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Sábado, 3 de outubro de 2026

G7 libera 100 milhões de barris e EUA descartam embargo a combustíveis

Os países do G7 acertaram liberar 100 milhões de barris de petróleo e diesel em quatro meses, e Donald Trump descartou barrar exportações dos EUA.

Por Ricardo Vasconcelos 3 min de leitura
Tanques de armazenamento de combustíveis em um terminal portuário, com navio e tubulações ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Tanques de armazenamento de combustíveis em um terminal portuário, com navio e tubulações ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Os países do G7 anunciaram a liberação coordenada de 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel, com início imediato e duração de quatro meses. Após o acordo, Donald Trump descartou suspender as exportações americanas. O plano prevê estoques dos EUA, Europa e Ásia, enquanto os contratos futuros de diesel recuaram após o anúncio.

Os Estados Unidos desistiram de interromper as exportações de combustíveis após integrantes do Grupo dos Sete (G7) acertarem a liberação de 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel. O acordo foi anunciado nesta sexta-feira (2), com início imediato e distribuição prevista ao longo de quatro meses, em resposta à pressão sobre o mercado de energia.

O presidente Donald Trump afirmou que não aplicará o embargo e elogiou a participação europeia na liberação de estoques. A ameaça de restrição havia sido discutida em meio à alta dos preços do diesel, que afeta indústrias e agricultores americanos, e à pressão de parlamentares republicanos de regiões agrícolas antes das eleições parlamentares de novembro.

A declaração conjunta dos países do G7 não especificou a divisão completa dos volumes. Três pessoas familiarizadas com os detalhes disseram que 40 milhões de barris devem vir da Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, cerca de 50 milhões de barris de diesel serão fornecidos pela Europa, e o restante virá da Ásia.

Os estoques serão liberados sob coordenação da Agência Internacional de Energia (AIE). O plano prevê a disponibilização de um volume substancial de reservas de diesel nos primeiros 20 dias. Segundo a AIE, a nova iniciativa também levará em conta os compromissos já cumpridos dentro de um programa anterior de 400 milhões de barris, acordado em março. Desse total, 325 milhões já haviam sido liberados.

No comunicado, os signatários — entre eles os Estados Unidos — comprometeram-se a não limitar o comércio de energia entre os países do G7 e pediram a outros produtores que evitem proibições capazes de aumentar as tensões no mercado. Questionada sobre a retirada da ameaça americana, a Casa Branca apontou para esse compromisso conjunto.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que os integrantes do grupo concordaram em não restringir o intercâmbio de petróleo e produtos energéticos entre países parceiros. Ele afirmou que a liberação deve enviar um sinal aos mercados. Os líderes também disseram que voltarão a se reunir no âmbito da AIE nos próximos dias para avaliar a possibilidade de novas liberações de diesel.

A possibilidade de um embargo americano havia mobilizado negociadores europeus e representantes da indústria petrolífera dos Estados Unidos, contrários à medida por seu potencial de elevar os preços globais. Dois diplomatas familiarizados com as conversas disseram que a Casa Branca exigiu que a Europa liberasse pelo menos 100 milhões de barris e ameaçou restringir as exportações americanas caso a exigência não fosse atendida.

O Instituto Americano do Petróleo (API), grupo de lobby do setor, apoiou a liberação coordenada e o compromisso de não impor restrições comerciais entre os participantes. A Europa já havia se comprometido em março a liberar 73 milhões de barris de combustíveis refinados, mas alguns países ainda não haviam cumprido suas obrigações, segundo Fatih Birol, chefe da AIE.

Após o anúncio, os contratos futuros de diesel na Europa caíram 8%, para US$ 1.337,75 por tonelada, o menor valor desde o início de setembro. O diesel no atacado em Nova York recuou quase 2%, para US$ 4,56 por galão. Os preços do combustível vinham sendo pressionados por problemas em refinarias, pela guerra no Irã, pelo conflito entre Rússia e Ucrânia e por limites chineses às exportações de combustíveis.

Quem é quem

Grupo dos Sete (G7)
Fórum de cooperação política e econômica que reúne Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. Os países integrantes coordenam posições sobre temas internacionais e, neste caso, anunciaram uma liberação conjunta de petróleo bruto e diesel.
Agência Internacional de Energia (AIE)
Organização internacional criada para promover a cooperação entre países em questões de energia. Entre suas atividades estão o acompanhamento dos mercados e a coordenação de respostas coletivas a interrupções no abastecimento de petróleo.
Donald Trump
Político norte-americano e presidente dos Estados Unidos, conforme identificado na matéria de origem. No episódio, afirmou que o governo não aplicaria a ameaça de embargo às exportações de combustíveis após o acordo de liberação de estoques pelos países do G7.

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