Francis Halzen recebe o Nobel de Física por pesquisa com neutrinos
O físico belga foi premiado por sua contribuição ao observatório IceCube, que usa sensores instalados no gelo do Polo Sul para detectar neutrinos de alta energia.
Resumo em 30 segundos
Francis Halzen recebeu o Nobel de Física de 2026 por suas contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. Instalado no Polo Sul, o equipamento usa sensores no gelo para registrar sinais luminosos gerados quando essas partículas raras interagem com a matéria.
O físico belga Francis Halzen recebeu nesta terça-feira (6) o Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia com origem astrofísica. O anúncio foi feito pela Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo.
Halzen, de 82 anos, é professor da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. Nascido em Tienen, na Bélgica, ele disse por telefone que ficou surpreso com a escolha e que receber o prêmio era “um grande prazer”.
O IceCube é um observatório instalado no Polo Sul, em uma área de cerca de um quilômetro cúbico de gelo. Sensores distribuídos no gelo registram sinais de luz produzidos quando um neutrino interage com a matéria. A proposta de usar o gelo como meio de detecção e a liderança científica de Halzen foram destacadas pela academia.
Neutrinos são partículas subatômicas abundantes, mas difíceis de observar porque interagem muito pouco com a matéria. Eles atravessam a Terra e o corpo humano sem serem percebidos. Em ocasiões raras, porém, um neutrino colide com um núcleo atômico; se isso ocorre na região monitorada pelo IceCube, os sensores captam o sinal luminoso associado à interação.
A detecção permite estudar partículas que chegam à Terra após viajar por grandes distâncias. Neutrinos de alta energia podem ser produzidos em processos extremamente energéticos no universo distante, e suas características ajudam pesquisadores a investigar esses ambientes e a compreender como as partículas são geradas. O estudo também pode contribuir para identificar fenômenos cósmicos ainda desconhecidos.
A secretária-geral da Real Academia Sueca de Ciências, Ellen Moons, descreveu o prêmio como ligado a “mensageiros fantasmagóricos vindos do espaço”. A professora Eva Olsson, integrante do Comitê Nobel de Física, explicou que o IceCube transforma um enorme volume de gelo no Polo Sul em um instrumento para detectar neutrinos.
A premiação de Física é a segunda anunciada nesta temporada, iniciada na segunda-feira (5) com o Nobel de Medicina. O de Química está previsto para quarta-feira (7), seguido pelo de Literatura na quinta-feira (8). O Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira (9), e o prêmio de Economia encerrará os anúncios em 12 de outubro. A entrega dos prêmios ocorre em dezembro.
Para entender
- Neutrinos
- Partículas subatômicas abundantes que interagem muito pouco com a matéria. Por isso, podem atravessar a Terra e o corpo humano sem serem percebidas. Quando uma interação rara ocorre, detectores especializados podem registrar sinais associados à passagem da partícula.
- IceCube
- Observatório de neutrinos instalado no Polo Sul. Sensores distribuídos em um grande volume de gelo registram sinais luminosos produzidos quando neutrinos interagem com a matéria, permitindo que pesquisadores estudem partículas vindas de regiões distantes do universo.