Marcelo Kayath é cotado para comandar a Fazenda em governo de Flávio
Sócio da QMS Capital, o economista defende reformas fiscais rápidas, mas enfrenta resistência de apoiadores bolsonaristas por posições políticas de 2022.
Resumo em 30 segundos
Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, é apontado como possível ministro da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O economista defende mudanças para equilibrar as contas públicas e conquistar a confiança de investidores. Parte da base bolsonarista resiste ao nome porque Kayath apoiou Lula em 2022 e criticou Jair Bolsonaro.
Marcelo Kayath, economista e ex-presidente do banco de investimentos Credit Suisse no Brasil, é cotado para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sócio da gestora QMS Capital, ele defende mudanças para equilibrar as contas públicas, mas enfrenta resistência entre apoiadores bolsonaristas por declarações feitas no passado.
A oposição ao nome de Kayath entre parte da base está ligada a posicionamentos de 2022. Naquele ano, ele declarou voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chamou Jair Bolsonaro de “maluco”. Apesar da resistência, seu nome é considerado uma possibilidade por investidores, segundo a avaliação relatada no mercado financeiro.
Kayath afirma que o equilíbrio fiscal duradouro não pode depender apenas de cortes em despesas discricionárias, aquelas cuja execução pode ser ajustada pelo governo. Para ele, também é necessário enfrentar os gastos obrigatórios, que incluem despesas determinadas por lei ou pela Constituição e têm menor margem para redução no orçamento.
Em entrevista à Bloomberg, ele avaliou que a compra de ativos brasileiros após o primeiro turno refletiu uma mudança nas expectativas dos investidores. A confiança, porém, só se consolidaria, na avaliação dele, com a adoção rápida de reformas fiscais.
O debate ocorre em meio à pressão sobre as contas públicas e a inflação. O déficit nominal do setor público chegou a cerca de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado de 12 meses até agosto, enquanto a inflação anual estava em 4,58%, acima do teto de 3% da meta. Para conter a alta de preços, o Banco Central mantinha a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.
As críticas de Kayath à política econômica de Jair Bolsonaro antecedem a disputa eleitoral atual. Em julho de 2021, ao comentar a gestão do então ministro da Economia, Paulo Guedes, ele disse que “a Faria Lima gosta de se iludir”. Também afirmou que Guedes havia criado uma expectativa positiva de curto prazo, mas que a realidade apareceu depois.
Em janeiro de 2022, Kayath declarou apoio a Lula e participou de encontros com empresários favoráveis à candidatura do petista. Na ocasião, argumentou que Bolsonaro oferecia mais riscos fiscais do que Lula e citou o ajuste de 2003 como exemplo de responsabilidade nas contas públicas. Naquele período, Antonio Palocci entregou superávit de 5,3% do PIB, e Henrique Meirelles elevou os juros.
A possibilidade de Kayath assumir a Fazenda, portanto, reúne dois temas centrais para uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro: a busca por credibilidade fiscal junto a investidores e a reação de setores bolsonaristas às posições políticas que o economista manifestou anteriormente. Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, dá respaldo ao nome.
Para entender
- Despesas obrigatórias
- Gastos que o governo precisa realizar por determinação legal ou constitucional, como benefícios previdenciários. Em geral, há menos margem para reduzi-los do que para ajustar despesas discricionárias, cuja execução pode ser alterada pelo governo.
- QMS Capital
- Gestora de investimentos que administra recursos e investe em ativos financeiros. Marcelo Kayath é sócio da empresa.