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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Governo arquiva página sobre consagração a Nossa Senhora em 2026

A página sobre a cerimônia de 2022 foi arquivada durante o período eleitoral e, segundo o governo, deverá voltar ao ar após o fim das restrições.

Por Ricardo Vasconcelos 2 min de leitura
Servidor consulta documentos históricos diante de um computador em um escritório público. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Servidor consulta documentos históricos diante de um computador em um escritório público.
Resumo em 30 segundos

A página sobre o ato de consagração a Nossa Senhora Aparecida, realizado em 2022 durante o governo Bolsonaro, foi arquivada no período eleitoral de 2026, não apagada. A Secretaria de Comunicação Social informou que o conteúdo deverá retornar após 25 de outubro. Restrições semelhantes levaram outros órgãos a ocultar publicações e reportagens.

Uma publicação sobre o Ato de Consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida, realizado em 24 de outubro de 2022, foi arquivada no site do governo federal durante o período eleitoral de 2026. O conteúdo não foi apagado, e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que deverá voltar a ficar acessível após o fim das restrições legais, em 25 de outubro.

A ocultação de notícias antigas faz parte das medidas de neutralidade adotadas por órgãos federais no período de defeso eleitoral, iniciado em 4 de julho. As regras restringem a publicidade institucional nos três meses anteriores à eleição para resguardar a igualdade de oportunidades entre candidatos.

A publicação registra uma cerimônia realizada durante o governo de Jair Bolsonaro. A retirada da página alimentou nas redes sociais a alegação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria apagado o registro por ser contrário à padroeira do Brasil. A informação é enganosa: segundo a Secretaria de Comunicação Social, essa e outras notícias foram arquivadas em cumprimento às regras eleitorais.

As medidas adotadas por órgãos públicos incluem ocultar notícias publicadas até 3 de julho, desativar elementos de identidade visual governamental em portais e suspender ou adequar perfis em redes sociais. Também foi prevista a criação de áreas específicas para conteúdos do período eleitoral.

Em posicionamento sobre a publicação, o Centro Dom Bosco afirmou que o texto tem natureza informativa e histórica, e não constitui publicidade institucional de programa, obra, serviço ou campanha do governo. A entidade é uma instituição de leigos católicos criada em 2016.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro declarou, em nota divulgada em 2025, que não tem vínculo com o Centro Dom Bosco e orientou fiéis a não participar de suas atividades. A entidade é filiada à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que recorre de uma decisão de excomunhão aplicada em julho de 2026, após a ordenação de quatro bispos sem autorização.

A aplicação das restrições também levou outros órgãos a ocultar conteúdos. Entre os exemplos citados estão publicações do Arquivo Nacional anteriores a 3 de julho, processos concluídos na plataforma Brasil Participativo e cerca de 146 mil reportagens da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), retiradas do ar sob a mesma justificativa. Foram afetadas ainda páginas de indicadores ambientais e de saúde.

Especialistas ouvidos pelo site The Conversation descreveram como “apagão das canetas” a cautela de gestores que, diante de dúvidas sobre a interpretação das normas eleitorais, retiram conteúdos de forma preventiva. Segundo a análise, o procedimento pode atingir registros históricos e dados úteis à pesquisa e à elaboração de políticas públicas.

Quem é quem

Luiz Inácio Lula da Silva
Político brasileiro e presidente da República. Foi eleito para o cargo em três períodos: de 2003 a 2010 e, novamente, a partir de 2023. É uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores.
Jair Bolsonaro
Político brasileiro que presidiu o país de 2019 a 2022. O ato de consagração mencionado na notícia ocorreu durante sua gestão, em outubro de 2022.
Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
Empresa pública federal responsável por serviços e veículos de comunicação, entre eles a Agência Brasil. A companhia informou ter retirado temporariamente do ar reportagens durante o período de restrições eleitorais descrito na matéria.

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