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Domingo, 18 de outubro de 2026

GDA Luma ainda não assume o controle da SAF do Botafogo

A transferência de 90% das ações não tem data definida e depende de etapas societárias e do avanço das negociações da recuperação judicial do clube.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Estádio de futebol vazio ao entardecer, com pastas e calculadora em primeiro plano. Imagem gerada por IA
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A GDA Luma ainda não assumiu oficialmente o controle da SAF do Botafogo. O acordo prevê a conversão de empréstimos em participação acionária e a transferência de 90% das ações, mas depende de etapas societárias e das negociações da recuperação judicial. Cerca de US$ 50 milhões já foram repassados e seguem registrados como empréstimos.

A GDA Luma ainda não tem data definida para assumir oficialmente o controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo. O processo depende de etapas societárias e das negociações da recuperação judicial do clube; o acordo prevê a conversão de empréstimos em participação acionária e a transferência de 90% das ações à empresa.

Antes da transferência, o Botafogo social tenta assumir a parcela de 49% da SAF que pertence à Eagle Football Holdings Bidco. O clube associativo já detém 51% e, em 24 de setembro, aprovou em assembleia extraordinária a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias, ao valor de R$ 0,01 por ação.

O associativo recebeu 102 milhões de ações, mantendo sua participação proporcional. A Eagle teve preferência para comprar as outras 98 milhões, mas o prazo para exercer esse direito termina ainda em outubro. Se não adquirir todas as ações disponíveis, o Botafogo social poderá ficar com o restante e passar a controlar praticamente 100% da SAF, enquanto a participação da holding cairia para menos de 0,1%.

Com quase todas as ações sob seu controle, o clube associativo poderá transferir 90% da SAF à GDA Luma. O acordo prevê aportes de US$ 105 milhões, dos quais cerca de US$ 50 milhões já foram repassados. As partes também negociam a entrada de mais US$ 7 milhões, esperada entre a última semana de outubro e a primeira de novembro. O CEO Eduardo Iglesias conduz as tratativas com representantes da futura investidora, entre eles o empresário Gabriel de Alba.

A empresa, portanto, ainda não comprou nem assumiu formalmente o Botafogo. Os cerca de US$ 50 milhões já transferidos continuam registrados como empréstimos, com juros, e permanecem como obrigação financeira da SAF. A conversão em participação societária e a transferência de controle devem alterar esse tratamento. A expectativa de um novo aporte é vista como sinal de que as negociações continuam, apesar de rumores sobre possível desgaste entre as partes.

A conclusão da etapa de ações não deve levar a uma mudança imediata de comando. A avaliação no clube é que convém avançar primeiro nas conversas da recuperação judicial, porque a troca de controle poderia dificultar negociações com credores sobre o deságio — redução do valor a pagar em relação à dívida original. Para aprovar o plano, é necessário obter apoio de credores que representem ao menos 51% dos créditos. Até agora, o Botafogo teria adesão de titulares de 35% a 40%; as conversas com outros clubes, que concentram algumas das maiores dívidas, são apontadas como principal obstáculo.

A recuperação judicial da SAF envolve dívida estimada em R$ 1,1 bilhão e não inclui passivos fiscais e tributários. O próximo relatório do processo está previsto para o dia 21. O passivo total do Botafogo é estimado em R$ 3,5 bilhões, soma que inclui dívidas da SAF e do clube associativo, além de outros compromissos.

A situação tributária do associativo mudou após a interrupção, em abril, de sua participação no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), que permitia condições de parcelamento. A dívida fiscal, antes estimada em R$ 280 milhões, passou para cerca de R$ 500 milhões. A SAF tem débitos tributários estimados em R$ 480 milhões; os valores das duas partes serão negociados separadamente com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

O passivo inclui ainda uma obrigação estimada em R$ 360 milhões da SAF com o clube social, relacionada a repasses futuros para cobrir compromissos anteriores do associativo: cerca de R$ 140 milhões ligados ao Regime Centralizado de Execuções e R$ 220 milhões à recuperação extrajudicial. Também entram na conta dívidas correntes, compromissos com contratações posteriores ao pedido de recuperação judicial, feito em 21 de abril, e valores relacionados a rescisões de jogadores e treinadores. As chamadas receitas a apropriar aparecem contabilmente como passivo, mas não correspondem a uma dívida efetiva.

Para entender

SAF
A Sociedade Anônima do Futebol é um modelo de empresa criado para permitir que clubes organizem suas atividades relacionadas ao futebol como uma sociedade por ações. A SAF pode ter sócios e controle acionário próprios, separados da associação civil do clube.

Fontes: O Globo, Zero Hora

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