Republicanos discute apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno
Marcos Pereira diz que não há decisão; a cúpula do partido deve se reunir entre terça e quarta-feira para avaliar o cenário eleitoral e as alianças.
Resumo em 30 segundos
O Republicanos deve discutir sua posição em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro em reunião prevista para terça ou quarta-feira. O presidente da sigla, Marcos Pereira, afirma que nada foi decidido. Lideranças do partido apoiam candidatos diferentes, e a legenda pode manter a neutralidade ou se alinhar a um dos concorrentes.
O Republicanos deve reunir sua cúpula entre terça e quarta-feira, depois do primeiro turno das eleições deste domingo, para discutir a posição do partido em um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, afirmou que ainda não há decisão e que o tema será tratado internamente.
No primeiro turno, o Republicanos optou pela neutralidade para preservar alianças regionais e evitar que um apoio presidencial nacional prejudicasse candidaturas nos estados. Com a definição de parte das disputas para governos estaduais e para o Congresso, dirigentes avaliam que os interesses locais podem pesar menos na etapa final da eleição.
As posições de lideranças do partido mostram a variedade de alianças mantidas durante a campanha. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou apoio a Lula, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), está alinhado a Flávio Bolsonaro.
A votação de cada candidato no primeiro turno e a distância entre eles também devem entrar na avaliação. Segundo a análise de dirigentes citada no partido, um resultado expressivo de Flávio e pesquisas que o mostrem à frente de Lula no segundo turno poderiam favorecer um apoio conjunto do Republicanos, do União Brasil e do PP ao candidato do PL. Essa possibilidade, porém, não é considerada certa por todos os integrantes do Centrão.
Marcos Pereira disse que não há posição definida. “Nada resolvido. Discussão que ocorrerá internamente no partido”, afirmou. A sigla deverá decidir depois de avaliar o cenário eleitoral e as consequências de um eventual alinhamento nacional.
O União Brasil e o PP, que formam uma federação e também permaneceram neutros no primeiro turno, marcaram uma reunião para 6 de outubro. O presidente do PP, Ciro Nogueira, afirmou que o grupo decidirá respeitando a maioria: “Dia 6 vamos decidir respeitando a maioria”. Ele também evitou antecipar o resultado, dizendo que ainda não reuniu os partidos para identificar uma posição majoritária.
Ciro Nogueira procurou dirigentes para discutir um possível apoio coordenado da federação e do Republicanos a Flávio Bolsonaro após o resultado do primeiro turno. O Republicanos, contudo, tem sinalizado resistência a esse movimento e indicado que poderá manter a neutralidade na segunda etapa.
A discussão ocorre enquanto as campanhas de Lula e Flávio devem buscar o apoio de partidos que não lançaram candidato à Presidência ou ficaram neutros. Uma aliança pode agregar lideranças regionais e ampliar a base política de cada candidatura nas três semanas entre os turnos. A decisão do Republicanos interessa também por reunir figuras com posições distintas sobre os dois candidatos, como Hugo Motta e Tarcísio de Freitas.