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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Polícia Federal indicia 13 executivos na Operação Quasar por lavagem

A Polícia Federal indiciou 13 executivos por suspeita de participação em uma estrutura financeira que teria lavado recursos ligados a fraudes no setor de combustíveis.

Por Laura Mendes 2 min de leitura
Documentos financeiros e computador sobre uma mesa em um escritório, com prédios desfocados ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Documentos financeiros e computador sobre uma mesa em um escritório, com prédios desfocados ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A Polícia Federal indiciou 13 executivos por suspeita de participação em uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada a fraudes no setor de combustíveis. O relatório da Operação Quasar foi enviado ao Ministério Público Federal, que decidirá os próximos passos. A defesa de dois empresários citados nega vínculo comprovado com facções criminosas.

A Polícia Federal (PF) indiciou 13 executivos de fundos de investimento, corretoras e fintechs por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a fraudes no setor de combustíveis. A investigação, chamada Operação Quasar, apura uma estrutura que, segundo a polícia, teria movimentado recursos atribuídos a um grupo econômico ligado à Aster Petróleo e à Copape Produtos de Petróleo.

O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que poderá apresentar denúncia à Justiça, pedir novas diligências ou arquivar o caso. O indiciamento representa a conclusão da PF sobre a investigação, mas não equivale a uma condenação.

De acordo com a PF, o dinheiro teria origem em sonegação fiscal e crimes no setor de combustíveis e teria sido inserido no sistema financeiro por meio de contas e fundos de investimento. A estrutura, segundo os investigadores, buscaria ocultar os beneficiários efetivos dos valores e dar aparência legal às operações.

A polícia afirma que três empresas responsáveis pela administração dos fundos teriam participado da organização financeira. Entre os elementos reunidos estão mensagens, contratos, planilhas, perícias contábeis e extratos bancários obtidos com autorização judicial. O relatório descreve “múltiplas camadas societárias e financeiras”, com fundos que investiam em outros fundos ou em empresas.

Ainda segundo a investigação, empresas do grupo teriam simulado transações de compra e venda de imóveis e títulos sem finalidade econômica real. O mecanismo, conforme a PF, dificultaria o rastreamento do dinheiro e a identificação de quem controlava os recursos. Entre as práticas investigadas está o uso de “contas-bolsão”, que podem fracionar depósitos e esconder a identidade dos donos do dinheiro.

Os investigados são apontados como integrantes de uma estrutura financeira associada aos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de Beto Louco. Os dois estão foragidos desde o ano passado, mas não eram alvos diretos do inquérito da Operação Quasar.

Em manifestação sobre as acusações dirigidas aos empresários, a defesa afirmou que eles são alvo de “especulações e acusações desprovidas de suporte fático” quanto a uma suposta integração ou liderança em facções criminosas. Os advogados também citaram o relatório final da PF, que, segundo eles, afirma que a ligação do grupo de origem com uma facção determinada não foi estabelecida como fato provado no inquérito. A defesa sustenta que não há prova ou indício que associe os empresários a organizações criminosas.

A Quasar foi deflagrada em 28 de agosto de 2025, em conjunto com a Operação Tank, da PF no Paraná, e a Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal. Na ocasião, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, e houve determinação de bloqueio de cerca de R$ 1,2 bilhão.

As apurações das três operações indicaram que fintechs e estruturas descritas como “bancos paralelos” teriam movimentado R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024 em uma instituição financeira de fachada investigada. O total atribuído ao conjunto das estruturas seria de pelo menos R$ 52 bilhões a R$ 53 bilhões, segundo as investigações.

Quem é quem

Polícia Federal
Órgão federal brasileiro responsável pela investigação de crimes de competência da União e por atividades de polícia judiciária federal. No caso, conduziu a Operação Quasar e encaminhou o relatório final ao Ministério Público Federal.
Ministério Público Federal
Instituição que atua na defesa da ordem jurídica e de interesses sociais e individuais indisponíveis em âmbito federal. Recebeu o relatório final da Operação Quasar e avaliará se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou pede o arquivamento.

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