Rússia ataca três pontes sobre o rio Dnieper em Kiev
Três pontes sobre o rio Dnieper foram atacadas em Kiev nesta sexta-feira; uma pessoa morreu e duas estruturas ficaram fechadas por horas.
Resumo em 30 segundos
Três pontes sobre o rio Dnieper foram atacadas em Kiev nesta sexta-feira, deixando ao menos um morto e interrompendo o tráfego em duas estruturas durante a manhã. Moscou confirmou a nova tática e disse que as pontes são usadas para levar forças e equipamentos ao Donbass. Kiev teme novos ataques à infraestrutura energética no inverno.
A Rússia atacou três pontes sobre o rio Dnieper, em Kiev, nesta sexta-feira (2), pela primeira vez desde o início da guerra contra a Ucrânia, em 2022. Ao menos uma pessoa morreu, e duas das estruturas foram fechadas ao trânsito durante a manhã, provocando congestionamentos. As vias reabriram no começo da tarde, segundo as informações divulgadas pelas autoridades locais.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, descreveu a situação na capital como “muito dramática”. Ele afirmou que a cidade já não pode agir como se estivesse em tempo de paz e disse que os ataques russos estão atingindo Kiev.
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a nova diretriz e declarou que as pontes são usadas para transportar forças e equipamentos militares em direção ao Donbass, no leste da Ucrânia, onde se concentra a principal frente de batalha. As oito pontes principais sobre o Dnieper conectam as duas partes da capital.
As estruturas também têm importância para a circulação cotidiana. Antes da guerra, o lado leste do rio abrigava 30% dos três milhões de habitantes de Kiev, mas concentrava apenas 18% dos empregos. Como os principais postos de trabalho ficam a oeste, as pontes são essenciais para deslocamentos e para a atividade econômica local.
Na quinta-feira (1º), o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que os ataques russos à infraestrutura civil ucraniana são uma retaliação às ações de Kiev contra alvos na Rússia. A campanha ucraniana com drones de longo alcance tem contribuído para uma crise no abastecimento de combustível no país invasor. Nesta sexta, drones ucranianos atingiram duas refinarias no sul russo.
A Ucrânia também afirmou na quinta ter usado em combate, pela primeira vez, o míssil balístico FP-7, produzido no país. Não foram apresentados detalhes sobre a ação. Enquanto isso, Putin visitou um campo de treinamento de drones a jato russos Gerânio-4 e Gerânio-5, modelos mais rápidos que os aparelhos anteriores movidos a hélice.
Kiev busca reforçar suas defesas aéreas para enfrentar esses drones. A Ucrânia firmou acordos com Polônia, Bélgica e Espanha para receber mais munição de 20 milímetros destinada às metralhadoras de seus caças F-16, usados para interceptar os aparelhos. Autoridades ucranianas dizem que são necessários ao menos 300 mísseis interceptadores do sistema Patriot para garantir proteção mínima à capital durante o inverno, que começa no fim de dezembro.
Há preocupação de que a Rússia intensifique os ataques à infraestrutura energética ucraniana quando as temperaturas caírem. Uma reportagem do New York Times citou supostos planos russos interceptados por ucranianos para um ataque com mais de mil mísseis e drones contra a geração e a distribuição de eletricidade. O próprio jornal afirmou não ter conseguido confirmar a autenticidade dos documentos citados.
Quem é quem
- Kiev
- Capital da Ucrânia, Kiev fica às margens do rio Dnieper, que divide a cidade em setores conectados por pontes. A cidade é um centro político e econômico do país e tem sido alvo de ataques durante a guerra iniciada pela Rússia em 2022.
- Vitali Klitschko
- Político ucraniano e ex-boxeador profissional, Vitali Klitschko é prefeito de Kiev. Ele ocupava o cargo no período descrito na notícia e comentou a situação da capital após os ataques às pontes.
- Donbass
- Região no leste da Ucrânia associada a uma das principais frentes de combate da guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo o Ministério da Defesa russo, as pontes atacadas em Kiev são usadas para transportar forças e equipamentos em direção à região.