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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

IBJ atrai jovens no Japão com matchmaking e orientação personalizada

Jovens japoneses recorrem a agências de casamento com orientação personalizada, apesar das mensalidades e taxas que podem chegar a milhares de dólares.

Por Laura Mendes 4 min de leitura
Jovem conversa com uma conselheira em uma agência de casamento em Tóquio. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jovem conversa com uma conselheira em uma agência de casamento em Tóquio.
Resumo em 30 segundos

Agências de casamento no Japão atraem jovens que buscam parceiros com intenção de casar e orientação personalizada, em reação às frustrações com aplicativos. A IBJ acompanha clientes até o noivado e registrou crescimento na base de membros e na receita. O serviço cobra mensalidades e taxas, enquanto críticos questionam a pressão comercial sobre os relacionamentos.

Agências profissionais de casamento voltaram a atrair jovens no Japão, que buscam parceiros com intenção de casar e apoio humano para organizar encontros. A mudança ocorre em meio à insatisfação com aplicativos de relacionamento e ao declínio da população e do número de famílias jovens no país.

O modelo retoma, em formato comercial, o omiai, prática tradicional em que parentes, conhecidos ou chefes aproximavam pessoas solteiras. O costume perdeu força depois da Segunda Guerra Mundial, mas agora os serviços de matchmaking divulgam a promessa de tornar a busca por um cônjuge mais rápida e direcionada.

A IBJ, empresa sediada em Tóquio, está entre as principais companhias do setor. Sua rede nacional reúne agências e conselheiros que acompanham os clientes desde a escolha de possíveis parceiros até o noivado. A empresa afirma participar de aproximadamente um em cada 25 casamentos no Japão e promete conduzir seus membros do primeiro encontro ao pedido de casamento em três meses.

Taizen Yasuda, de 28 anos, aderiu ao serviço depois de se cansar da dinâmica dos aplicativos. “O processo interminável de encontrar combinações, trocar mensagens e finalmente marcar um encontro pelos aplicativos era exaustivo”, disse. Para ele, uma agência seria uma forma mais rápida de conhecer alguém interessado em se casar.

Pouco mais de um mês após entrar na IBJ, Yasuda havia restringido suas opções a duas mulheres. Sua conselheira também simulou uma conversa para ajudá-lo a responder perguntas pessoais e deu orientações sobre como apresentar suas qualidades. O acompanhamento pode incluir recomendações de cuidados pessoais, etiqueta nas mensagens e planejamento dos encontros.

Quando dois clientes demonstram interesse mútuo, os conselheiros trocam impressões sobre os encontros e ajudam a organizar os próximos passos. O CEO da IBJ, Shigeru Ishizaka, disse que a empresa oferece “o tipo de apoio que somente seres humanos podem proporcionar para ajudar as pessoas a se casarem o mais rápido possível”.

Junko Yamada, professora da Universidade Tokai que estuda a psicologia do romance, avalia que o acompanhamento pode trazer segurança aos clientes. Segundo ela, a seleção de pessoas que também pretendem casar atende jovens que valorizam a eficiência e estão frustrados com experiências comuns em aplicativos, como desaparecimentos repentinos e relações sem compromisso.

O acesso e os preços variam entre as agências ligadas à IBJ. Em geral, os clientes pagam mensalidades de cerca de US$ 30 a US$ 100, além de uma taxa de inscrição entre US$ 650 e US$ 1.300. Se ficarem noivos, há ainda uma cobrança de US$ 1.300. A empresa também prevê uma taxa do mesmo valor caso os clientes descumpram regras que proíbem, por exemplo, relações sexuais antes do casamento e coabitação.

As agências podem restringir a inscrição a pessoas com renda estável. A maior unidade operada diretamente pela IBJ aceita mulheres de 20 a 39 anos e homens de 25 a 49. Além da intermediação, empresas do grupo oferecem planejamento de casamentos, consultoria financeira e serviços imobiliários, além de encaminhamentos para negócios parceiros.

O crescimento da companhia acompanha a expansão do setor. A IBJ aumentou sua base de membros em cerca de 50% nos últimos cinco anos. No primeiro semestre deste ano, sua receita avançou 44%, chegando a aproximadamente US$ 91 milhões. A receita anual supera US$ 130 milhões, e a empresa tem ações negociadas na Bolsa de Valores de Tóquio.

O formato empresarial também recebe críticas. Ikuko Kato, casamenteira que trabalha nos arredores de Tóquio e afirma ter ajudado a formar mais de 1.300 casais em 44 anos, diz que empresas como a IBJ priorizam os negócios e impõem prazos a clientes ansiosos. Ela cobra mensalidade e uma taxa quando o trabalho resulta em casamento, mas defende uma atuação mais pessoal.

A retomada do matchmaking ganha relevância em um país onde os nascimentos estão fortemente associados ao casamento. Ishizaka afirmou que entrou no setor em 2000 com a expectativa de contribuir para enfrentar o declínio demográfico. Nos primeiros seis meses de 2026, os nascimentos no Japão cresceram 0,8% em relação ao mesmo período anterior, a primeira alta em 11 anos, segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.

Yasuda disse que espera se casar cedo para ter tempo de criar três ou quatro filhos. Ishizaka também citou pesquisas segundo as quais mais de 80% dos jovens dizem querer se casar se encontrarem a pessoa certa. O executivo afirma que cada casal formado pela IBJ pode contribuir para reverter a queda da natalidade, embora o crescimento recente dos nascimentos tenha ocorrido após dois anos consecutivos de aumento dos casamentos.

Quem é quem

IBJ
Empresa japonesa de serviços de matchmaking sediada em Tóquio. Opera uma rede de agências e oferece acompanhamento a pessoas que buscam casamento, além de atuar em áreas relacionadas, como planejamento de cerimônias, consultoria financeira e serviços imobiliários.
Universidade Tokai
Instituição de ensino superior japonesa com sede em Tóquio e campi em diferentes regiões do país. A professora Junko Yamada, citada na notícia, pesquisa a psicologia dos relacionamentos e comentou o papel do aconselhamento na busca por parceiros.
Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão
Órgão do governo japonês responsável por políticas e informações públicas relacionadas a saúde, trabalho e bem-estar social. A notícia atribui ao ministério os dados sobre a variação do número de nascimentos no primeiro semestre de 2026.

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