Mercado eleva projeção de inflação para 5,01% no Brasil em 2026
Relatório Focus desta segunda também reduz a previsão de crescimento do PIB para 1,85%; estimativa para a Selic no fim do ano segue em 13,50%.
Resumo em 30 segundos
O mercado elevou de 4,99% para 5,01% a projeção de inflação oficial do Brasil em 2026, acima do teto de 4,50% da meta. A estimativa de crescimento do PIB caiu para 1,85%, enquanto a previsão da Selic no fim do ano permaneceu em 13,50%. As projeções constam do relatório Focus.
O mercado elevou de 4,99% para 5,01% a projeção para a inflação oficial do Brasil em 2026, segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano caiu de 1,86% para 1,85%, enquanto a previsão para a taxa Selic no fim de dezembro permaneceu em 13,50% pela segunda semana consecutiva.
A projeção de inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), está 0,51 ponto percentual acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. A meta contínua tem centro de 3% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O descumprimento é caracterizado quando a inflação fica fora desse intervalo por seis meses consecutivos.
O Focus reúne expectativas de instituições do mercado financeiro para indicadores econômicos. Considerando apenas as estimativas para o IPCA atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana recuou de 5,08% para 5,07%. Esse recorte tende a refletir com maior rapidez as informações mais recentes, mas não altera a projeção geral do levantamento.
Para 2027, a estimativa mediana de inflação caiu de 4,31% para 4,30%. A previsão para 2028 continuou em 3,80%, pela décima semana seguida, enquanto a de 2029 subiu de 3,50% para 3,51%. O Banco Central projeta IPCA de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, a autoridade monetária estima inflação acumulada de 3,2% em 12 meses, período que considera relevante para a política monetária.
A previsão para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,50%, mas, entre as estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana caiu de 13,50% para 13,25%. A taxa básica estava em 13,75% ao ano após o corte de 0,25 ponto percentual anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 16 de setembro. Foi a quinta redução consecutiva; desde março, os cortes somaram 1,25 ponto percentual.
Para o fim de 2027, o mercado manteve a projeção da Selic em 12%, pela 16ª semana consecutiva. As estimativas para 2028 e 2029 também ficaram estáveis, em 10,50% e 10%, respectivamente. A Selic é a principal taxa de referência da economia e influencia o custo do crédito, o consumo e as decisões de investimento. O Banco Central a utiliza como instrumento para conduzir a inflação em direção à meta.
A projeção de crescimento do PIB em 2026 recuou para 1,85%, ante 1,86% na semana anterior e 1,93% um mês antes. Entre as estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana passou de 1,85% para 1,83%. A expectativa do mercado está próxima da previsão de 1,8% do Banco Central, divulgada no Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre.
Para 2027, a estimativa de crescimento caiu de 1,41% para 1,40%, na quarta semana consecutiva de baixa. A previsão para 2028 recuou de 1,83% para 1,81%, enquanto a de 2029 permaneceu em 2%. O levantamento também manteve em R$ 5,20 a projeção para o dólar em dezembro de 2026; para o fim de 2027, a estimativa ficou em R$ 5,28.
Para entender
- Relatório Focus
- Levantamento semanal do Banco Central que reúne expectativas de instituições do mercado financeiro para indicadores como inflação, crescimento do PIB, juros e câmbio. As projeções são medianas das estimativas informadas pelos participantes e não correspondem a previsões ou decisões do próprio Banco Central.
- Meta contínua de inflação
- Sistema em que o cumprimento da meta é avaliado pela inflação acumulada em 12 meses, e não apenas pelo resultado de cada ano-calendário. O centro da meta brasileira é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.