Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após ordem sobre passaportes
A Polícia Federal confirmou a saída do senador nesta terça-feira; a decisão de Alexandre de Moraes também o proibia de viajar ao exterior.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil nesta terça-feira, após Alexandre de Moraes determinar que entregasse os passaportes e não viajasse ao exterior. A PF confirmou a saída, embora inicialmente não houvesse registro formal do trajeto. A ordem está ligada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, que não equivalem a condenação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil nesta terça-feira (27), depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que entregasse os passaportes e não viajasse ao exterior. A saída ocorreu após o irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), sugerir que ele fosse para os Estados Unidos se perdesse a eleição presidencial. Flávio teria seguido primeiro para a Argentina e, depois, planejado ir aos EUA; a Polícia Federal (PF) confirmou que ele deixou o país.
A ordem de Moraes foi determinada na segunda-feira (26), e Flávio não entregou os documentos no prazo. A PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador. A decisão está ligada a uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, sob suspeita de lavagem de dinheiro. As suspeitas estão sob apuração e não equivalem a uma condenação.
A saída do senador ocorreu em meio a informações divergentes sobre o trajeto e os registros migratórios. A PF e o Ministério da Justiça consultaram autoridades argentinas para verificar notícias de que ele teria cruzado a fronteira. A polícia não havia encontrado registro formal da saída do Brasil, e a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não documentou a chegada dele. Mais tarde, a saída do país foi confirmada.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Ele foi para o país após anunciar que buscaria apoio internacional para anistiar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Em julho de 2026, Eduardo afirmou que havia recebido um green card na categoria EB-1A, destinada a pessoas com habilidades extraordinárias. O documento permite residência legal por tempo indeterminado, sujeita às regras migratórias americanas.
A mudança de Eduardo para os EUA ocorreu depois da derrota de Jair Bolsonaro na eleição de 2022. O então deputado passou a buscar apoio de lideranças conservadoras estrangeiras, especialmente de Donald Trump, que assumiu a Presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025. Em março daquele ano, Eduardo pediu licença de 120 dias da Câmara e disse temer ser preso caso voltasse ao Brasil. Também mencionou a possibilidade de solicitar asilo político.
Eduardo defendeu que o governo americano aplicasse sanções a ministros do STF e integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF, para pressionar autoridades brasileiras em processos contra o pai. Em maio de 2025, a pedido da PGR, Moraes abriu investigação para apurar suspeitas de coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A Câmara declarou a perda do mandato de Eduardo em dezembro de 2025, após o fim da licença e a continuidade de sua permanência nos EUA. Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo. A condenação também levou à declaração de inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena e à perda de seu cargo público de escrivão da PF.
A defesa contestou a decisão, mas a Primeira Turma rejeitou o recurso em setembro de 2026. Neste mês, Moraes determinou medidas para executar a condenação, incluindo a expedição de mandado de prisão e o cancelamento do passaporte de Eduardo. A sentença contra o ex-deputado e a ordem de restrição de viagem contra Flávio são decisões distintas, adotadas em processos diferentes.