Porto Alegre registra 1h37 diária em deslocamentos, menor média entre capitais
Pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis aponta média diária de 1h37 de deslocamento em Porto Alegre, três minutos acima do resultado de 2025.
Resumo em 30 segundos
Porto Alegre registrou média de uma hora e 37 minutos diários de deslocamento, a menor entre dez capitais pesquisadas, mas três minutos acima de 2025. O estudo do Instituto Cidades Sustentáveis também apontou aumento do uso de ônibus na cidade, enquanto tarifa, pontualidade e condições do serviço foram citadas entre os principais problemas.
Moradores de Porto Alegre gastam, em média, uma hora e 37 minutos por dia em deslocamentos pela cidade, o menor tempo entre as dez capitais brasileiras avaliadas pela pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana. O resultado, porém, ficou três minutos acima do registrado no levantamento de 2025, segundo o Instituto Cidades Sustentáveis (ICS).
O estudo ouviu 3,5 mil pessoas, incluindo 300 moradores da capital gaúcha, e considerou todos os meios de transporte usados no cotidiano. Na média das cidades pesquisadas, o tempo diário chegou a duas horas e cinco minutos, nove minutos a mais que no ano anterior. O período aumentou em oito das dez capitais, e Fortaleza teve a média mais alta: duas horas e 18 minutos.
Para o professor do departamento de Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor em engenharia de transporte e logística Julio Celso Borello Vargas, mesmo o menor tempo do ranking não representa necessariamente uma vantagem. Ele afirmou que o indicador reflete a eficiência da mobilidade e que deslocamentos longos causam perda de tempo e dinheiro.
A pesquisa não buscou explicar por que Porto Alegre ficou à frente das demais capitais. Igor Pantoja, coordenador de Relações Institucionais do ICS, destacou que a cidade teve a maior proporção de deslocamentos a pé entre as pesquisadas: 10%. Segundo ele, a configuração mais compacta da capital pode facilitar o acesso a serviços básicos sem percursos tão longos.
O levantamento também apontou aumento do uso de ônibus em Porto Alegre. Neste ano, 74% dos entrevistados disseram usar o transporte coletivo, ante 67% em 2025. Pantoja afirmou que, ao mesmo tempo, cresce no país o uso de meios individuais, como carro próprio, aplicativos de transporte e motocicletas.
Vargas relacionou o aumento dos tempos de deslocamento ao crescimento da quantidade de veículos nas ruas e à redução de usuários do transporte coletivo. Na pesquisa, usuários de ônibus nas dez capitais passam, em média, duas horas e 17 minutos por dia em deslocamentos, 30 minutos a mais do que quem usa principalmente o transporte individual.
No conjunto dos entrevistados, quatro em cada dez disseram gastar mais de uma hora e 30 minutos por dia para se locomover. Apenas 6% relataram deslocamentos de até meia hora. Em Porto Alegre, entre os usuários de transporte público, o custo da tarifa foi o problema mais citado, por 28%. Na sequência aparecem a pontualidade, com 17%, e as condições dos veículos e a frequência, ambas com 13%. A lotação foi apontada por 11% como a questão mais urgente.
Pantoja afirmou que os moradores da capital também indicaram a necessidade de melhorar a velocidade e a ventilação dos ônibus. Já entre quem utiliza meios individuais, as respostas mais comuns sobre o que poderia incentivá-los a usar o transporte público foram reduzir o tempo de espera nos pontos e tornar o trajeto coletivo mais rápido do que as demais alternativas.
O historiador Leandro Souza, morador do Parque dos Maias, na zona norte, leva cerca de duas horas por dia para ir ao trabalho, no Centro Histórico. Ele faz o percurso de carro uma vez por semana e usa ônibus nos outros quatro dias. Segundo Souza, a viagem de carro para casa leva de 30 a 40 minutos, mesmo com trânsito intenso; de ônibus, o trajeto dura cerca de uma hora em cada sentido. Ele disse que não consegue usar o carro todos os dias por razões financeiras e que o tempo no ônibus reduz o período disponível para outras atividades.
Quem é quem
- Instituto Cidades Sustentáveis
- Organização responsável pela pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, que acompanha temas relacionados à qualidade de vida e à sustentabilidade nas cidades brasileiras. O levantamento citado ouviu moradores de dez capitais e investigou tempos de deslocamento e percepções sobre o transporte.
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Instituição pública de ensino superior sediada em Porto Alegre. A pesquisa cita Julio Celso Borello Vargas, professor do departamento de Urbanismo da universidade e doutor em engenharia de transporte e logística, como especialista em mobilidade urbana.