Marcelo Kayath é cotado para comandar a Fazenda em governo Flávio
Sócio da QMS Capital, ele apoiou Lula em 2022 e criticou Paulo Guedes; declarações antigas incomodam aliados do candidato do PL.
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Marcelo Kayath, ex-executivo do Credit Suisse e sócio da QMS Capital, é cotado para o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Ele tem participado de encontros entre o candidato e integrantes do mercado financeiro, mas afirma que ainda não conversou com Flávio sobre uma indicação. Seu apoio a Lula em 2022 e críticas a Bolsonaro e Paulo Guedes provocam desconforto entre aliados do PL.
Marcelo Kayath, ex-executivo do Credit Suisse e sócio da gestora QMS Capital, é cotado para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A possibilidade tem provocado desconforto entre apoiadores do candidato do PL, por causa do histórico de declarações de Kayath e de seu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Kayath aproximou-se de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e, nesta eleição, passou a apoiar Flávio. Ele organizou encontros do candidato com banqueiros, investidores e empresários, entre eles um jantar em sua casa, em São Paulo. Apesar da atuação na campanha, afirmou que ainda não conversou com Flávio sobre uma eventual indicação para a Fazenda.
Em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (7), Kayath falou sobre propostas econômicas para um possível governo. Defendeu um “choque de gestão”, a redução do número de ministérios e a reestruturação do Orçamento. Para ele, não basta cortar gastos: é necessário rever a forma como os recursos públicos são organizados e distribuídos.
O economista também rejeitou a ideia de concentrar a condução da economia em um único ministro, modelo associado à expressão “Posto Ipiranga”, usada por Jair Bolsonaro para se referir a Paulo Guedes durante a campanha de 2018. Kayath disse respeitar o ex-ministro e afirmou que sua crítica era ao formato de gestão, não à pessoa. A exposição de propostas e possíveis nomes para um futuro governo, porém, é vista por aliados de Flávio como prematura e capaz de gerar desgaste antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A resistência a Kayath também se relaciona a declarações feitas em anos anteriores. Em 2021, ao avaliar a gestão de Guedes, afirmou que “a Faria Lima gosta de se iludir” e disse que o governo havia criado expectativas de curto prazo sem resolver problemas estruturais. Naquele período, durante a pandemia de Covid-19, Kayath avaliava que a recuperação econômica seria seguida pelo retorno de dificuldades que, em sua visão, não haviam sido enfrentadas.
No ano seguinte, ele declarou voto em Lula e participou de reuniões com empresários em apoio ao petista. Ao comparar os dois candidatos, disse que a situação fiscal era um problema central e avaliou que Bolsonaro oferecia mais riscos do que Lula. Também argumentou que um ajuste fiscal poderia ajudar a reduzir os juros e criticou Bolsonaro, afirmando que ele “não é de direita, é maluco”.
As declarações antigas voltaram ao debate entre apoiadores de Flávio após as entrevistas recentes de Kayath. Pessoas próximas à campanha também criticam a discussão antecipada sobre a equipe econômica e afirmam que o candidato pretende evitar conversas sobre a composição de um eventual governo antes do segundo turno. A prioridade, segundo essa orientação, é concentrar a campanha na disputa eleitoral.
A trajetória profissional de Kayath inclui a passagem pelo Credit Suisse, banco de investimento internacional, e a atuação na QMS Capital, gestora de recursos da qual é sócio. As matérias não detalham sua fortuna, vida familiar, relação com o Banco Central ou prática de violão; esses temas não aparecem ligados à possível indicação. Kayath não se manifestou sobre o desconforto dos apoiadores de Flávio.