Polícia investiga feminicídio em Alegrete e prende soldado suspeito
Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, de 21 anos, morreu; a irmã dela ficou ferida, e o Exército abriu investigação paralela sobre a conduta do soldado.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil investiga como feminicídio, tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio os disparos que mataram Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, em Alegrete, e feriram a irmã dela. Um soldado do Exército foi preso em flagrante e é suspeito. A principal hipótese é que o crime tenha ocorrido após o fim do relacionamento. O Exército também instaurou investigação interna.
A Polícia Civil investiga como feminicídio, tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio os disparos que mataram Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, de 21 anos, e feriram a irmã dela, de 29, na madrugada de domingo (4), em Alegrete, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Um soldado do Exército, Ellinton Moura Silva, de 23 anos, foi preso em flagrante no mesmo dia e é suspeito dos crimes.
Segundo o delegado Wellington Pinheiro, a principal hipótese é que o suspeito tenha atirado porque não aceitava o fim do relacionamento com Ana Cristina. A investigação aponta que ele teria saído de uma festa, ido à unidade militar onde trabalha e retirado uma arma. Depois, teria seguido para a casa da ex-companheira e disparado contra ela.
A irmã da vítima foi baleada e recebeu atendimento em um hospital. Um vizinho que tentou impedir a fuga do soldado também teria sido alvo de disparos, mas não foi atingido. A Polícia Civil investiga as circunstâncias dos ataques e a participação do suspeito.
Ana Cristina e Ellinton não tinham registros anteriores de medidas protetivas nem de violência doméstica, segundo as informações da investigação. Medidas protetivas são determinadas pela Justiça para prevenir novas agressões e podem incluir o afastamento do agressor; a ausência de registros, porém, não esclarece por si só o que ocorreu antes do crime.
Além da investigação conduzida pela Polícia Civil, o 6º Regimento de Cavalaria Blindado instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar a conduta do soldado e eventuais responsabilidades penais e administrativas. O procedimento militar correrá paralelamente ao caso criminal, com apoio do Exército à investigação civil.
O Comando Militar do Sul informou que a retirada da arma da unidade ainda é investigada. Em nota, lamentou a morte, manifestou solidariedade à família e afirmou que repudia a violência contra mulheres. O comando também declarou que a apuração interna observará o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Para entender
- Inquérito Policial Militar
- Procedimento da Justiça Militar para apurar possíveis crimes militares e responsabilidades administrativas de integrantes das Forças Armadas. Pode ocorrer paralelamente a uma investigação conduzida pela Polícia Civil, que apura crimes comuns.