comercial no Baixo Augusta pode chegar a R$ 12 mil por mês. O empresário diz que as casas noturnas ajudaram a movimentar a rua e lamenta que a cultura associada à vida noturna esteja perdendo espaço para a construção de prédios.
Quem é quem
- Grupo Tokyo
- Grupo empresarial responsável por empreendimentos de entretenimento e gastronomia em São Paulo. Entre os espaços associados ao grupo estão a casa Tokyo, o bar Trópico, a Peixaria Mitsugui e o Selva Club. Em 2023, venceu a licitação para uma concessão de 15 anos do edifício Martinelli.
- Selva Club
- Casa noturna que funcionou desde 2017 em um galpão na rua Augusta, na região do Baixo Augusta, em São Paulo. O espaço pertence ao Grupo Tokyo e realiza uma festa de encerramento neste sábado (3). Antes de abrigar o Selva, o endereço recebeu o clube Inferno SP.
- Clube Outs
- Casa noturna localizada no Baixo Augusta, em São Paulo, que completa 23 anos de atividade. O espaço mantém uma pista de dança e um pub e já recebeu apresentações de bandas brasileiras de rock alternativo. Seu proprietário é Edu Ramos.