Flávio Bolsonaro busca apoio do Centrão para ampliar votos no 2º turno
Após receber 47,03% dos votos no primeiro turno, a campanha negocia com PP, União Brasil e Republicanos; a federação decide sua posição nesta terça-feira.
Resumo em 30 segundos
A campanha de Flávio Bolsonaro articula apoio de partidos, governadores e candidatos derrotados para o segundo turno contra Lula, marcado para 25 de outubro. A federação PP e União Brasil discute sua posição nesta terça-feira. O senador também busca votos de eleitores de candidatos eliminados, embora o apoio de lideranças não garanta a transferência dos votos.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) começou a articular apoios para o segundo turno da eleição presidencial após o senador terminar a primeira etapa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde segunda-feira (5), aliados negociam com partidos, governadores e candidatos derrotados, com o objetivo de ampliar a votação de Flávio até 25 de outubro, data do segundo turno.
Flávio obteve 47,03% dos votos no primeiro turno. A campanha avalia que o resultado fortalece as conversas com legendas que não se posicionaram na primeira etapa e procura transformar a vantagem em uma aliança capaz de reunir diferentes forças políticas.
Uma das frentes é a aproximação com o chamado Centrão, grupo de partidos de centro e centro-direita com presença expressiva no Congresso. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha, procurou dirigentes do Republicanos e do PP para discutir apoio. O Republicanos é presidido nacionalmente por Marcos Pereira e tem entre seus principais nomes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reeleito no primeiro turno.
Tarcísio se reuniu com Flávio em Brasília na segunda-feira e disse que, a partir de agora, terá “foco total” na disputa presidencial. O governador paulista deve participar de agendas fora do estado e ajudar a mobilizar a campanha. “Não vai haver desmobilização, vai haver trabalho, trabalho intenso”, afirmou.
A federação formada por PP e União Brasil deve discutir sua posição nesta terça-feira (6), em reunião de dirigentes. Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do PP, declarou que votou em Flávio, mas ressaltou que a decisão cabe às instâncias do partido. “Votei no Flávio, tenho uma lealdade ao presidente Bolsonaro, ao pai dele, enorme. Não sou eu que tomo essa decisão, é a nossa Executiva, os nossos deputados e senadores”, disse à TV Cidade Verde, no Piauí.
No primeiro turno, Flávio tentou obter apoio formal da federação e ofereceu à senadora Tereza Cristina (PP-MS) a vaga de vice. As siglas resistiram à composição, em parte por causa de candidaturas estaduais que apoiavam Lula em estados do Nordeste. Agora, dirigentes da campanha esperam que os partidos apoiem o senador, mas a posição ainda depende das deliberações internas.
O PL convocou para quarta-feira (7), em Brasília, uma reunião com governadores, senadores e deputados federais eleitos para coordenar a atuação nas semanas restantes da campanha. A ideia é também atrair lideranças de outros partidos e candidatos que não avançaram ao segundo turno. O encontro deve servir para organizar a mobilização regional e apresentar uma frente de apoio à candidatura.
A campanha pretende aproveitar a eleição de aliados para governos estaduais. Tarcísio venceu em São Paulo e Cleitinho, do Republicanos, em Minas Gerais; Sergio Moro, Luciano Zucco e Jorginho Mello, todos do PL, foram eleitos no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, respectivamente. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país, estão entre os focos previstos para as agendas.
No Congresso, o PL quer usar o desempenho de seus candidatos como argumento de que uma eventual presidência de Flávio teria condições de formar uma base de apoio. O partido elegeu 19 senadores e terá 28 integrantes no Senado a partir de 2027, tornando-se a maior bancada da Casa. Thomas Haugaard, gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, afirmou que a posição do PL e o fortalecimento da direita e da centro-direita podem facilitar coalizões, embora o Congresso fragmentado e sujeito a negociações continue sendo uma restrição.
A campanha também busca os votos de quem escolheu candidatos eliminados no primeiro turno. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) somaram cerca de 9 milhões de votos. A equipe de Flávio pretende dialogar com esses eleitores, mas a transferência não é automática: o apoio de lideranças partidárias não garante que seus votantes acompanhem a mesma decisão.
Caiado deve declarar apoio a Flávio, enquanto o PSD tende a permanecer neutro e liberar seus diretórios e lideranças para escolherem um candidato. Cury afirmou que não pretende apoiar nenhum dos dois. Zema, ex-governador de Minas Gerais, declarou apoio a Flávio na segunda-feira, após ter sinalizado no domingo que seria “oposição ao PT”.
O senador também tenta apresentar a disputa como uma escolha por mudança. Ao comemorar o resultado do primeiro turno, afirmou: “Está decretado o fim da era do PT. A mudança no nosso país”. No segundo turno, a campanha deverá buscar eleitores indecisos, abstencionistas e apoiadores de candidatos que ficaram fora da etapa final, ao mesmo tempo que trabalha para manter mobilizada a base que já conquistou.
Para entender
- Centrão
- Expressão usada para designar um conjunto variável de partidos de centro e centro-direita com atuação expressiva no Congresso. Não corresponde a uma aliança fixa: as siglas podem negociar e se posicionar de maneiras diferentes conforme a eleição e o tema em discussão.
- Federação partidária
- Aliança formal entre partidos que atuam como uma única entidade eleitoral por, no mínimo, quatro anos. Diferentemente de uma coligação eleitoral, a federação também precisa funcionar em conjunto após a eleição, inclusive nas casas legislativas.